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Estado de Minas

Manifestantes pretendem chegar ao entorno do Mineirão no sábado

Aproximação do Mineirão gera impasse com a polícia, que avisa que é área de segurança da Fifa


postado em 21/06/2013 06:00 / atualizado em 21/06/2013 07:31

Paula Sarapu

(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press.)
(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press.)

Os manifestantes prometem reunir cem mil pessoas e garantem que vão ultrapassar os limites de segurança estabelecidos pela Fifa no entorno do Mineirão. A Polícia Militar, por sua vez, já informou que os bloqueios serão mantidos e que o espaço da zona amarela terá de ser respeitado. Diante da expectativa de grande mobilização no sábado, quando será realizado o jogo Japão e México, o Ministério Público tenta servir como articulador e chegou a pensar em ajuizar uma ação solicitando a redução do perímetro de dois quilômetros no entorno do estádio, mas ainda não o fez para não acirrar os ânimos nem inviabilizar uma possibilidade de negociação.

Por outro lado, para evitar confrontos, a comissão mista coordenada pela Promotoria de Justiça de Direitos Humanos se reuniu ontem e enviou às autoridades um pedido para garantir bombeiros e ambulâncias durante as manifestações e a suspensão do uso de balas de borracha por policiais militares do Batalhão de Choque. À tarde, a PM informou que esse tipo de armamento não letal só será usado em circunstâncias extremas.

Os manifestantes devem se reunir a partir das 10h, na Praça Sete, e os representantes da comissão acompanharão toda a caminhada. Segundo a promotora de Direitos Humanos Nívea Mônica Silva, o objetivo é receber denúncias sobre violação de direitos humanos e aprimorar o diálogo entre os jovens e as autoridades policiais. Ela ressalta uma preocupação com a insistência dos manifestantes de avançar em direção ao Mineirão, mas, apesar dos bloqueios, ela acredita que a dispersão da multidão só deve ocorrer em caso de violência e atos ilícitos. “Estamos buscando algum entendimento, estudando esse perímetro e qual deve ser a limitação, para manter a segurança do acesso, dos torcedores e dos próprios manifestantes”, diz a promotora.


A comissão é formada por representantes das polícias, dos movimentos sociais e sindicatos de servidores, além de funcionários das corregedorias, Ouvidoria do Estado e das comissões de Direitos Humanos da Câmara Municipal e da Assembleia Legislativa. O Sindicato dos Advogados também integra o grupo e anunciou ontem que advogados voluntários participarão dos protestos usando camisetas amarelas, para ajudar e orientar os manifestantes. As responsabilidades serão compartilhadas, mas, segundo a promotora, há um esforço conjunto para identificar e punir vândalos, inclusive com base no trabalho dos setores de inteligência.

Um dos assuntos discutidos foi a possibilidade de proibição de máscaras ou camisas para esconder o rosto, mas colaboradores dos movimentos entendem que essa é uma decisão pessoal e argumentam que os tecidos podem ser usados como proteção para o gás lacrimogêneo e spray de pimenta, em casos de confusão.  

VÂNDALOS
Segundo o vice-presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) e colaborador do movimento, Gladison Reis, os manifestantes decidiram formar comissões de segurança para identificar “provocadores e baderneiros”, pedindo que se retirem dos protestos. Os jovens que integram essas comissões também ficarão responsáveis por solicitar aos motoristas retidos nos cruzamentos que desliguem os motores a fim de evitar atropelamentos e aos manifestantes para não circular na contramão. Ele diz que o grupo pretende chegar ao Mineirão de forma ordeira e pacífica.

 “A Lei Geral da Copa garante a manifestação nos estádios, impede só o comércio irregular e a propaganda. Por que não podemos chegar lá? A Copa está roubando nossos direitos. Queremos mostrar que a juventude está indignada”, questiona. Na pauta: o passe livre estudantil, ampliação dos serviços do metrô e acesso ao território público, entre outras questões.

A Secretaria Extraordinária das Copas em Minas (Secopa) informou que a área de segurança é estabelecida para todos os eventos da Fifa em todo o mundo. O raio de limitação é uma decisão das autoridades estaduais, em função da distância, topografia e localização dos estádios. Em BH, a área de proteção para o comércio é de dois quilômetros no entorno do estádio. Já a área de segurança é de um quilômetro.


Só ingressos e credenciais

O comandante do Batalhão Copa, tenente-coronel Hércules de Paula Freitas, informou que na área restrita só podem circular torcedores com ingresso e pessoas credenciadas. “Há outra razão: os manifestantes não podem ultrapassar esse ponto para segurança dos torcedores e deles mesmos, já que temos visto vandalismo, arruaça e depredação.”

Em entrevista coletiva ontem, o governador Antonio Anastasia disse que vê com bons olhos a presença de bombeiros e ambulâncias nas manifestações, mas deixou claro que a decisão sobre o uso de balas de borracha é da PM. “Questões operacionais da PM ficam a cargo da PM, que tem seus especialistas. Minha orientação é para evitar sempre qualquer violência por qualquer que seja a parte. Todo excesso deve ser condenado, mas ela não pode permitir distúrbios que coloquem em risco pessoas e o patrimônio”, disse. Amanhã, ele se reúne com o comando geral da corporação. Sobre a redução do espaço restrito no entorno do estádio, Anastasia afirmou que o assunto será tratado por uma comissão técnica, porque envolve questões operacionais. No domingo, os manifestantes fazem assembleia sob o viaduto de Santa Tereza, às 15h, para decidir os rumos dos protestos.


CAPA PARA GUARDAR
A capa da edição de ontem do Estado de Minas repercutiu nas redes sociais e em blogs especializados em coberturas jornalísticas. No blog Periodismo Caviar, o consultor espanhol de jornalismo Juan Antonio Giner destacou: “Estado de Minas: uma primera página que grita e editorializa. Não se pode fazer todos os dias. As primeiras estão para informar. Mas às vezes devem opinar. Com força e criatividade”, comentou o consultor, que é fundador e presidente da Innovation International Media Consulting Group. No Facebook foram mais de 500 compartilhamentos. No Twitter também houve menções, como a de Michelle Poliveira (@michellkoliv): “Capa do Estado de Minas de hoje é daquelas que merecem ser guardadas”. “Muito tri a capa do Estado de Minas hoje”, completou Alexandre Aguiar (@alexaguiarpoa), de Porto Alegre (RS).

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