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Estado de Minas

Mais de 500 veículos são rebocados por mês em BH por estacionar em locais proibidos

Segundo a BHTrans, empresa que gerencia o trânsito e os transportes na capital, situações como essas representa, em média, 17 remoções diariamente na capital por desrespeito ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB)


postado em 31/03/2018 06:00 / atualizado em 31/03/2018 07:23

(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A.Press)
(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A.Press)
 

A cada dia em Belo Horizonte, uma fila de veículos infratores troca o estacionamento nas ruas pelo pátio de recolhimento, depois de seus motoristas os deixarem em vagas de cadeirantes, rampas de acesso, portas de garagem, áreas de carga e descarga ou em outros locais proibidos pela legislação. Segundo a BHTrans, empresa que gerencia o trânsito e os transportes na capital, situações como essas representa, em média, 17 remoções diariamente na capital por desrespeito ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB). O que muita gente não sabe é que, depois que o carro é rebocado, aquela “parada rapidinha” de condutores que muitas vezes não medem consequências de sua atitude vai custar diariamente, no mínimo, R$ 188,46 se o veículo em questão for uma moto, e R$ 274,45 caso seja um carro de até 3,5 toneladas. Isso sem contar o valor da multa que motivou a remoção e possíveis débitos que estejam pendentes.


Somente no ano passado foram 6.401 reboques concretizados na capital, ou 553 a cada mês. A equipe de reportagem do Estado de Minas acompanhou o trabalho de remoção em um dia no Bairro Belvedere, Centro-Sul de Belo Horizonte, quando a empresa credenciada pela BHTrans para fazer o serviço retirou veículos na Avenida Luiz Paulo Franco e na Rua Juvenal de Melo Senra. Um deles estava estacionado em um trecho da Luiz Paulo Franco em que é proibido devido ao fluxo intenso de trânsito, que encontra uma barreira diante de carros estacionados, o que leva o tráfego a travar em vários momentos do dia.

Enquanto os trabalhadores colocavam o carro no reboque, uma moradora do bairro reclamou com a equipe composta de policiais militares e agentes da BHTrans de carros parados em lugares proibidos na Rua Juvenal de Melo Senra, paralela à Luiz Paulo Franco. A equipe foi até o local e encontrou um carro, da administração de um condomínio da Grande BH parado em local proibido. Ele também acabou rebocado. Por pouco o condutor de um Fiat Bravo que estava ao lado não teve seu carro levado, porque ele estava estacionado em vaga destinada a cadeirantes. A remoção só não ocorreu por não haver segurança suficiente para que ele fosse retirado sem risco de danos, já que havia um caminhão que dificultava o trabalho.

O aposentado Juarez Soares, de 81 anos, tem costume de andar pela Rua Juvenal tanto a pé quanto de carro, e elogia o trabalho da BHTrans. “Tem gente que estaciona embaixo da placa de proibido. Tem que remover mesmo, porque quando há carros estacionados neste ponto costuma dar muito problema”, afirma. Ainda segundo o aposentado, a presença de uma academia bem ao lado obriga vários motoristas a parar em fila dupla para chegar à garagem do estabelecimento. “Com a fila dupla da academia e os estacionamentos proibidos, trava tudo. A lei foi feita para ser cumprida”, completa Juarez.

Foi justamente na Avenida Luiz Paulo Franco, no Belvedere, que a fisioterapeuta Renata Vieira Massote, de 34, teve seu carro rebocado na segunda-feira. Ela estacionou em local proibido para ir ao banco. “Não reparei que não podia, porque a placa estava distante. Foi falta de atenção minha mesmo, eu fiz errado, mas achei que as taxas são muito caras”, afirma.

Para conseguir retirar o veículo, ela teve que pagar a terceira parcela do IPVA, que estava atrasada desde o dia 15, além do seguro obrigatório e da multa por estacionamento proibido (R$ 130,16). Além disso, pagou R$ 315,18, referentes a duas diárias do pátio (R$ 81,46), remoção do carro (R$ 228,52) e taxa de serviço bancário (R$ 5,20). Se o condutor chegar ao local da infração enquanto o carro ainda estiver sendo rebocado, ele consegue retirar o veículo, desde que as quatro cintas que prendem as rodas ainda não estejam totalmente amarradas. Segundo um agente de campo da BHTrans ouvido pela reportagem, nesse momento aparecem várias desculpas. “Muitos dizem que pagam as multas para o carro não ser levado. Em geral, as pessoas dizem que pararam ali por um tempo curto e acabaram se atrasando”, afirma o agente.

(foto: Arte)
(foto: Arte)


Segundo o supervisor de Operação Logística da BHTrans, Leandro Martins de Morais, para atender a demanda da cidade a empresa conta com seis reboques leves e cinco pesados. Na hora de decidir por dar prioridade a algum local, considera-se primeiro o grau de urgência, conforme as informações passadas pelos agentes de campo. “Temos várias situações que significam prioridade. Pode ser uma garagem de hospital, um ponto de descarga de algum equipamento especial ou um lugar que atrapalha o raio de giro de uma linha de ônibus, por exemplo. O atendimento varia de acordo com a avaliação que é feita no local”, diz Leandro.

Apesar de dar prioridade aos pontos com a presença dos agentes, o supervisor também garante que casos mais graves que são repassados diretamente pela população não ficam sem o reboque. “Como são muitos problemas, não conseguimos estar em todos ao mesmo tempo. Mas assim que um problema é sanado, os acionamentos são direcionados”, acrescenta.

A população pode enviar pedidos de reboque pelo telefone 156 e também pelo Sacweb, disponível no site da Prefeitura de Belo Horizonte. De qualquer forma, Leandro Martins também lembra que o ciclo operacional dos reboques gira em torno de 60 minutos para cada remoção, o que significa que há um tempo necessário entre cada serviço para que o guincho possa chegar a um segundo endereço depois de finalizar o trabalho no primeiro.

 

 

Enquanto isso...

 

...Leilão depois de 60 dias

 

Os carros rebocados por estacionamento irregular em Belo Horizonte são encaminhados para o pátio credenciado, que fica no Bairro Santa Maria, Noroeste de BH, desde dezembro de 2013. Enquanto a média de entrada de veículos é de 530 por mês, com base no número de rebocados em 2017, o supervisor de Operação Logística da BHTrans, Leandro Martins de Morais, diz que em torno de 35 veículos que entram a cada mês permanecem, em média, mais do que 30 dias no pátio. Ele conta que há vários casos em que os donos fazem a retirada depois de um mês, mas a partir de 60 dias a BHTrans já tem condições legais de leiloar os veículos. Desde dezembro de 2013, quando o atual pátio começou a operar, já foram feitos seis leilões, com 1.238 veículos comercializados. O local foi contratado para uma capacidade entre 500 e 1 mil veículos.

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