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Estado de Minas

Minas é o grande vencedor do Programa de Bolsas de Pesquisa do Google

24 projetos selecionados em programa que incentiva estudos em universidades na América Latina serão anunciados hoje. Seis são de Minas Gerais


postado em 03/08/2016 00:12 / atualizado em 03/08/2016 08:05

Das salas e laboratórios dos cursos de ciência da computação de instituições de seis países sairão soluções para problemas do cotidiano nos mais diversos campos. Saúde, meio ambiente e até comportamento são alguns dos motes de 24 pesquisas selecionadas para a segunda edição do Programa de Bolsas de Pesquisa Google para a América Latina.

Os vencedores serão anunciados hoje em evento no Centro de Engenharia da empresa na América Latina, localizado em Belo Horizonte. Entre os projetos brasileiros contemplados, Minas Gerais é líder, abocanhando 35% do total das premiações.

Foram 473 inscrições de projetos de pesquisa de 13 países diferentes. Foram selecionados 24, de seis países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Peru e México.

Os projetos passaram pela análise de uma comissão do centro de engenharia, que selecionou 24, sendo 70% deles (17) oriundos do Brasil. Desses, seis estão em desenvolvimento na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em BH, e na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), no Triângulo Mineiro.

Desde 2013, quando o programa-piloto de bolsas foi lançado, o Google já apoiou 11 projetos mineiros. Este ano, entre as instituições com mais projetos aprovados, a UFMG lidera o ranking, com cinco pesquisas, seguida da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com três cada uma.

Na edição de 2016, o Google dobrou o número de projetos premiados e o valor total destinado às bolsas. Os doutorandos recebem US$ 1,2 mil mensais e seus professores US$ 750 mensais pelo período de um ano.

O diretor de engenharia do Google no Brasil, Berthier Ribeiro-Neto, que coordenou a seleção dos projetos, diz que o objetivo maior é mostrar como empresas, a exemplo da Google, têm interesse no desenvolvimento de estudos avançados nas áreas de computação e das engenharias.

Segundo Berthier Ribeiro-Neto, a edição para a América Latina foi pensada para dar oportunidade aos pesquisadores das instituições dessas regiões e evitar competição das universidades internacionais referência nos rankings de educação. “Se dois projetos muito similares são submetidos ao processo de bolsa global, sendo um de uma universidade brasileira e outro de uma norte-americana de grande reputação, a Google vai dar suporte a esta última, por desconhecimento de que também há estudos de mestrado e doutorado de grande envergadura na América Latina”, afirma.

Ele ressalta que a empresa dará a chancela e o recurso financeiro para andamento dos estudos, mas sem interferir nas pesquisas.

O estudante Roberto Souza (C) e os professores Renato Assunção e (E) e Wagner Meira, da equipe que estuda
O estudante Roberto Souza (C) e os professores Renato Assunção e (E) e Wagner Meira, da equipe que estuda "zonas quentes" (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)

ESTUDOS
Professor da ciência da computação da UFMG, Wagner Meira Júnior é orientador da tese de doutorado “mineração de zonas quentes a partir de trajetórias caso-controle”, do aluno Roberto Souza, que estuda um sistema para detectar a ocorrência e prevalência da dengue. A ideia é verificar os locais onde a doença ocorre com mais probabilidade, a partir do dia a dia das pessoas (quem teve e quem não teve contato com o Aedes aegypti) e dos lugares por onde passam (as chamadas trajetórias). Contrastando esses locais, a equipe, que conta ainda com a coorientação do professor Renato Assunção, verificou que os afetados pela dengue estão muito mais presentes do que aqueles que não foram atingidos pela picada do mosquito.

“Quando se trabalha no contexto de epidemiologia, é registrada a casa ou o trabalho do paciente, mas não o parque por onde ele passa todo dia, por exemplo. Quando vemos por onde ele passa, achamos lugares onde ninguém mora: parques, praças, escolas. A epidemiologia olha pessoas que moram na região, mas não necessariamente contraíram naquela região. Nesse sentido a pesquisa é inovadora”.

Na UFU, a bolsa do Google vai ajudar o estudante Adriano Mendonça Rocha a dar sequência à sua tese de doutorado “Geração automatizada de tutoriais a partir de sites de perguntas e respostas”. O trabalho consiste em explorar um determinado site de perguntas e respostas sobre softwares, extraindo e organizando as informações disponíveis em forma de tutorial. “Estamos desenvolvendo uma solução que enumera esse sistema de organizar perguntas e respostas e constrói um tutorial automaticamente”, explica o orientador da tese, o professor de ciência da computação Marcelo de Almeida Maia. O sistema poderá ser estendido também a outros assuntos.

O suporte financeiro foi um alívio para Adriano, que poderá se dedicar integralmente ao doutorado. Mas, para Marcelo Maia, a premiação tem outra vantagem: “O financiamento do Google é fundamental do ponto de vista de visibilidade e divulgação. As pessoas vão olhar o projeto com outros olhos”.

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