Publicidade

Estado de Minas

Obras da Catedral Cristo Rei começam em Belo Horizonte

Noventa anos depois de um projeto lançado por dom Cabral, começa domingo a construção do grande templo no Bairro Juliana, Região Norte da capital, com projeto de Oscar Niemeyer


postado em 03/04/2013 06:00 / atualizado em 03/04/2013 11:27

Em 19 de março, Dia de São José, o arcebispo da capital, dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidiu a entronização da imagem do santo na área(foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)
Em 19 de março, Dia de São José, o arcebispo da capital, dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidiu a entronização da imagem do santo na área (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)
Um sonho de mais de 90 anos começa a se concretizar na manhã de domingo. Tratores, escavadeiras e equipamentos de sondagem serão abençoados pelo núncio apostólico no Brasil, dom Giovanni D’Aniello, e pelo arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, dando início à construção da Catedral Cristo Rei, que tem projeto de Oscar Niemeyer (1907–2012). O templo será erguido em terreno de 24 mil metros quadrados na Avenida Cristiano Machado, no Bairro Juliana, na Região Norte da capital.  “Queremos contar com o apoio da coletividade da capital e do estado, pois esse será um monumento de Minas para unir espiritualidade, cultura e serviço social”, afirma dom Walmor, certo de que as ações ocorrem, com alegria e determinação, “sob as bênçãos de Deus, proteção de Nossa Senhora da Piedade e patrocínio de São José Operário”. A missa comemorativa do início dos serviços será às 8h.


Segundo o diretor de Infraestrutura da Cúria Metropolitana, engenheiro Rômulo Albertini Rigueira, a prefeitura já concedeu a licença de terraplenagem, devendo ser revolvidos cerca de 100 mil metros cúbicos. A expectativa é de que a catedral, com 54 mil metros quadrados de área construída e capacidade para 5 mil pessoas sentadas (na parte interna) e espaço para 20 mil em grandes eventos, seja concluída em quatro anos. Para deslanchar o projeto orçado em R$ 100 milhões, a arquidiocese tem em caixa 20% do total.

A obra, a cargo da construtora Mendes Júnior, estará dividida em seis etapas: terraplenagem e contenções, até o fim do ano; fundações profundas, em 2014; e a construção da estrutura do templo, até 2015. “O objetivo é que os católicos participem ativamente durante todo o processo. Vamos precisar de tudo: de cimento, cerâmica, argamassa, vidro etc. Agora é a hora de concreto e aço, mas se uma pessoa ou empresa quiser doar vidro, a ser usado na etapa final, já pode firmar o compromisso, que vamos ficar muito felizes”, diz Rômulo.

Quem vê o projeto pode imaginar várias formas concebidas pelo arquiteto: mãos postas e erguidas no rumo do céu; duas colunas simbolizando os mistérios de Deus; ou um barco com velas içadas pronto para ancorar na Região Norte da capital e, a partir desse porto, navegar em águas de paz, esperança e promoção social. O projeto de Niemeyer permite várias leituras visuais, mas traz de concreto uma certeza: pôr em prática um sonho dos católicos desde a época de dom Antônio dos Santos Cabral, o dom Cabral (1884–1967), primeiro chefe da Cúria de BH. O atual projeto foi apresentado oficialmente em 2 de julho de 2011 em missa festiva no ginásio Mineirinho, na Região da Pampulha.

DETERMINAÇÃO Desde 2004, quando chegou de Salvador (BA) para tomar posse à frente da Cúria, dom Walmor começou a discutir exaustivamente a viabilidade do projeto da catedral com o clero. As primeiras questões envolviam a localização, já que a Arquidiocese de BH é composta de 28 municípios, onde residem mais de 5 milhões de pessoas. Depois de muitos estudos, a equipe da Cúria se decidiu pelo epicentro da região metropolitana, o Bairro Juliana. Um motivo de orgulho para o arcebispo foi ter escolhido e comprado o terreno bem antes de empreendimentos de porte chegarem ao Vetor Norte, caso da Linha Verde, Cidade Administrativa e ampliação do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins.

Em seguida à aquisição da área, em 2005, mãos à obra, e o primeiro passo de dom Walmor foi encomendar pessoalmente a concepção arquitetônica a Niemeyer, autor dos projetos modernistas, na década de 1940, na Pampulha. O arquiteto veio a BH e entregou o projeto num prazo de seis meses e nos cinco anos seguintes a equipe da Cúria se debruçou sobre os desenhos, refletindo e discutindo. O clero o aprovou, depois de muitas conversas também com a sociedade. Na concepção arquitetônica, nada foi alterado, mas foram necessários ajustes na acústica, luminosidade e ventilação. “O importante é que todos fazem parte dessa obra”, diz o arcebispo.

Linha do tempo
1922 – Em 30 de abril, dom Cabral chegou a Belo Horizonte para instalar a diocese, criada em 11 de fevereiro de 1921 pelo papa Bento XV. Entre as tarefas, estava o desafio de construir a nova catedral
2004 –O arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, inicou as conversas com o clero e segmentos da sociedade, certo de que o projeto terá que ser no epicentro da Região Metropolitana de BH
2005 –Definição de que o projeto será implantado em frente à estação de metrô Vilarinho, na Avenida Cristiano Machado, na Região Norte da capital. O arquiteto escolhido foi Oscar Niemeyer
2006 – Em maio, o arquiteto Oscar Niemeyer apresentou o projeto, que foi discutido na arquidiocese
2011 – Em 2 de julho, foi feita a apresentação do projeto à comunidade católica no ginásio do Mineirinho,
2011 – Em 19 de novembro, a cruz da catedral foi iluminada – branca, de 20 metros de altura, feita de uma liga de aço e nióbio de Araxá. Foi feita a bênção da pedra fundamental do templo
2012 – Em 30 de agosto, foi assinado o protocolo de intenções entre a Cúria Metropolitana e as empresa construtora Mendes Júnior
2013 – Em 19 de março, dom Walmor presidiu a Festa de São José, com a entronização da imagem do padroeiro das famílias e de Nossa Senhora da Piedade

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade