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Estado de Minas

Codema de Juatuba multa a Vale em R$ 50 mi por danos causados no Rio Paraopeba

Lama que desceu da barragem que se rompeu em Brumadinho, na Grande BH, provocou danos na cidade. Moradores relatam prejuízos com produção


postado em 29/01/2019 12:03 / atualizado em 29/01/2019 12:12

Lama de rejeitos passou por Juatuba nesta terça-feira(foto: Edesio Ferreira/EM/D.A.Press)
Lama de rejeitos passou por Juatuba nesta terça-feira (foto: Edesio Ferreira/EM/D.A.Press)

O Conselho Municipal de Desenvolvimento Ambiental (Codema) de Juatuba aplicou multa de R$ 50 milhões a mineradora Vale devido aos danos ambientais causados no rio Paraopeba com o mar de lama que vazaram da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Grande BH. A decisão foi tomada em reunião realizada na manhã desta terça-feira. Os rejeitos de mineração já passaram pelo município. Produtores rurais alegam prejuízos e animais foram encontrados mortos.

A lama de rejeitos continua percorrendo o Rio Paraopeba. Nesta manhã, a poluição já passava de Paraopeba. Técnicos da Agência Nacional das Águas (ANA) estiveram no local onde acompanharam a movimentação. Os funcionários fizeram medições para ver se houve alteração na qualidade da água.

Segundo Heleno Maia, presidente do Codema de Juatuba e representante do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba para acompanhar o desastre de Brumadinho, danos já foram notados em Juatuba. “O dano é irreparável. É um dano que prejudicou os produtores rurais, a rica fauna do Rio Paraopeba, como peixes de até de 50 quilos. Capivaras já foram encontradas mortas. Foi um dano irreversível”, afirmou.

Nesta manhã, foi decidido, em reunião do Codema, aplicar uma multa de R$ 50 milhões a Vale. “Como houve dano ambiental no município de Juatuba, na flora e na fauna, temos o direito de multar. E fizemos a multa do maior valor previsto”, disse Heleno.

De acordo com o representante do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba, dois sobrevoos serão realizados por dia para verificar a movimentação da lama no manancial.

Trajeto da lama

O Boletim de Monitoramento Especial do Rio Paraopeba, elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), prevê que a lama com rejeitos de barragem da Vale alcance, entre 15 e 20 de fevereiro, a Usina Hidrelétrica de Três Marias, na Bacia do Rio São Francisco, Região Central de Minas. A nascente do Paraopeba está localizada no município de Cristiano Otoni, mesorregião metropolitana de Belo Horizonte, e a foz, na represa de Três Marias, no município de Felixlândia.

De acordo com boletim da CPRM, a “água turva” percorre a Rio Paraopeba a uma velocidade de 1km/hora. Hoje à noite, os rejeitos deverão alcançar o município de São José da Varginha e, entre 5 e 10 de fevereiro, a Usina Hidrelétrica de Retiro Baixo, entre os municípios mineiros de Curvelo e Pompéu.

A Vale, mineradora que administrava a barragem que se rompeu em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte, deve iniciar nesta terça-feira medidas para tentar evitar o avanço dos rejeitos de minério ao longo do Rio Paraopeba. “Estamos, a partir de amanhã (terça-feira), colocando uma cortina de contenção no Rio Paraopeba para impedir que o rejeito que se desloca afete a captação de água do município de Pará de Minas. Temos uma expectativa muito grande que isso tenha sucesso”, anunciou o diretor executivo de Finanças e Relações com Investidores da empresa, Luciano Siani, em entrevista coletiva concedida na tarde de segunda-feira.

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