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Estado de Minas

Brumadinho: deputados criticam ministro sobre intenção de investir R$ 250 mi em parques federais

Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que gostaria de investir multa do Ibama à Vale em parques nacionais. No entanto, parlamentares bancada mineira quer recursos aplicados nos municípios atingidos pelo rompimento da barragem


postado em 11/04/2019 20:49

O ministro Ricardo Salles defendeu a ideia de repassar R$ 250 milhões aos parques nacionais situados em Minas Gerais(foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
O ministro Ricardo Salles defendeu a ideia de repassar R$ 250 milhões aos parques nacionais situados em Minas Gerais (foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

 

Os deputados federais Zé Silva (SD) e Áurea Carolina (PSOL), membros da comissão especial de Brumadinho, criticaram o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobre a intenção de investir a multa aplicado pelo Ibama à Vale em parques federais. Os dois parlamentares desejam que o recurso de R$ 250 milhões seja aplicado nos municípios da Bacia do Paraopeba, direta e indiretamente atingidos pelo rompimento da Barragem da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho.


“Quando ele anunciou, imediatamente, me posicionei contrário ao investimento dos recursos em parques. Que a multa seja revertida em vantagens para municípios da Bacia Hidrográfica do Paraopeba”, afirmou Zé Silva. Segundo ele, a comissão especial que pauta a catástrofe já entrou em consenso para que o dinheiro não seja transferido para os parques, já que alguns estão longe de Brumadinho.


Por isso, Zé Silva articula com empresas estatais para aplicação dos recursos nas cidades atingidas, já que o dinheiro não pode ser transferido diretamente aos municípios. Isso porque a multa foi aplicada pelo Ibama, um órgão da União. “(Temos) projetos prontos de saneamento urbano nos municípios da bacia. Também queremos criar um centro de tecnologia para agricultura, que viria para diminuir a dependência dessas cidades com a mineração”, explicou o deputado. De acordo com ele, cada centro de tecnologia custaria entre R$ 10 e 15 milhões.

 

Parque Nacional da Serra do Cipó, em Santana do Riacho, na Grande BH, seria um dos beneficiados(foto: Newton Franca/Esp. EM/ D.A Press. 22/05/07)
Parque Nacional da Serra do Cipó, em Santana do Riacho, na Grande BH, seria um dos beneficiados (foto: Newton Franca/Esp. EM/ D.A Press. 22/05/07)
 


Segundo Áurea Carolina, a intenção do ministro também esbarra em conflitos ambientais que cercam os parques mineiros. Ela citou os casos das estruturas situadas na Região Norte do estado. “Ele (Ricardo Salles) não pode passar por cima desses confrontos”, disse a parlamentar.

 

Minas Gerais possui oito parques nacionais. O do Itatiaia, na divisa com o Rio de Janeiro, foi concedido à iniciativa privada no início deste ano. Os demais são os parques nacionais do Caparaó (Zona da Mata), Grande Sertão Veredas (Norte de Minas), Cavernas do Peruaçu (Norte de Minas), Serra do Gandarela (Grande BH), Serra do Cipó (Grande BH), Sempre-Vivas (Vale do Jequitinhonha) e Serra da Canastra (Centro-Oeste de Minas).

 

“Sete parques nacionais que ainda não têm infraestrutura para o turismo, não estão preparados para receber a população, não têm atrativos desenvolvidos da forma como deve ser”, disse Ricardo Salles durante a entrevista à Globo News na última segunda-feira (8).

 

“É uma grande oportunidade para o estado de Minas Gerais ter um grande investimento nesse montante de R$ 250 milhões. Investimento esse que traz não só conservação do meio ambiente, mas justamente a oportunidade de emprego e desenvolvimento de um estado que está muito fragilizado por causa dos problemas da mineração”, prosseguiu o ministro.

 

*Estagiário sob supervisão da redação do Estado de Minas 


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