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Estado de Minas

Morre jornalista Benjamin Abaliac


postado em 30/05/2014 00:12 / atualizado em 30/05/2014 09:17

Benja com crianças do projeto Repórter Guri, na redação do EM (foto: Beto Magalhães/EM DA Press)
Benja com crianças do projeto Repórter Guri, na redação do EM (foto: Beto Magalhães/EM DA Press)
Benja, era assim para todos nós. Organizado, meticuloso. Findo o trabalho, arrumava a mesa, botava a tampa na caneta e se despedia: “Vou dar uma chegada no trabalho e amanhã volto para casa”. Era a forma de dizer do gosto, e muito gosto, pelo que fazia. Chegou à redação em meados dos anos 1980 para se dedicar a uma especialidade na cobertura esportiva: futebol internacional. Foi repórter e subeditor. Anos a fio assinou na coluna Toque de Primeira primorosas dissertações sobre as novidades dos gramados mundo afora. Tinha tanto jeito para discorrer sobre os rumos da bola como tinha para correr atrás dela, como zagueiro das peladas de jornalistas. Jeito para manipular botões com uma paleta, para ostentar
o título de campeão brasileiro de futebol de mesa e outras conquistas com o Grêmio Mineiro, clube que fundou e do qual tinha mais orgulho que do Fluminense, o tricolor carioca. Homem de redação, jamais encerrava o expediente com uma dúvida. Se a memória não os ocorresse de imediato, encarregava os olhos azuis de vasculhar os alfarrábios organizados nas prateleiras do armário. Do móvel, tirava também o vidro cheio de balas de goma, que deixava aberto sobre a mesa, democraticamente convidativo.

Sincero, cortês, solidário, solícito, o que Benja mais fez na vida foi amigos. Tem infindável coleção deles, desde os tempos de escola e da aventura como sócio do Chorare, boteco de nome inspirado em música de Luiz Galvão e Morais Moreira, gravada pelos Novos Baianos. Em mesas daquele badalado reduto, a turma desconfiou de que o rumo dele era mesmo outro: o do burburinho da cozinha de texto sede notícias de um jornal. Na redação do Estado de Minas, ajudou a formar gerações de repórteres. A paciência facilitava- lhe a tarefa de mostrar ao iniciante as incorreções no texto ou na informação.

E o fazia com a seriedade e didática de mestre. Da mesma forma como conversava com as curiosas crianças das caravanas escolares que visitam o jornal. Benja nasceu no Rio de Janeiro. Passou parte da infância na calorenta Nanuque, no Nordeste mineiro. De volta à capital fluminense, enveredou no estudo de engenharia civil. Os pais se mudaram novamente para Minas. Estabeleceram-se em BH. Não conseguiu transferência de curso e, influenciado por um amigo, fez jornalismo na UFMG. Formou-se em 1974 e iniciou a carreira escrevendo para revistas de circulação nacional. Uma das reportagens foi sobre futebol de mesa. E assim nasceu o encanto. Trabalhou na assessoria de imprensa da Secretaria de Agricultura de Minas Gerais. E veio o Chorare. Dez anos de balcão e clientela muito especial até receber convite para reforçar e honrar por 25 anos a Editoria de Esportes do EM. Um mal avassalador atravessou-lhe o caminho e o levou. O corpo, velado no Cemitério Israelita, Rua Izabel Bueno, 1.382, no Bairro Jaraguá, será sepultado hoje às 15h.


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