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Estado de Minas

Mineradora anuncia fim de processo de estabilização em cume da Serra do Curral

Vale finaliza fixação de taludes para dar segurança a encosta e investe em aparelhos de umidificação da crista do maciço para evitar incêndios


postado em 17/08/2018 06:00 / atualizado em 17/08/2018 07:56

Os taludes na Cava Oeste e Morro do Patrimônio foram fixados com telas de aço e serviços de geotécnica. Radar na beira do lago emite informações sobre eventuais movimentações (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)
Os taludes na Cava Oeste e Morro do Patrimônio foram fixados com telas de aço e serviços de geotécnica. Radar na beira do lago emite informações sobre eventuais movimentações (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)


Cartão-postal de Belo Horizonte e um dos pontos mais vulneráveis a incêndios durante o período seco, a Serra do Curral ganha dois benefícios – um para daqui a seis meses e outro imediato. Até o fim do ano, serão instalados mais três aspersores na crista do maciço, elevando para 19 o número de equipamentos para lançamento de água na vegetação, perfazendo um total de dois quilômetros. Já a partir de segunda-feira, os já existentes na rede de prevenção do fogo vão operar três vezes por semana, com duração de 30 minutos e não duas, conforme disse ontem o diretor de Planejamento e Desenvolvimento de Ferrosos e Carvão da Vale, Lúcio Cavalli, ao apresentar ações ambientais sobre a mina de Águas Claras, em Nova Lima, na Grande BH. Os novos canhões de água serão instalados na direção do Bairro Belvedere, na Região Centro-Sul da capital e vão custar R$ 355 mil.


Outro resultado apresentado ontem se refere ao término da “complexa” fixação de taludes, com telas de aço e serviços de geotécnica, na Cava Oeste e Morro do Patrimônio, numa extensão de cerca de 150 metros lineares. Há exatos quatro anos, a equipe do Estado de Minas esteve no local na companhia de funcionários da Vale e constatou a degradação da encosta devido à atividade minerária, que começou em 1973 e foi desativada em 2002 – hoje os canais de drenagem podem ser vistos a olho nu na encosta e são monitorados constantemente por técnicos.


Para executar os trabalhos nos últimos quatro anos foram usados cerca de 200 alpinistas industriais, alguns mineiros, tendo em vista a necessidade de utilização de rapel para fixar as telas de aço na rocha, além de helicóptero para o transporte. Na sequência, foi feito um “coquetel de sementes” nativas para revegetar a área. Um radar também pode ser visto à beira do lago (150 metros de profundidade) para emitir, on line, boletins com informações sobre eventuais movimentação na área.

NOVA CARA
Cavalli explicou que os investimentos para recuperação ambiental na Serra do Curral, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), chegam a R$ 655 milhões, com previsão de término em 2022. As ações, com a nova etapa iniciada neste mês, visam à “descaracterização” da unidade minerária, vizinha do maciço e do Parque das Mangabeiras, e que abriga em seu território a Mata do Jambreiro. Essa Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) tem espécies da Mata Atlântica e ocupa 912 dos 2 mil hectares da área da Minas de Águas Claras.


As obras que dão nova cara ao local contemplam a adequação das estruturas de antigas pilhas de estéril, da cava e da barragem de rejeitos, buscando a inserção delas no contexto ambiental do entorno. Também está prevista a remoção da usina, oficinas e outras construções de apoio da antiga mina. Antes de visitar o local, os jornalistas tiveram oportunidade de fazer um “sobrevoo” da região, com óculos 3D, na Sala de Realidade Virtual, no escritório da empresa incrustado na Mata do Jambreiro, sob o comando do gerente de Fechamento da Mina, Alessandro Resende.


Cavalli desfez alguns mitos criados ao longo do tempo e que assustaram os belo-horizontinos. “Não há qualquer chance de rompimento da Serra do Curral e escoamento da água para a Avenida Afonso Pena”. De um lado ao outro, explica, são 500 metros de extensão, o que impossibilita o rompimento. E mais: “Os aspersores instalados, com aval da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, não causam erosão no terreno, já que jogam água na rocha e não na terra”.

Os 19 equipamentos para lançamento de água passam a operar três vezes por semana, já a partir de segunda-feira. Outros três serão instalados(foto: Leandro Couri/EM/DA Press)
Os 19 equipamentos para lançamento de água passam a operar três vezes por semana, já a partir de segunda-feira. Outros três serão instalados (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)


ASPERSORES A ampliação dos aspersores é fruto de Termo de Acordo e Compromisso assinado com o Ministério Público de Minas Gerais no segundo trimestre. Segundo documento da Vale, o acordo prevê investimento total de R$ 2,5 milhões e contempla ainda outras ações, como sinalização, monitoramento, segurança e manutenção da trilha da Serra do Curral, revitalização de estruturas e contratação de serviços de cartografia, plano de manejo e estudos científicos, entre outros.
Além da função preventiva dos aspersores, os técnicos dizem que a empresa mantém canhões móveis de água, que podem ser acoplados em plataformas com acesso a bombas pressurizadas, espalhados na cumeeira. A operação desses equipamentos, quando necessária, é feita por bombeiros industriais.

O lado oculto da serra


Em 15 de maio de 2014, a equipe do Estado de Minas visitou a área de Minas de Águas Claras, em Nova Lima, na Grande BH, e mostrou o lado da Serra do Curral que os moradores da capital e os visitantes nunca veem e que foi degradado por décadas de mineração. Na época, técnicos da Vale informaram sobre o serviço que seria feito, nos anos seguintes, na Cava Oeste e no Morro do Patrimônio, então numa situação bem diferente de agora. Naquele dia, foi informado que entrariam em ação profissionais especializados, os alpinistas industriais, para atuar ao lado dos operários. A obra de recuperação ambiental, com tecnologia suíça, foi feita na área adquirida em 2006 pela empresa, que instalou ali a sede administrativa. A unidade começou a produzir minério de ferro em 1973 e foi operada pela Minerações Brasileiras Reunidas (MBR) até 2002, quando se encerrou o ciclo produtivo. Com o fim das operações e paralisação do bombeamento da água do fundo da cava, a área de lavra começou a ser naturalmente preenchida, formando um lago com aproximadamente 150 metros de profundidade.

 

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