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Estado de Minas

Carnaval 2018 deve movimentar R$ 530 milhões em Belo Horizonte

Expectativa para a festa deste ano parte de aumento de 30% da receita apurada em 2017, entre 3,6 milhões de foliões esperados, com investimento de R$ 20 milhões, o dobro do ano passado


postado em 15/01/2018 06:00 / atualizado em 15/01/2018 07:29

Ensaio da bateria de 300 integrantes do bloco Beiço do Wando arrastou foliões ontem no Bairro do Prado (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
Ensaio da bateria de 300 integrantes do bloco Beiço do Wando arrastou foliões ontem no Bairro do Prado (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)

O rei Momo nunca mais será o mesmo depois deste carnaval. A se concretizarem as expectativas dos organizadores oficiais da festa, o chefe da folia vai precisar de mais cetim para a fantasia, ouro na coroa e sorriso ampliado para receber tanta gente e dinheiro circulando. De acordo com a Empresa Municipal de Turismo Belotur, a movimentação financeira no período de programação – 27 a 18 de fevereiro – deverá alcançar cerca de R$ 530 milhões, cifra 30% superior àquela registrada no ano passado, quando a receita proveniente dos gastos dos moradores da capital chegou a R$ 255 milhões e outros R$ 91 milhões foram dispendidos pelos turistas.

A projeção do investimento dos patrocinadores, de R$ 20 milhões, representa o dobro da cifra registrada no ano passado. “Realmente, Momo vai ter que aumentar a fantasia cada vez mais. Estamos a mil por hora”, diz o diretor de Promoção e Eventos da Belotur, Gilberto Castro. Ele enfatiza que o mais importante é promover um carnaval espontâneo, diverso, sem cordas, sem camarote e sem violência. Tanto é assim, que, “em 2017, houve um índice menor de ocorrências em relação ao ano anterior”.

A previsão para 2018 é de que a cidade receba R$ 3,6 milhões de pessoas, dispostas a pular nas ruas ao som de todos os ritmos, o que significa aumento de 20% frente ao público registrado no ano passado. A capital registrou em 2017, segundo a Belotur, 65% de foliões de Minas e 35% do restante do país. “Temos informações de que há grandes hotéis, no Centro, que terão 100% de ocupação, devido às reservas. É expressivo também o aumento no número de festas particulares, com a contratação de artistas do momento. Os restaurantes terão um cardápio específico”, adianta.

O presidente da seção mineira da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Ricardo Rodrigues, aposta num crescimento de 20% de movimento no setor. “Muitos estabelecimentos ficaram fechados no ano passado e os que estavam abertos não deram conta de atender o público. Ficou muita gente de fora. Então, muitos resolveram abrir as portas no período. “ Rodrigues adiantou uma novidade que, certamente, vai aliviar o corpo e o espírito no meio da muvuca. Além de um cardápio elaborado para a época, o Carnaval Gastrô, haverá espaço de um quarteirão na Savassi, ainda não definido, para que os foliões tomem cerveja artesanal e ouçam marchinhas. Será, portanto, um momento de sossego em meio ao pula-pula entre um bloco e outro.

(foto: Arte EM)
(foto: Arte EM)
MAIS PALCOS Os números são superlativos nos investimentos, informa Castro, da Belotur. Desta vez, o investimento é de R$ 20 milhões, o dobro do verificado em 2017, incluindo-se nessa conta o gasto do poder público, os recursos do patrocinador e das fontes que ajudam os blocos de rua. Ele acrescenta que a prefeitura aumentou em 50% a ajuda às escolas de samba, que desfilarão na Avenida Afonso Pena, no Centro, na segunda e terça-feira (12 e 13 de fevereiro). Os blocos caricatos (ver o quadro) também são contemplados, assim como os blocos de rua, que se cadastraram para um edital de apoio, para contratação de segurança, brigadistas, etc.

Resultado da política da descentralização dos eventos, que beneficiam as diversas regiões de BH, está o maior número de palcos. Castro explica que serão sete ao todo: além dos programados para Praça da Estação, Avenida Brasil e Rua Guaicurus, na Região Centro-Sul, haverá no Barreiro, Venda Nova, Norte e Leste/Nordeste e na Avenida Belém. Esse acréscimo faz girar a roda da economia, pois, segundo Castro, implica mais quatro sonorizações, quatro iluminações e outros serviços.

