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Estado de Minas

Produtores já estão prontos para relançar geleia de pimenta de Bento Rodrigues

Retomada do negócio depende apenas de laudo da Vigilância Sanitária e expectativa é de que ela ocorra na terça-feira, em espaço alugado pela Samarco


postado em 02/03/2016 17:28 / atualizado em 02/03/2016 17:58


Depois de quatro meses do desastre na Barragem do Fundão, está prevista para a próxima terça-feira a retomada da fabricação da geleia de laranja e limão, apimentada com o inconfundível sabor da biquinho, produzida pelos antigos moradores do distrito de Bento Rodrigues, totalmente soterrado pela catástrofe de 5 de novembro. “Só está faltando o laudo da Vigilância Sanitária para a gente recomeçar a vida no espaço alugado pela (mineradora) Samarco em Mariana”, afirmou Keila Vardeli Fialho Santos, presidente da Associação de Hortifrutigranjeiros de Bento Rodrigues, que será mantida com o mesmo nome: “É a nossa identidade. Não faz sentido mudar o nome depois de tanto tempo”.

Keila passou a tarde de hoje reunida com as sete mulheres e três homens que compõem a entidade desde a sua fundação, em 2002, acertando detalhes sobre as novas condições de trabalho. Parte da matéria-prima usada na produção da geleia, que leva a marca Bikinho, foi recuperada, à exceção dos pés de pimenta que eram plantados nos quintais dos associados e foram levados pela lama. “Se tudo der certo, na terça-feira a gente já começa a produzir para atender às encomendas de antes da tragédia e também às novas. Temos pedidos até de Belo Horizonte”, explica a presidente. Nas andanças entre os destroços de Bento, à época, Keila fez uma descoberta surpreendente.

Como por milagre, o prédio da associação havia restado de pé, intacto, na parte alta do antigo povoado. Calcula-se que, dentro da sede, havia 800 quilos de pimenta de biquinho, o suficiente para fabricar 3.000 caixas, cada uma com 24 potes de geleia. Ela também resgatou 200 potes vazios e rótulos, lembrando que a entidade tinha acabado de receber um prêmio do Banco Santander e da universidade Unisol, entre 3 mil concorrentes no país.


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