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Estado de Minas

Pará de Minas vive estado de calamidade pública por causa da falta de água

Concessionária do serviço, Copasa afirma que prefeitura não renovou contrato


postado em 01/10/2013 06:00 / atualizado em 01/10/2013 06:44

Terezinha Ferreira da Silva, de 60 anos, procura gastar o mínimo possível de água durante o racionamento...(foto: Simone Lima/EM/D.A Press)
Terezinha Ferreira da Silva, de 60 anos, procura gastar o mínimo possível de água durante o racionamento... (foto: Simone Lima/EM/D.A Press)

 

Água está quase valendo ouro em Pará de Minas, no Centro-Oeste do estado. A população está sendo obrigada a racionar o produto há quase um mês, por causa da suspensão do abastecimento a cada 24 horas. A falta do serviço tornou a vida dos moradores “insustentável”, segundo o prefeito Antônio Júlio (PMDB), que decretou estado de calamidade na sexta-feira. Segundo a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), o problema é o nível dos mananciais, que está muito abaixo do normal, devido à seca que atinge a região há quase dois anos.

O ideal para a cidade, que tem aproximadamente 85 mil habitantes, seria uma vazão de 240 litros por segundo para ficar abastecida, mas o serviço já chegou a 75 litros por segundo no fim de semana. “Nos 30 anos que a Copasa está em Pará de Minas, nada foi feito. Não houve melhorias, e o contrato com a empresa deveria ter sido renovado em 2009, o que não ocorreu. Isso tudo nos levou a esse grave problema que estamos enfrentando”, diz. Ainda de acordo com o prefeito, as providências estão sendo tomadas e, com o estado de calamidade decretado, as soluções devem aparecer o quanto antes. “Com isso, extingui-se qualquer necessidade de se abrir uma licitação para iniciar obras. As burocracias deixam de existir e fica mais fácil planejar ações que visem acabar com o problema”, explica.

O gerente do distrito de Contagem da Copasa, que atende Pará de Minas, José Antônio Ribeiro Portella, afirma que a empresa não pode ser responsabilizada pelo racionamento na cidade. Ele explica que, desde 2009, a Copasa tem procurado renovar o contrato com o município, mas a administração não aceitou nenhuma proposta. “Ficamos nesse impasse muito tempo. Seria necessário um investimento de R$ 100 milhões para sanar o problema. Como a empresa iria investir esse valor em uma cidade que não renovou o contrato? Com esse investimento, conseguiríamos garantir um abastecimento para Pará de Minas pelos próximos 100 anos”, garantiu.

 

AÇÕES

Para tentar amenizar a situação, a Copasa apresentou para o Poder Público 16 ações imediatas, como a construção de poços para reforçar o sistema de abastecimento. Dos 16 já furados, apenas em seis foi encontrado água. De acordo com o responsável pela Copasa em Pará de Minas, José Gomes Ferreira, outros quatro poços devem ser furados. “Pará de Minas fica em uma região que, pela própria geografia, sofre com a falta de água. Atualmente, estamos buscando água nas cidades de Igaratinga, Florestal e Juatuba. A chuva no domingo ajudou a melhorar a situação, mas o problema ainda existe e é grave”, disse.

Enquanto o serviço de abastecimento não é restabelecido na cidade, moradores têm que buscar soluções alternativas para enfrentar a crise. Na casa de Zenita Maria Jacinto, de 66 anos, o jeito foi encher os baldes. “Não tem nem como tomar um banho direito. Tem que reaproveitar. A água que eu lavo roupa, que normalmente ia para o ralo, serve agora para lavar o chão. Mesmo com a situação como está, no mês passado pagamos mais de R$ 100 na conta de água”, contou.

A dona de casa Terezinha Ferreira da Silva, de 60, também reclama. Ela afirma que, se não fosse a caixa-d’água, que garante uma reserva mínima para os dias de seca, o problema seria ainda maior. “Já fiquei três dias sem água. Tenho a caixa, mas não dura tanto. Para prevenir, o jeito é encher o balde. Aqui em Pará de Minas a gente vive assim agora. Prevenindo para poder tomar um banho no final do dia”, ressaltou. Segundo a assessoria do governo de Minas, “a Defesa Civil de Minas Gerais ainda não foi notificada pela prefeitura sobre decreto de situação de emergência, mas está pronta para atuar caso seja necessário”.

 

"Pará de Minas fica em uma região que, pela própria geografia, sofre com a falta de água. Atualmente, estamos buscando água nas cidades de Igaratinga, Florestal e Juatuba" - José Gomes Ferreira, responsável pela Copasa em Pará de Minas (foto: Simone Lima/EM/D.A Press)
 


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