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Estado de Minas

Peças sacras do século 18 são devolvidas a Guanhães

Imagens dos séculos 18 e 19 voltam à diocese de Guanhães depois de passar por restauro em centro da UFMG, por meio de projeto que prevê ações de preservação em sete cidades


postado em 16/11/2017 06:00 / atualizado em 16/11/2017 07:42

As imagens de Nossa Senhora da Conceição, do século 18, e de São Francisco de Paula, do início do 19, recuperaram o esplendor da arte colonial(foto: Juarez Rodrigues/EM/DA Press)
As imagens de Nossa Senhora da Conceição, do século 18, e de São Francisco de Paula, do início do 19, recuperaram o esplendor da arte colonial (foto: Juarez Rodrigues/EM/DA Press)
Duas joias pertencentes à diocese de Guanhães, na Região Central, retornam a seus altares completamente restauradas e numa situação bem diferente de quando chegaram a Belo Horizonte – comidas pelos cupins, com perda de policromia e camadas de repintura. São elas as imagens de Nossa Senhora da Conceição, do século 18, com 65 centímetros de altura, e a de São Francisco de Paula, do início do 19, com 70cm, agora trazendo à tona todo o esplendor da arte colonial. As peças seguiram viagem pelas mãos do titular de três paróquias de Conceição do Mato Dentro e reitor do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinho, padre João Evangelista dos Santos.

O restauro se tornou possível graças ao Projeto de Preservação Extramuros, fruto da parceria entre o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) e o Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais da Escola de Belas Artes (Cecor/EBA) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com apoio do Ministério Público de Minas Gerais. Depois do restauro, o tesouro ficou temporariamente sob guarda do Memorial da Arquidiocese de Belo Horizonte, no Bairro Santa Tereza, na Região Leste da capital.

O objetivo do projeto, segundo técnicos do Iepha, é restaurar 24 obras de igrejas tombadas pelo estado e devolvê-las às comunidades, além de promover cursos de noções de preservação. Por meio do termo de cooperação celebrado entre as instituições, ficou estabelecido que o Iepha, entre outras atribuições, será o responsável por supervisionar, fiscalizar, analisar e assegurar o acesso do Cecor às peças, inclusive àquelas atualmente sob a guarda do instituto. Na iniciativa, serão beneficiados sete municípios que, além da restauração do acervo, serão orientados sobre ações preventivas de conservação dos bens móveis protegidos.

MARAVILHA Professora do curso de conservação e restauração da EBA/UFMG e integrante do grupo de restauradores do Cecor, Maria Regina Emery Quites encontra na palavra “maravilhosa” a melhor para descrever a imagem de Nossa Senhora da Conceição. “Precisamos destacar a erudição da peça, que tem uma talha ímpar. Há movimentos na cabeça e nas mãos bem diferentes das demais”, diz a especialista.

O trabalho de restauro exigiu técnica e muita dedicação, já que a imagem de Nossa Senhora da Conceição chegou muito degradada a BH, com duas camadas de tinta sobre a original. Depois dessa etapa, foi feita a reintegração da pintura, com a participação de estudantes envolvidos em trabalho de conclusão de curso (TCC). Já a imagem de São Francisco de Paula – “estava muito oca, infestada de cupins”, conforme ressalta a professora Maria Regina –, não tinha uma pintura original, sendo feita a reintegração da camada de tinta existente sobre a madeira.

Satisfeito com o resultado, o padre João Evangelista dos Santos, que recebeu as peças da equipe do Memorial, coordenada por Maria Goretti Gabrich Freire Ramos, lembrou que muitas igrejas componentes da diocese de Guanhães, a exemplo de Conceição do Mato Dentro, têm mais 300 anos de história. Ele lembrou que a região faz parte do Caminho dos Diamantes, trecho da Estrada Real que liga Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, a Paraty (RJ). “Esta parceria com o Iepha e o Cecor é muito importante para a recuperação do acervo”, disse o religioso.


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