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Estado de Minas

PBH cria manual para facilitar identificação de árvores com risco de queda

Conselho Municipal do Meio Ambiente estabelece lista de 25 critérios para agilizar decisão sobre a poda ou supressão de espécimes na capital. Após a publicação, 2 mil plantas passarão por check-up imediato


postado em 03/03/2018 06:00 / atualizado em 03/03/2018 07:42

Em um dos frequentes incidentes envolvendo quedas de árvores, carro foi atingido na Rua Timbiras, em 28 de fevereiro(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Em um dos frequentes incidentes envolvendo quedas de árvores, carro foi atingido na Rua Timbiras, em 28 de fevereiro (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)

O empresário José Geraldo Andrade, de 56 anos, passava pela Rua Timbiras na quarta-feira quando uma árvore caiu sobre o carro dele no cruzamento com a Avenida João Pinheiro, na Região Centro-Sul. Ele e outro ocupante sofreram ferimentos leves. Na mesma via, em 2 de outubro de 2017, uma tripla palmeira despencou sobre um táxi e matou o motorista Fábio Teixeira Mageste, de 35. Somente em 2018, a média de queda é de 1,5 árvore por dia, tornando o risco quase que rotina para os moradores. A prefeitura já se movimenta para evitar que mais pessoas se transformem em vítimas do problema. Uma Deliberação Normativa foi aprovada pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente (Comam) estabelecendo 25 critérios para identificação e indicação de necessidade de supressão das árvores. Caso o espécime se enquadre em algum dos requisitos, será suprimido ou podado. A decisão será publicada nos próximos dias no Diário Oficial do Município (DOM). Após isso, serão avaliadas 2 mil plantas na capital mineira, que já têm laudos de saúde elaborados.

A Deliberação Normativa vai facilitar os cortes das árvores que correm o risco de cair. Foram estabelecidos critérios que devem ser analisados para determinar a mitigação. “Toda análise de risco terá que passar por 25 itens, que serão seguidos, e não vão gerar margem de dúvida para essas árvores serem suprimidas. Entre os itens está a presença de larvas, formigas, de parasitas, infestação de ervas-de -passarinho, presença de cavidades diversas, brotação da base do couro, volume e posição dos galhos, presença de moscas-brancas, de besouro metálico e uma série de históricos”, informou o secretário municipal de Meio Ambiente, Mário Werneck.

O secretário explica que, atualmente, há uma certa dificuldade para realizar as supressões. “O técnico concedia o laudo, mas não indicava se tinha que ser mitigada ou suprimida. E muitas das árvores ofereciam um risco. Ficavam dúvidas, então, sobre quem cairia a responsabilidade. Estabelecemos critérios e diretrizes que determinam que a responsabilidade vai ser, agora, da Secretaria de Meio Ambiente”, explicou.

SUBSTITUIÇÃO
Com a publicação da Deliberação Normativa, que deve ocorrer nos próximos dias, já vai ser dado início à análise das árvores. O secretário já indicou que, caso algum espécime entre nos critérios e diretrizes da supressão será retirado imediatamente. “Em primeiro lugar está a vida. Estamos tentando fazer a manutenção do equilíbrio ecológico. O que será cortado são árvores que podem causar danos irreversíveis para a cidade. E sempre que uma árvore for abatida, será plantada outra no lugar. Mas serão colocados espécimes que condizem com a região”, disse o secretário.

A prioridade nas análises será para 2 mil árvores sobre as quais já há laudos de saúde. Um contrato já foi assinado com a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smobi) e a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), o que vai possibilitar o corte das árvores que se enquadrem em qualquer um dos 25 critérios.

 

Em outubro, uma tripla palmeira despencou sobre um táxi e matou o motorista Fábio Mageste, na Região Centro-Sul de BH(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Em outubro, uma tripla palmeira despencou sobre um táxi e matou o motorista Fábio Mageste, na Região Centro-Sul de BH (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

Dados da Secretaria Municipal de Meio Ambiente mostram que medidas urgentes devem ser tomadas. Somente neste ano, foram registradas 96 quedas de árvores em Belo Horizonte, média de 1,5 por dia. Em janeiro, foram feitas 1.689 podas e 382 supressões de espécimes nas nove regionais da capital mineira. Em todo o ano passado, foram 16.445 podas e 3.041 supressões.

O risco de quedas levou a prefeitura a fazer uma força-tarefa para cortar 120 árvores que estavam no caminho dos blocos de carnaval que circularam pela cidade. Um estudo anterior apontou que somente nas regiões Centro-Sul e Pampulha há 1,8 mil árvores condenadas. A operação de poda e supressão que antecedeu a folia ocorreu pelo segundo ano seguido na capital mineira. Em 2016, a medida foi necessária devido à infestação do inseto Euchroma gigantea, conhecido como besouro metálico. Na época, 1,8 mil árvores também corriam o risco de cair. Por isso, algumas foram suprimidas ou podadas e outras monitoradas. Outro problema enfrentado pela administração municipal foi a mosca-branca, que atacou os fícus na capital.


QUEDAS E CORTES


96
Número de árvores que caíram este ano em BH até ontem,  média de 1,5 por dia

1.689

Total de podas em janeiro deste ano

16.445
Número de podas em 2017

382
Supressões em janeiro

3.041

Total de supressões em 2017

* Como era
As vistorias e avaliações de árvores são feitas pelos técnicos da PBH. Quando necessário, são emitidos laudos de podas e supressões e os serviços realizados pela Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura. São priorizadas as podas e supressões de árvores condenadas ou que possam representar riscos de causar danos humanos ou materiais.

* O que vai mudar

A Deliberação Normativa vai estabelecer critérios e diretrizes para a identificação e indicação da necessidade de supressão de árvores de maior risco de queda, localizadas em espaços públicos de Belo Horizonte, e de suas respectivas substituições, sob a responsabilidade da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. São 25 itens que vão amparar legalmente o trabalho de técnicos da PBH.

 

 

MEMÓRIA


(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)

Desafio das infestações

Os problemas de saúde das árvores na Capital são desafios para a Prefeitura de Belo Horizonte há anos. No ano passado, foi detectada infestação pelo besouro gigante metálico em mais de 1,8 mil árvores das espécies mangubas e paineiras. De nome científico Euchroma gigantea, o inseto foi identificado por pesquisadores e técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente em troncos e raízes das árvores, algumas de grande porte, em passeios de todas as regiões da cidade. O besouro metálico em si não provoca danos às árvores, mas suas larvas – de até 12 centímetros – devoram o miolo dos troncos e escavam a estrutura das raízes, abrindo galerias. O ataque tira a firmeza do tronco, que fica vulnerável a ventos e chuva. Devido à infestação, foram suprimidas dezenas de árvores na cidade. Em 2013, Belo Horizonte declarou situação de emergência devido à infestação da mosca-branca-do-fícus (Singhiella sp.) em árvores na capital. O inseto destruiu árvores nas avenidas Bernardo Monteiro (foto), no Bairro Santa Efigênia, Barbacena, no Bairro Santo Agostinho, e nos arredores da Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, no Centro. Para tentar matar as moscas, óleo de nim foi borrifado nas árvores e armadilhas foram montadas.

 

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