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Estado de Minas

Exploração ilegal de quartzito atingiu 180 hectares da Serra da Canastra

Foram identificados nove pontos de exploração, divididos em lotes pelos extratores, que utilizavam explosivos para deslocamento das jazidas e queimadas para limpar a vegetação


postado em 21/02/2019 06:00 / atualizado em 21/02/2019 09:41



Depois de oito meses de investigações, a Polícia Federal desencadeou ontem a operação “S.O.S Serra da Canastra” para cumprir mandados de prisão e apreensão em cidades da região do Sul de Minas e na Capital, no Bairro Serrano, Região da Pampulha, onde um comerciante foi preso, e no interior de São Paulo, por exploração ilegal de quartzito em área do parque nacional. A operação foi centralizada na cidade de Passos. Exploradores e donos de depósitos foram os alvos da ação que envolveu também o Ministério Público Federal (MPF) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).


A exploração ilegal acontecia desde 2007, autorizada pelo então Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), hoje Agência Nacional de Mineração. A procuradora da República em Passos, Flávia Cristina Tavares Torres, disse que o DNPM tentou em 2007 a reparação de danos, mas os exploradores nunca cumpriram os termos. No mesmo ano, foi tentando o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que também não foi cumprido. A partir de 2008, as autorizações foram canceladas e a retirada do mineral passou a ser feita de forma ilegal.

O dano ambiental da exploração chega a 180 hectares, mas “a área afetada é muito maior, uma vez que os rejeitos não eram tratados e ficavam expostos no local da mina ou eram jogados no leito de córregos e nascentes da Serra da Mantiqueira”, explicou a procuradora.

Foram identificados nove pontos de exploração, divididos em lotes pelos extratores, que utilizavam explosivos para deslocamento das jazidas e queimadas para limpar a vegetação. Um ponto de exploração tinha dois quilômetros de extensão. De acordo com o chefe da Polícia Federal de Divinópolis, Daniel Souza Silva, os rejeitos de quartzito são altamente poluentes, uma vez que apenas entre 10% e 20% do material retirado é aproveitado e “todo o restante era abandonado, sem qualquer manejo, e despejados nos rios da bacia do Rio Grande, que abastece a usina de Furnas”. Tudo o que era retirado era vendido a 16 depósitos, cujos donos, segundo o delegado, “sabiam que as pedras eram extraídas ilegalmente, em área de proteção”.

(foto: Reprodução da internet Youtube/Divulgação Polícia Federal)
(foto: Reprodução da internet Youtube/Divulgação Polícia Federal)


ESTRAGÉGIA O local de exploração ficava na parte alta da montanha, dificultando a visibilidade das cavas, e a posição facilitava o trabalho de um “olheiro”, também preso, que, conforme as investigações da PF, vigiava a movimentação de fiscais e investigadores. “Foram inúmeras as tentativas de coibir essa prática, e a ilegalidade era sabida porque, todas as vezes em que nos aproximávamos, os garimpeiros saíam temporariamente e logo retornavam. Chegamos a registrar até seis caminhões fazendo o transporte, que ocorria geralmente à noite ou nos finais de semana.”

Foram executados 73 mandados de prisão, 20 preventivas e 53 temporárias. Até o início da manhã de ontem, 50 prisões já tinham acontecido. Vários dos presos, segundo o delegado, já respondiam a processos ou haviam sido condenadas pelo mesmo crime.

As investigações partiram da observação dos caminhões que entravam no parque e conduziam o produto aos depósitos nas cidades. Foram identificados alojamentos improvisados e maquinários, que foram destruídos pela polícia. 


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