Para ajudar a sanar uma das maiores queixas de quem sai nos blocos – e mais ainda da população, que é obrigada com a conviver com o cheiro de xixi pelas ruas –, a PBH vai instalar 14 mil banheiros químicos nos pontos de desfile e concentração. No ano passado, foram 10 mil. O número de ambulantes não aumenta significativamente e muitos deles estão atuando no pré-carnaval para faturar um pouco mais. Na tarde de sábado, na Savassi, Felipe César da Silva vendeu tiaras para as meninas e chapeuzinho para os rapazes durante o ensaio de um bloco. “Eu me cadastrei na prefeitura. Estou vendendo bem, tomara que o carnaval fique cheio de gente”, disse. 

Comércio entra no ritmo


Quem está à frente dos blocos vê o crescimento da folia e pede mais, certo de ela não tem volta. “Precisa melhorar muito a infraestrutura e também o patrocínio para os blocos. O carnaval movimenta muito dinheiro, mas o grande negócio é a alegria do folião”, acredita Guilherme Lopes, um dos fundadores do bloco Beiço do Wando, que está em seu terceiro carnaval e, no ano passado, arrastou cerca de 40 mil pessoas no Bairro Funcionários, na Região Centro-Sul de BH.

Quanto mais banheiros e lixeiras, melhor”, afirma Catarina Furst, uma das organizadoras do Ziriguidum Stardust, que homenageia o cantor e compositor David Bowie (1947-2016). Com isso concorda a publicitária Meg Freitas, fã número um da farra que mudou a história da festa na capital: “Precisamos de muitos banheiros químicos durante os desfiles, pois moradores e turistas não merecem o cheiro de urina que fica na rua”. Comandando a bateria do Garota eu vou pro Califórnia, o regente Maurílio Rabello, o Badá, elogia a descentralização dos desfiles e explica que encontrou no financiamento coletivo (www.evoecultural.com/garotaeuvouprocalifornia) e venda de camisas a solução para manter a bloco na rua.

A menos de duas semanas da abertura oficial do carnaval em BH, as lojas de fantasias começam a ganhar fluxo de consumidores à procura de fantasias. “Mas ainda está no início”, conta Jensen Prates, gerente da Mega Festas. Na loja instalada na Rua da Bahia, as primas Carolina Prisci, gestora de saúde, e Ana Paula Moreira Braga, enfermeira, escolhiam os trajes para sair nos blocos e experimentavam cocares de penas coloridas. Tirando da bolsa o rocar, instrumento de percussão que toca no Bartucada, Carolina enumerou as fantasias que as duas pretendem usar: unicórnio, borboleta, anjinho e Eva.

Ana Paula e Carolina vasculham o comércio para comprar adereços, fazendo a festa dos lojistas (foto: Marcos Vieira/EM/DA Press)
Ana Paula e Carolina vasculham o comércio para comprar adereços, fazendo a festa dos lojistas (foto: Marcos Vieira/EM/DA Press)


FARRA COMPLETA Centenas de pessoas passaram, na manhã e início da tarde de ontem pelo espaço No Ponto Espetinhos, na Rua Diabase, no Bairro Prado, na Região Oeste, onde o bloco Beiço do Wando, que toca músicas do compositor mineiro Wando (1945-2012), fazia o ensaio da bateria de 300 integrantes. Muita gente jovem e bonita, cerveja gelada e fila na porta para entrar no clima e preparar o astral para a folia. A pedagoga Nathália Mendonça, que toca surdo, lembrou que antes as pessoas viajavam nessa época. Agora, há muitas atrações. “Carnaval é aqui!”, definiu.

Com o sol escaldante da manhã, só mesmo uma praia – nem que fosse no pensamento. Por isso, no Bairro Califórnia II, na Região Noroeste, a bateria do Garota eu vou pro Califórnia chamava os moradores para se molhar na maré da alegria, ao som dos repiques, caixas, surdos e outros instrumentos. “Estamos no segundo ano e vamos desfilar no dia 3, no Califórnia I. Nosso forte é o axé, a música baiana, mas não pode faltar Garota eu vou pra Califórnia, de Lulu Santos”, ressaltou o regente Badá.

Uma família veio do Bairro Serra Verde, na Região de Venda Nova, para saudar a temporada. “Está muito bom”, disse Maria Vitória Gomes, de 16, ao lado da mãe, Ildete Gomes, dos tios Cleonice Gomes, e Wellington Rabello e Marco Antônio Rabello, de 63. As gerações estavam em sintonia: “Temos que resgatar as marchinhas”, destacou Marco Antônio, mestre de obras.

 

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