
Um ano e alguns meses mais velho que a capital mineira, o Parque Municipal Américo Renné Gianneti completou 118 anos ontem carregando consigo o título de um dos espaços urbanos mais tradicionais da cidade. Projetado pelo arquiteto e paisagista francês Paul Villon para ser o maior e mais belo parque da América Latina, o Parque Municipal também é o patrimônio ambiental mais antigo de Belo Horizonte. Para comemorar a data, a Fundação de Parques Municipais (FPM), em parceria com a Fundação Zoobotânica (FZB), oferece, desde ontem, extensa programação gratuita, incluindo atividades ecológicas, oficinas, apresentações teatrais, exposições fotográficas e tendas de serviços.
O servidor público Jadir Ferreira é frequentador do parque há 12 anos, mas ontem foi até lá com o intuito especial de fazer parte da comemoração dos 118 anos do local. Na oficina de reutilização de materiais naturais, o servidor público confeccionou peças com troncos, galhos e pinheiros secos coletados nos bosques do espaço. “O Parque Municipal é indescritível, não tem preço! Venho aqui sempre que posso para ver as pessoas e a natureza”, conta. Na oficina realizada na Praça da Administração também foram distribuídas sementes e mudas para o público. “O aniversário é do parque, mas achamos importante presentear os frequentadores, com o objetivo de incentivar o plantio e o cuidado com a natureza”, disse Joana Aparecida, componente da equipe de educação ambiental do parque, e que orientava os presenteados em relação ao cultivo e cuidado dos grãos.
Além de sua relevância histórica, o Parque Municipal abriga trabalhadores cujas memórias se confundem com as do espaço e que o consideram a extensão de suas próprias casas. Márcia de Fátima Barbosa hoje vende pipocas em frente à roda-gigante, mas começou nos anos 1960, quando “o parque não tinha piso e os brinquedos eram manuais. Passei toda a minha infância na bilheteria do parque. Para mim, ser uma criança e trabalhar nunca foi problema. Brincava, largava a bilheteria para me divertir nos brinquedos, era uma criança muito feliz. Costumo dizer que o parque foi minha escola e faculdade”, diz.
Hoje, Márcia já é avó e se orgulha em dizer que pagou os estudos da filha psicopedagoga e contribui financeiramente para a criação dos netos com a renda de seu trabalho como pipoqueira. “Estou aqui de terça a domingo, muito feliz. O parque pode ser o pulmão da cidade, mas para mim é muito mais. Aqui é minha casa”, orgulha-se.
Entre os clássicos profissionais que todos os fins de semana batem ponto no Américo Gianetti também está João Rafael Antunes, que, em 1947, herdou do pai, Zacarias, a tarefa de gerenciar o famoso passeio de burrinhos e cavalos. Experiente em puxar os animais desde os 5 anos, João Rafael hoje conta com 10 jumentos e três cavalos ativos, todos eles devidamente batizados. “Temos também um burrinho aposentado, de 40 anos, que fica louco querendo vir para o parque quando preparamos o transporte, mas ele não aguenta mais”, conta. José salienta, inclusive, que os animais adoram ir ao parque passear com as crianças e sentem falta quando não vão. “Antigamente, o pasto dos animais ficava no Bairro São Bento. Quando o parque fechou para reforma, em 1992, os burrinhos fugiam de lá e era comum encontrá-los aqui na Av. Afonso Pena, em frente aos portões fechados do parque”, diverte-se.
João Rafael confessa que um dos seus maiores prazeres é ver o sorriso das crianças ao dar uma volta em um de seus animais, mas emenda que o movimento não é o mesmo de outrora. “O parque, antigamente, tinha muito mais movimento. Hoje, as pessoas vão mais para shoppings, clubes. Antigamente, o público fazia fila para o passeio de burrinho, hoje, não mais, somente aos domingos. Mesmo assim, a satisfação ainda é enorme ao ver o sorriso de uma criança conduzindo o animal pela primeira vez. Por isso nunca vou parar”, emociona-se.
Com 180 mil metros quadrados (m²) e arquitetura inspirada nos parques franceses da belle époque, o projeto original do Parque Municipal previa um cassino, um restaurante e um observatório meteorológico, mas nada disso foi construído. A arborização foi introduzida por meio de transplantio de grandes árvores trazidas de diversos pontos da cidade e por meio do plantio de mudas. Hoje, são árvores centenárias, espécies nativas e exóticas que formam uma flora variada, além de atrações como orquidário, bosques, trilhas ecológicas e lagoas com barquinhos a remo e o tradicional pedalinho. Também estão entre as atrações monumentos, teatro de arena, o Teatro Francisco Nunes, quadra de tênis, pistas de patinação, ciclovia para crianças, pista de cooper e caminhada, brinquedos e eventos ao ar livre.
IRMÃO MAIS NOVO O Parque Serra do Curral também faz aniversário este fim de semana. Para festejar, a Fundação de Parques Municipais (FPM) e a Sociedade Mineira de Medicina do Exército do Esporte promovem hoje evento durante o dia todo. Inspirado pelo Dia Internacional sem Carro, será realizado o “Mobilidade Urbana Ativa: Recicle sua vida”, a partir das 9h. As atividades propostas são passeio ciclístico, oficinas e palestras com o tema de segurança no tráfego e responsabilidade urbana e um lanche coletivo para encerrar as atividades.
Fundado em 2012 e localizado na Av. José do Patrocínio Pontes, no Bairro Mangabeiras, o parque serve como proteção da Serra do Curral. Sua grande riqueza natural e paisagística tem atraído e encantado cada vez mais os belo-horizontinos e estrangeiros, que buscam o local para piqueniques, confraternizações e prática de atividades físicas, como as trilhas guiadas oferecidas, chamadas “Travessias da Serra”.
SERVIÇO
Mobilidade Urbana Ativa: Recicle a sua vida – hoje, no Parque Serra do Curral
9h – Concentração dos ciclistas
9h45 – Saída para o pedal (circuito a ser definido pelas meninas,
do Pedal de Salto Alto – homens também são permitidos)
10h às 11h – Aula de ioga da primavera
11h – Retorno do pedal
11h às 13h – Confraternização, lanches, troca de experiências, oficinas e palestras
do Nado
Para o Parque Lagoa do Nado, setembro também foi motivo de muita festa. A área verde localizada no Bairro Itapoã, na Região da Pampulha, comemorou 21 anos no último dia 22 e reservou programação especial para todo o mês. Do dia 20 até hoje, o parque recebeu apresentações musicais da banda do Exército, exposição de carros, atividades ambientais no Dia da Árvore e diversas solenidades e plantio de árvores em homenagem ao poeta Paulinho Andrade, na data exata de seu aniversário. Hoje, às 10h, o espaço recebe o projeto “É do mato... eu não mato”, com apresentações sobre animais peçonhentos.
