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Estado de Minas

Saiba como foi a última viagem do ônibus turístico de Belo Horizonte

Linha que passava por museus e pontos turísticos da capital foi extinta por causa da demanda reduzida


postado em 23/02/2015 06:00 / atualizado em 23/02/2015 07:50

"Nem no carnaval o número de pessoas que usam o serviço aumentou" - Douglas Barreto, motorista (foto: Marcus Celestino/EM/DA Press)

“Você me desculpe por qualquer coisa. Gosto muito de conversar, acho até que converso enquanto durmo”, brinca o motorista Douglas Barreto, de 28 anos. Para ele, que adora falar, dirigir o ônibus da linha ST01 era um martírio. Era, porque, dado o fracasso do serviço de transporte voltado especificamente para o circuito turístico na Região Centro-Sul, a BHTrans resolveu desativá-lo. “Hoje, por exemplo, fiz seis viagens e só peguei cinco passageiros”, conta Barreto. “Por isso é que o meu fiel companheiro é o meu radinho. Escuto uma música e está tudo bem”, completa o motorista.

A reportagem embarcou na última viagem do coletivo – e para conseguir entrar no veículo teve de esperar exatos 21 minutos até o Mercedes prateado se aproximar do ponto da Praça da Liberdade. O ônibus que fez o circuito turístico ontem originalmente integra outra linha, mas substituiu um veículo que precisava de reparos. Ao embarcar, o esperado: não havia passageiros, apenas Douglas. O rádio do condutor estava ligado e o áudio misturava-se com a robótica voz de mulher que vinha dos alto-falantes do coletivo e indicava as paradas. Além disso, duas telas de tevê passavam repetidas notícias sobre subcelebridades (e vez ou outra algo sobre Minas). O ar-condicionado deixava o espaço aprazível, mas nada de banheiro ou água.

Educadamente, para conversar com a reportagem, o motorista desligou o aparelho. Comentou que quando passageiros estão no ônibus, prefere deixá-lo desligado ou bem baixinho. Contudo, o rádio, de fato, foi o grande companheiro do condutor. “Nem no carnaval o número de pessoas que usam o serviço aumentou. No meu melhor dia, em seis viagens foram 24 passageiros”, lembra. Apesar das viagens solitárias, Douglas provavelmente será a pessoa a sentir mais falta do ST01. “Principalmente dos passageiros civilizados e da tranquilidade do trânsito.”

Outros que ficarão com saudades da linha serão os usuários do serviço de wi-fi disponível para os passageiros. “Além do pessoal que usa (o ST01) para ir ao Mirante dos Mangabeiras, muitos pagavam só para utilizar a internet”, diz Douglas Apesar da conexão não ser muito veloz, era possível, segundo o motorista, conversar via “zap-zap” sem problemas.

Quase no destino final, a Praça da Estação, Douglas apontou um dos problemas que, na avaliação dele, levaram à extinção da linha. “Uma passageira comentou que esse ônibus não foi muito divulgado”. Depois de 55 minutos de trajeto, a viagem chegou ao fim. Se o ST01 voltar um dia, que seja mais bem aproveitado.

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