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Estado de Minas

Bombeiros e brigadistas pedem apoio na fiscalização contra incêndios na Serra do Rola-Moça

Bombeiros e brigadistas reforçam atuação no Parque da Serra do Rola-Moça e pedem mais câmeras para inibir casos criminosos, como o que resultou em prisão no domingo


postado em 29/08/2017 06:00 / atualizado em 29/08/2017 07:49

Brigadistas no Parque da Serra do Rola-Moça: grupo cobra conscientização da população sobre prejuízos provocados por incêndios(foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press)
Brigadistas no Parque da Serra do Rola-Moça: grupo cobra conscientização da população sobre prejuízos provocados por incêndios (foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press)
Foco na fiscalização contra incêndios criminosos no Parque da Serra do Rola-Moça, a maior unidade de preservação de área urbana de Minas Gerais, com 4.060 hectares. O Corpo de Bombeiros e brigadistas reforçaram os efetivos e estudam a possibilidade de aumentar o número de câmeras de videomonitoramento tanto para evitar a proliferação de incêndios quanto vigiar a ação de criminosos que ateiam fogo na vegetação.

A nova estratégia começou a dar resultado. No domingo, pela primeira vez, um homem foi detido após ser flagrado incendiando a mata. “A maioria dos incêndios é criminosa, como a do fim de semana”, alertou Michele Gonçalves, geógrafa e coordenadora de prevenção e combate a incêndios da Brigada do Previncêndio, vinculada ao Instituto Estadual de Florestas (IEF).

O reforço na fiscalização ocorreu, sobretudo, com a chegada de 40 alunos do curso de formação do Corpo de Bombeiros. “Eles nos ajudam aos sábados e domingos, das 8h às 18h. O reforço deles é de grande importância”, disse o tenente Warley de Paula. Mas só isso basta. O Corpo de Bombeiros e as brigadas desejam ampliar o número de câmeras de vigilância, das atuais quatro para seis.

“Uma, por exemplo, ficaria na torre de telefonia. Cobriria, em linha reta, três quilômetros. As imagens pegariam a região do Vale do Sol, o Residencial Miguelão e o Topo do Mundo. Ela teria 360 graus. A outra ficaria próxima à linha férrea e pegaria bairros de BH que fazem limite com o parque, como Olhos D’Água, Milionários, Flávio Marques Lisboa... Teríamos mais dois quilômetros de alcance em linha reta”, explicou o subtenente Lopes.

Foi com ajuda de uma câmera que o incendiário de domingo foi detido. “Um vigia motorizado flagrou (por meio de um binóculo) o rapaz em atitude suspeita e avisou à central de videomonitoramento, que acompanhou os passos dele”, recordou Marcus Vinícius de Freitas, gerente do Parque do Rola-Moça. Ele pede maior consciência das pessoas quanto a área de preservação, pois as queimadas deste ano já destruíram uma área maior do que a devastada no acumulado dos 12 meses de 2016.

De janeiro a junho de 2017, 15,27 hectares foram afetados por incêndios. Em todo ano passado, essa extensão foi de 23,67 hectares. Porém, embora o IEF não tenha contabilizado o prejuízo entre julho e agosto deste ano, um incêndio na última quinta-feira consumiu aproximadamente 48 hectares. Com isso, o total da área devastada em 2017 já chega a 63,27 hectares. “Foi necessária uma grande equipe, além de dois helicópteros, para combater as labaredas”, reforçou Marcus Vinícius.

FUMAÇA O trabalho dos bombeiros e brigadistas também foi intenso ontem. Quem esteve nos mirantes do parque avistou diversos focos de fumaça tanto no interior quanto no entorno do Rola-Moça. “Aquele ali é em Ibirité. Há outro próximo a Betim. Mais um atrás daquela serra”, apontou um brigadista.

A equipe de Michele precisou sair às pressas para um terreno de uma mineradora, onde mais um foco surgiu. A bordo de uma caminhonete, Ronaldo da Cruz dos Santos, Marcelo Martins e Moisés Silva Lima conferiram os equipamentos antes de se embrenhar na mata.

“Também é importante um trabalho de educação ambiental, de conscientização das pessoas. Só assim conseguiremos grandes mudanças”, destacou Michele. Ele conta que, há poucos dias, um incêndio teria origem numa brincadeira de crianças. A dupla teria colocado fogo em plástico. As labaredas surgiram e fugiram ao controle dos garotos. Muitos outros incêndios surgem porque pessoas queimam lixo e não conseguem controlar as chamas.

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