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Estado de Minas

Cerca de 9,5 mil detentos de MG fazem Enem para pessoas privadas de liberdade

São 497 adolescentes que prestam o exame, o que representa um quarto dos internos em cumprimento de medidas socioeducativas de 19 centros de internação no país


postado em 13/12/2016 20:13 / atualizado em 13/12/2016 20:59

Enquanto cumprem suas penas, detentos focam no ensino em busca de oportunidades(foto: Seap-MG/Divulgação)
Enquanto cumprem suas penas, detentos focam no ensino em busca de oportunidades (foto: Seap-MG/Divulgação)
Teve início hoje o Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade (Enem PPL) e, somente em Minas Gerais, são 9,5 mil internos de 135 unidades da Secretaria de Estado de Administração Prisional (SEAP), e de 36 centros de Reintegração Social (CRS’s) de Associações (Apac’s) vinculadas à Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (Fbac). Estão inscritos 8.433 candidatos de presídios e penitenciárias da Seap e 1.108 de CRS’s/Apac’s.

Um número positivo no estado é que os jovens cumprindo medida socioeducativa inscritos no exame é o maior do país proporcionalmente ao total de internos. Nesta terça e quarta-feira, são 497 adolescentes em conflito com a lei que participam das provas, o que representa um quarto da população socioeducativa. Os números são do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo exame. São Paulo fica com o segundo lugar, na avaliação proporcional, com 14,8%.

Além da liderança no ranking nacional, Minas também contabilizou um aumento de 46% no número de inscritos, em relação a 2015, quando 340 adolescentes participaram da prova. Comparado a 2014, o aumento ultrapassa os 140%. Os jovens estão distribuídos em 19 centros socioeducativos, de todas as regiões do estado.

Além do acesso ao ensino superior, os resultados do Enem PPL também podem ser usados para que os candidatos recebam o certificado de conclusão do ensino médio. O requisito, nesse caso, é atingir um mínimo de 450 pontos em cada uma das provas objetivas e obter pelo menos 500 pontos na redação.

O adolescente L.A.C fez a prova em 2015 e com a nota conquistou uma vaga no curso de farmácia da Univale, com bolsa de estudo. Ele segue cumprindo medida sócioeducativa, mas a sua condição de privação de liberdade não foi empecilho para que desse início à graduação. Com o apoio da direção da unidade e do Poder Judiciário, ele já é um estudante do ensino superior.

Nesta terça-feira, os participantes fizeram provas de ciências humanas e suas tecnologias e de ciências da natureza e suas tecnologias, com duração total de 4 horas e 30 minutos. Na quarta-feira fazem as provas de linguagens, códigos e suas tecnologias, redação e matemática, com duração total de 5 horas e 30 minutos.

A Penitenciária José Maria Alkimin, em Ribeirão das Neves, na Grande BH, é a unidade prisional com maior número de inscritos no estado: 973 candidatos. A segunda é o Presídio Antônio Dutra Ladeira, no mesmo município, onde 559 detentos vão fazer o exame.

 

(RB)


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