
A manifestação reuniu gente de todas as idades e teve faixas com forte apelo: “Socorro. Estou caindo. O que você pode fazer para me ajudar?” e “Um país que levanta estádios de futebol não pode levantar um templo de Deus?” Participando do ato em volta da igreja, a funcionária pública municipal Vanessa Machado Saturnino Souza lembrou que todos estão unidos, prefeitura, paróquia e moradores, para sensibilizar o governo e exigir recursos para restauro do monumento tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha).
Em agosto de 2012, o Estado de Minas publicou uma matéria sobre o escoramento da matriz, o que representava um grande avanço e sinal de esperança para os católicos. A medida foi fruto de um termo de ajustamento de conduta (TAC) firmado pelo MPMG, com o Iepha, a prefeitura e a paróquia. Na época, a comunidade comemorou as obras emergenciais custeadas pela prefeitura, conforme determinações técnicas do Iepha. “Desde então, nada mais foi feito, a não ser a licitação. Por isso, Jequitibá está mobilizada”, disse o padre, que atua também como secretário-executivo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),
O Iepha, via assessoria de comunicação, informa que contratou o projeto de restauração civil e elementos artísticos, estando prevista a conclusão no próximo mês. Com o projeto finalizado, o órgão vai captar recursos para o restauro, “o que poderá ser feito também pela prefeitura local e paróquia”, afirma a equipe, em nota. Enquanto a igreja não reabre as portas, os fiéis participam dos ritos no salão paroquial e numa capela menor.
A Matriz de Jequitibá é um marco no estado e, segundo estudiosos, trata-se de um símbolo da região, patrimônio da cidade e ponto importante da história mineira. No interior da igreja há desníveis que foram devoradas pelos insetos, trincas e outros problemas. Embora sem elementos artísticos ricos, o estilo muito particular das talhas e um altar da sacristia, que pertenceu a uma capela que havia no cemitério, merecem destaque.
Sesmaria
A construção teria sido erguida por Pulquéria Maria Marques, que se estabeleceu na região depois de receber uma sesmaria dos reis de Portugal. Junto com o padre João Marques Guimarães, ela iniciou a construção da igreja, que é tombada pelo Iepha desde 1979. Entre as imagens, está um São José de Botas, atribuído a Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1738-1814).
A história da preservação do templo começou com o roubo da pia batismal. Em 2011, a Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC/MPMG) conseguiu recuperar a peça sacra, mas, quando as autoridades do patrimônio viram o estado de degradação da matriz, acharam melhor devolvê-la somente quando a igreja estivesse segura e em condições de recebê-la.
