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Estado de Minas

UFMG repudia agressão a estudante norte-americano em BH

Estudante de mestrado e amigo foram agredidos no último fim de semana na Avenida Afonso Pena. Eles suspeitam que o crime foi motivado por homofobia


postado em 29/08/2017 11:32 / atualizado em 29/08/2017 11:38

Shane Landry mora no Brasil há dois anos e meio. Ele buscou atendimento na UPA Centro-Sul(foto: Jair Amaral/EM/DA Press)
Shane Landry mora no Brasil há dois anos e meio. Ele buscou atendimento na UPA Centro-Sul (foto: Jair Amaral/EM/DA Press)
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) divulgou notas de repúdio contra o episódio de agressão a um estudante norte-americano de 26 anos e um amigo dele nesse fim de semana na Avenida Afonso Pena, Centro de Belo Horizonte. A suspeita das vítimas é de que o crime foi motivado por homofobia.

Shane Landry mora no Brasil há dois anos e meio faz mestrado em demografia na universidade. Por meio de nota, o reitor Jaime Raírez e a vice-reitora Sandra Almeida declararam: “Condenamos e repudiamos, de forma veemente, qualquer forma de discriminação ou preconceito por orientação sexual ou qualquer ação que fira a dignidade das pessoas e reiteramos nosso compromisso com a erradicação de todas as formas de intolerância e violação dos direitos humanos”.

“Unimo-nos para acolhê-lo e apoiá-lo neste momento de dor. Não podemos nos calar diante de um crime de homofobia”, disseram as professoras Paula Miranda Ribeiro, diretora da Face, Mônica Viegas Andrade, diretora do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional de Minas Gerais (Cedeplar), e Laura Lídia Rodrigues Wong, coordenadora do curso de pós-graduação em demografia.

Elas citam que, no ano passado, uma resolução do Conselho Universitário proibiu qualquer ato discriminatório ou violação dos direitos humanos no âmbito da UFMG. “Lamentavelmente, nossas regras não protegem os membros da nossa comunidade em situações como esta. Enquanto aguardamos, vigilantes, a apuração dos faotos e a punição dos culpados pelas autoridades competentes, continuaremos lutando por uma sociedade justa e tolerante, na qual a diversidade e as diferenças sejam plenamente respeitadas”, finalizam as docentes.

Veja as notas da reitoria e das professoras na íntegra
(foto: UFMG/Divulgação)
(foto: UFMG/Divulgação)

(foto: UFMG/Divulgação)
(foto: UFMG/Divulgação)


Relembre o caso


Shane Landry disse que a agressão ocorreu por volta das 3h30 do último sábado, durou cerca de três minutos e só cessou depois que vários carros começaram a parar diante da cena que ainda deixa os dois estudantes em estado de choque.

 “Estávamos atravessando a Avenida Afonso Pena, no cruzamento com Rua Espírito Santo, quando fomos abordados pelos três ‘monstros’ que nos perguntaram: ‘Vocês estão rindo de que?’. Depois, começaram a nos bater”, conta Shane.

O estudante conta que conseguiu se desvencilhar dos agressores e atravessar a avenida, mas, quando olhou para trás, os três haviam derrubado seu amigo e o estavam atacando com socos e chutes. “Então eu voltei e consegui deter um deles. Mas, em seguida, os três começaram a me bater. Eles só pararam quando viram que muitos carros estavam parando, embora ninguém tenha descido para ajudar”, lamenta Shane.

A vítima conta que, a princípio, achou que a abordagem seria um assalto. “Mas eles não nos levaram nada. Eu estava com celular e eles não pediram. Também não levaram a bolsa do meu amigo, que seria um alvo fácil. Fugiram sem levar nada, no sentido Praça Sete. Então ficou muito claro que nos atacaram por nossa orientação sexual”, explicou.

O jovem lamentou a reação de ódio dos agressores e disse que, além de prestar queixa policial, fez contato com o consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro, pedindo para que contacte autoridades policiais em Minas, para cobrar apuração do caso. “Vou tentar conseguir imagens das câmeras da região. Quero que essas pessoas sejam identificadas e punidas pelo que fizeram. Não sei se elas já fizeram isso outras vezes, mas não quero que isso se repita com outras pessoas”, disse.

Shane afirma que durante todo o tempo que está em Belo Horizonte nunca havia sido vítima de uma ação tão violenta. “Sei que homofobia é algo que pode acontecer em qualquer lugar do mundo. Nos Estados Unidos, na Europa... Mas a sensação que tenho é de que aqui no Brasil as pessoas que praticam esse crime são mais violentas.” (Com informações de Valquíria Lopes)

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