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Estado de Minas

Repasse de fita de glicemia para diabéticos é restringido em BH

Secretaria Municipal de Saúde alega que o estoque do material está baixo, devido a falta de repasse pela Secretaria de Estado de Saúde (SES)


postado em 07/07/2016 18:13 / atualizado em 07/07/2016 22:29

Material é usado para medir a glicose dos pacientes(foto: Euler Junior/EM/D.A Press - 28/07/2008)
Material é usado para medir a glicose dos pacientes (foto: Euler Junior/EM/D.A Press - 28/07/2008)

A entrega da fita de glicemia para pacientes com diabetes será restringido em Belo Horizonte. A Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) emitiu nota técnica, a que o Estado de Minas teve acesso nesta quinta-feira, na qual alega que o estoque do material está baixo, devido a falta de repasse pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). Com isso, terão direito apenas crianças até 11 anos e 11 meses de idade, gestantes e os pacientes em terapia renal substitutiva, ou seja, que fazem hemodiálise ou diálise peritoneal. Especialistas alertam que a situação pode causar complicações da doença.

As fitas de glicemia são usadas por pacientes diabéticos para medir a glicose. Com o resultado, a pessoa sabe a quantidade exata de insulina que deve ser aplicada. Sem o uso do produto, os riscos aumentam. “Se colocar mais insulina, a pessoa pode ter hipoglicemia e até entrar em coma. Se não mede, acaba não aplicando, porque não tem como medir. Essa situação eleva as complicações da doença”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia em Minas, Márcio Lauria.

Nessa quarta-feira, a Secretaria Municipal de Saúde emitiu nota técnica admitindo que está com baixa no estoque da fita de glicemia e indicando a restrição de uso aos pacientes. “Diante da informação de que a SES-MG não fornecerá fitas de glicemia para o segundo semestre de 2016, e por nos encontrarmos com o estoque insuficiente para o fornecimento até o final deste ano a todos os usuários insulinodependentes cadastrados, após discussão entre os gestores envolvidos optamos por alterar temporariamente os critérios de regulação para dispensação das fitas remanescentes em estoque”, diz no documento.

Na nota, a Secretaria informa que a nova norma já está valendo. Com isso, orienta que os “demais usuários desses insumos poderão recorrer às Unidades de Saúde para a realização da glicemia, quando necessário”. “Esclarecemos que esta situação é temporária, e que a SMSA está se esforçando para regularizar o estoque e retomar o fornecimento, por meio de articulação com a SES e/ou processo direto de compra. Tão logo os estoques dos insumos estejam regularizados, voltaremos a fornecê-los de acordo com os nossos protocolos”, completa a pasta.

A falta de repasse não causa apenas mal para a saúde dos pacientes, mas também para o bolso deles. “Toda vez que a pessoa usa o material, ele tem que ser descartado. Cada fita custa em torno de R$ 2 e os pacientes têm que usar de seis a oito vezes ao dia. Então, o custo fica muito alto. Eles dependem do repasse da secretaria”, comenta Márcio Lauria.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que na primeira programação de medicamentos básicos de 2016, Belo Horizonte solicitou 3.406.400 unidades de tiras reagentes, totalizando R$ 1.226.304, “o que correspondeu a todo o valor investido em tiras reagentes para o município no ano de 2016, sendo atendido pela SES-MG em 100% do quantitativo solicitado”. “Diante do exposto, ressaltamos que a SES-MG atendeu a todos os municípios mineiros no quantitativo solicitado de tiras reagentes, em conformidade com a legislação vigente”, completou.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) informou que o recurso repassado em março possibilitou a aquisição de 3.406.400 tiras de glicemia, quantidade insuficiente para atender a demanda anual da Rede SUS-BH. O consumo médio mensal na capital mineira é de aproximadamente 1 milhão de fitas. A pasta informou que o material foi entregue em abril e disponibilizados durante março, abril, maio e junho.

 

(RG)

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