
A sujeira contrasta com a placa fixada no jardim informando que o espaço é adotado. Apesar de destinar um jardineiro para limpar e cuidar todos os dias da Praça Leonardo Gutierrez, no Bairro Gutierrez, Região Oeste de BH, a direção da escola Mundo Feliz, responsável pela manutenção há 15 anos, reclama da falta de zelo dos frequentadores e do descaso da prefeitura com a área de lazer. Sem resposta da administração pública, a instituição de ensino apelou até para uma circular enviada aos pais dos alunos tentando sensibilizar a comunidade para o problema.
Diariamente, às 6h, um funcionário contratado pela Mundo Feliz limpa a praça. De seis em seis meses, a escola banca a reforma, que inclui pintura dos canteiros, conserto dos brinquedos e replantio de mudas. “De lá para cá, o bairro cresceu, mas faltam conscientização das pessoas e uma ação da prefeitura. Achamos fraldas sujas nos bancos, fezes de cães e lixo. Sozinhos, não estamos dando conta”, diz uma das diretoras, Maria Lúcia Luz Dias. Ela informa que a situação já foi relatada à prefeitura duas vezes, sem retorno.
Na circular enviada aos pais, a escola aponta que não há mais varrição, antes feita duas vezes por semana. Indica ainda falta de segurança e a necessidade de poda das árvores, de competência da prefeitura. Iniciado em 2000, o programa Adote o Verde, do qual a escola faz parte, conta com mais de 380 adoções na cidade. O site da Secretaria Municipal de Meio Ambiente informa que cabe ao responsável manter as áreas verdes limpas e cuidadas. Já à prefeitura cabem o projeto de implantação ou reforma, o pagamento de contas de água e luz, apoio técnico e permissão para colocação de placa no local adotado, divulgando a parceria.
O administrador de empresas Olegário Rodrigues Primo, de 80 anos, morador do Gutierrez desde a década de 1960, considera o espaço com o de ar mais puro de BH e faz planos para uma reforma. “Poderia haver flores adaptadas a cada uma das estações do ano, bancos mais confortáveis, canteiros apropriados”, afirma Olegário. “Não podemos mais usufruir desse espaço. Quando era mais novo, meu filho de 11 anos brincava aqui, mas não tenho coragem de trazer minha filha, de 7”, reclama a relações-públicas Edilene Rodrigues, que acredita que a escola poderia cuidar mais da praça.
