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Estado de Minas PERIGO PERTO DE CASA

Moradores lembram momentos de medo durante incêndio na Serra do Curral

Fogo destruiu oito hectares de vegetação


postado em 02/08/2013 06:00 / atualizado em 02/08/2013 06:59

Vegetação destruída: bombeiros apuram se fogos de artifício provocaram incêndio. (foto: Marcelo Sant'anna/esp. em/d.a press)
Vegetação destruída: bombeiros apuram se fogos de artifício provocaram incêndio. (foto: Marcelo Sant'anna/esp. em/d.a press)

 

Moradores do Bairro Comiteco, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, passaram a manhã limpando casas e ruas depois que um incêndio de grande proporção na área de preservação da Serra do Curral devastou oito hectares de vegetação, o equivalente a 11 campos de futebol. As chamas, combatidas por bombeiros na tarde, noite e madrugada de quarta-feira, ameaçaram mansões e deixaram um manto de sujeira e forte cheiro de queimado. Há a suspeita de que o incêndio foi provocado por fogos de artifício. Bombeiros sobrevoaram o bairro de helicóptero pela manhã para começar a avaliar os danos.

“Um tapete de fuligem.” Assim a advogada Ana Esther Della Croce, de 40 anos, definiu a situação de sua casa. Nada, porém, comparado ao medo de ter a casa destruída pelo fogo. “As chamas chegaram muito perto do muro”, lembra. “Está tudo cheirando a defumado”, completou a mãe dela, Marísia Siqueira, de 70. Vizinha de frente, Zélia Lage, de 64 anos, conta ter ficado em pânico quando recebeu a notícia do incêndio. “Estava fora e me ligaram desesperados. Não sabia o que fazer”, diz. As escadarias de acesso à casa, a área da piscina e os jardins do imóvel ficaram cobertos por fuligem.

Moradora Ana Croce mostra sujeira (foto: Marcelo Sant'anna/esp. em/d.a press)
Moradora Ana Croce mostra sujeira (foto: Marcelo Sant'anna/esp. em/d.a press)
A moradora disse que a madrugada também foi de tensão para a vizinhança. Cerca de cinco horas depois que os bombeiros controlaram o fogo, novos focos surgiram. Zélia conta que foi acordada às 2h da madrugada com o barulho da vegetação queimando. “Olhei e as labaredas estavam altas”, disse. A moradora acredita que não houve maiores consequências porque o caseiro cortou a vegetação no entorno da casa. Ela cobra providências de autoridades para que cobrem limpeza de áreas próximas e evitem novos focos.

A administradora Cristina Vieira Ribeiro, de 46, foi a um mirante no alto do bairro para ver o estrago. O muro da casa dela ficou escurecido pela fuligem. “Nunca tivemos incêndio como esse. Você nunca imagina que o fogo vai chegar tão perto da sua casa”, disse.

Ação humana


O tempo seco e a falta de chuva aumentam a chance de incêndios, mas cerca de 90% dos focos em Minas são ligados à ação humana, segundo levantamento da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). Fogos de artifício, fogueiras mal apagadas, fogo em beira de rodovia e queima de pastagens estão entre algumas das causas. Os incêndios naturais são provocados principalmente por raios, o que não é o caso neste período do ano.

Somente no mês passado, 618 focos de calor foram detectados por satélite em áreas de conservação de Minas, quase o triplo registrado em junho, que teve 209 registros. Até 31 de julho, foram 1.657 focos de calor no estado, segundo a Semad, que coordena uma força-tarefa de combate a incêndios. Até abril, o Corpo de Bombeiros já havia atendido 1.079 ocorrências de incêndios em vegetação em Minas, em beiras de rodovias, lotes vagos e pequenas áreas urbanas. No mesmo período do ano passado, foram 985. Quarta-feira, uma brigada foi acionada para apagar o fogo que destruiu parte do Parque Serra do Cabral, unidade de conservação em Buenópolis, na Região Central do estado.


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