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Estado de Minas

Geólogo da Vale dá detalhes sobre anormalidades detectadas em Brumadinho

Em depoimento à Polícia Federal (PF), César Augusto Paulino Grandchamp afirmou que recebeu dados alarmantes emitidos pelos mecanismos de segurança, mas nenhuma providência foi tomada pela mineradora


postado em 07/02/2019 22:55 / atualizado em 07/02/2019 23:25

(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)

 

O geólogo César Augusto Paulino Grandchamp, da Vale, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) no último dia 31 e detalhou seguidas anormalidades detectadas pela área técnica na barragem de Brumadinho, principalmente quanto à drenagem da represa. Segundo Grandchamp, ele solicitou a contratação de empresas de tecnologia para sanar os problemas, mas as propostas só chegaram ao seu conhecimento em janeiro deste ano, dias antes da tragédia.


As informações foram obtidas pela TV Globo e exibidas no Jornal Nacional. De acordo com o geólogo, a Vale constatou as primeiras irregularidades em junho do ano passado, quando equipes instalavam drenos horizontais profundos na barragem da mina do Córrego do Feijão.


Segundo o funcionário da Vale, durante os trabalhos, se instalou 14 drenos. Quando o 15º equipamento seria colocado, os profissionais detectaram que “a água inserida pelo dreno no pé da barragem não retornou, ocasionando o aumento da pressão na estrutura”. Com isso, uma erosão poderia acontecer no caminho percorrido pelo fluido. O episódio também foi relatado pelo engenheiro Makoto Namba, da empresa alemã Tüv Süd, responsável pela auditoria da barragem.

 

Ver galeria . 22 Fotos Novas fotos aéreas mostram situação na região atingida pelos rejeitos da barragem da Vale em Brumadinho, na Grande BH, na segunda semana após o desastreCorpo de Bombeiros/Divulgação
Novas fotos aéreas mostram situação na região atingida pelos rejeitos da barragem da Vale em Brumadinho, na Grande BH, na segunda semana após o desastre (foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação )
 


Na ocasião, de acordo com o depoimento, alguns piezômetros, equipamentos utilizados para medir a pressão da água na estrutura, variaram até quatro metros – nível acima do ideal. Contudo, duas horas depois, os níveis de pressão retornaram à normalidade. Por isso, a empresa não classificou o incidente como uma emergência.


Diante dos problemas, César Grandchamp disse que solicitou ao setor de suprimentos a contratação de empresas de tecnologia para “viabilizar a drenagem vertical da barragem”. Ele afirmou que recebeu sete propostas diferentes, mas que só chegaram a sua mesa em janeiro deste ano, poucos dias antes da catastrófe.


O geólogo também confirmou outra parte dos e-mails trocados por funcionários da Vale e engenheiros da empresa Tüv Süd. Segundo Grandchamp, no dia 10 de janeiro, os piezômetros detectaram dados discrepantes, mas nada foi feito pela empresa. De acordo com ele, não é normal que tais alarmes dos equipamentos tenham sido ignoradas pela mineradora.


Em nota, a Vale informou que colabora com as investigações. Ainda disse que "se absterá de fazer comentários sobre particularidades das investigações de forma a preservar a apuração dos fatos pelas autoridades".



 

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