
Para a relações-públicas Maiara Wenceslau, de 24 anos, coordenadora do “Multiplicação: instituições em movimento pela cultura”, as exigências feitas pela Petrobras durante a execução do projeto levam a um constante aperfeiçoamento dos profissionais envolvidos e da metodologia empregada. Enquanto as atividades não começam, a equipe está em busca de novos parceiros e de melhorias para as atividades. "O fato de termos uma grande empresa patrocinando o projeto confere credibilidade", diz Maiara, da Sociedade Amigos do Petrovale, organização não governamental (ONG) que atua em Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), desde 2000 com aulas de tae kwon do, telecentro e cineclube.
Tradicional patrocinadora de projetos socioambientais e culturais, a Petrobras cada vez mais investe no modelo de seleção pública, em que a partir de um edital seleciona seus beneficiados. Segundo Alexandre Tadeu Schuh, gerente setorial de Relacionamento Comunitário para Norte, Centro-Oeste e Minas Gerais, a ideia do programa Integração Petrobras Comunidade é complementar a seleção pública nacional, atuando assim, de maneira mais regional, nos municípios que sofrem algum impacto da atividade da empresa. “O mais importante é que não viramos as costas depois de assinado o contrato de patrocínio. Acompanhamos a execução para que as metas sejam atendidas.”
O projeto Multiplicação, por exemplo, vai promover atividades educacionais, culturais e psicológicas para crianças e adolescentes
de sete escolas da região da Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim e Ibirité. A proposta é fazer uma intervenção para melhorar o desenvolvimento escolar dos jovens. "Na execução de outras ações da ONG, percebemos que a falta de acesso a atividades e pontos de lazer, cultura e educação interfere no convívio familiar, deixando os moradores e, principalmente as crianças e adolescentes, vulneráveis à ação do crime e do tráfico. Assim, todas as atividades propostas visam ampliar o acesso à educação", explica Schuh.
Ganham não só os alunos, mas toda a comunidade. Várias ações do projeto são abertas, como os encontros com discussões temáticas e as palestras que visam incentivar familiares, lideranças comunitárias e demais moradores a ampliarem suas participações em atividades da sociedade civil organizada. "Acreditamos que a participação em atividades do projeto é uma oportunidade de expressão para essas pessoas. Elas poderão construir ideias coletivamente, contribuindo para tomada de decisões e de se conscientizarem sobre sua importância para o desenvolvimento de sua comunidade", afirma.
FOCO NO EMPRESARIAL
O projeto “Formação: de mãos dadas com a educação” é voltado para a qualificação e aperfeiçoamento profissional, inclusão social e tecnológica, apoio ao empreendedorismo e fortalecimento empresarial. Proposto pela Associação Municipal de Educação Inclusão Social Digital e Tecnológica (AME), entidade sem fins lucrativos com atuação em Brumadinho, na RMBH, o projeto é direcionado a jovens de 16 a 29 anos em situação de vulnerabilidade social. Segundo a pedagoga Ana Maria Prado Antunes, coordenadora do projeto, o objetivo é diminuir a taxa de desemprego, já que apesar da oferta o município não dispõe de mão de obra qualificada.
“Para diminuir o índice de criminalidade é primordial o investimento na melhoria das condições de dignidade humana, só garantida no processo de produção. O sujeito precisa se sentir produtivo para melhorar a autoestima, o que não é garantido em políticas assistencialistas. Acreditamos que melhorando o índice de formação para o trabalho elevamos a qualidade da mão de obra e, consequentemente, uma melhor chance de empregabilidade”, defende. Estão previstos 14 cursos, entre eles liderança e coaching, gestão da qualidade e visão estratégica e uso eficiente de energia em comércio lojista.
Valorização das habilidades de cada indivíduo
Não é a primeira vez que a Pró-Viver recebe ajuda da Petrobras, mas destsa vez parece especial. Com 12 anos de atuação, a ONG de Betim, na Grande BH, já beneficiou mais de 2 mil crianças e adolescentes com atividades de dança, teatro, música, audiovisual, informática, esporte e artesanato durante sua história. Antes da seleção pública que incluiu a instituição na lista de contemplados pelo Integração Petrobras Comunidade, a ONG conseguiu construir o Centro Esportivo Madre Tereza de Calcutá, com um ginásio poliesportivo e duas piscinas: uma semiolímpica e outra hidroterápica. Ele será inaugurado agora, justamente com o projeto aprovado no edital.
E será nas piscinas que a garotada vai nadar de braçada com a ajuda da Petrobras. O projeto “Natação para viver”, que inaugura o ginásio, quer promover o desenvolvimento de crianças e adolescentes por meio do esporte aquático, garantindo um espaço de desenvolvimento e fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários como medida de superação da vulnerabilidade e dos riscos sociais. Segundo a coordenadora Eloiza Pereira de Melo, 60 alunos na faixa etária entre 9 e 18 anos poderão participar da atividade, duas vezes por semana, com uma hora de duração. Para os familiares serão oferecidas aulas de hidroginástica. “Vamos dar a oportunidade de eles terem, de forma gratuita, uma modalidade esportiva de difícil acesso às famílias de baixa renda, garantindo um espaço de socialização entre crianças, adolescentes e seus familiares”, comenta.
