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Estado de Minas MUTIRÃO PELAS ÁGUAS

Minas anuncia programa para melhorar qualidade da água no estado

Pacote de obras anunciado pelo governo estadual prevê 107 intervenções para ampliar até 2016 os sistemas de abastecimento e de tratamento de esgoto em 625 municípios


postado em 21/03/2013 06:00 / atualizado em 21/03/2013 07:34

Sabará, onde o Rio das Velhas, recebe dejetos sem tratamento, está entre as cidades incluídas no programa da Copasa que prevê investimento de R4,5 milhões em três anos (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press.)
Sabará, onde o Rio das Velhas, recebe dejetos sem tratamento, está entre as cidades incluídas no programa da Copasa que prevê investimento de R4,5 milhões em três anos (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press.)


Novo programa de saneamento lançado nessa quarta-feira pelo governo do estado prevê investimentos de R$ 4,5 bilhões no tratamento de água e esgoto, na tentativa de livrar da poluição os principais rios em Minas. Em cerimônia na Cidade Administrativa, o governador Antonio Anastasia reconheceu que os níveis de qualidade da água ainda são “insuficientes” e apresentou o Água da Gente, destinado a ampliar os sistemas de abastecimento e esgotamento sanitário. Os recursos vão para os 625 municípios atendidos pela Copasa. A meta é implantar 5,8 mil quilômetros de redes até 2016, além de concluir a construção de 107 estações de tratamento de esgoto (ETEs).

Se os recursos parecem consideráveis, o desafio é proporcional. Minas Gerais lança 1,7 bilhão de litros de detritos todos os dias em rios e lençóis freáticos, segundo levantamento feito a partir dos dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis). E, de acordo com o Snis, o estado trata somente um quarto deste volume. Outro diagnóstico, da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), revela a gravidade do problema. Se funcionassem em sua capacidade máxima, as ETEs até hoje instaladas só teriam alcance para tratar 40% dos detritos gerados.

De acordo com o governador, das 107 obras prometidas, 85 estão em andamento, nove foram licitadas e 13 dependem de edital. A maior parte dos recursos é da Copasa, mas também há verba do Tesouro Estadual. “Sabemos que os níveis de qualidade da água tiveram uma melhora, mas ainda são insuficientes. As águas de Minas atendem outros estados e, então, temos esse compromisso”, afirmou Anastasia, que ressaltou também a importância do programa para a saúde pública. “O saneamento é a condição essencial para a saúde”, disse. Pesquisas levantadas pelo governo apontam que cada R$ 1 investido em saneamento representa R$ 4 em economia no tratamento de doenças.

Coleta ampliada

Atualmente, apesar de estar presente em mais de 70% dos municípios mineiros, a Copasa opera o sistema de esgotamento sanitário em 277, o que representa um terço das cidades. Cerca de 90% delas contam com a coleta, mas apenas 66% têm o tratamento feito pelas 127 ETEs instaladas. Quando as outras 107 estiverem em funcionamento, a intenção é passar de 66% para 80% o percentual de dejetos tratados pela concessionária.

O programa se estende aos 88 municípios da Copasa Serviços de Saneamento Integrado Norte e Nordeste de Minas Gerais (Copanor). O presidente da Copasa, Ricardo Simões, garante que Sabará, onde a estatal acabou de assumir a concessão dos serviços, estará entre as cidades que receberão investimentos. O município da região metropolitana, um dos maiores poluidores da Bacia do Rio das Velhas, lança todos os seus detritos diretamente nos cursos d’água, sem qualquer tratamento.


Contaminação em Montes Claros

Estudo divulgado ontem em Montes Claros confirmou o nível elevado de poluição do Rio Vieiras, que deságua no Verde Grande, principal afluente do Rio São Francisco. A contaminação foi denunciada em reportagens do Estado de Minas sobre a Bacia do Velho Chico, afetada por metais pesados e esgoto doméstico. Em 2009, entrou em operação a ETE cujo desafio era despoluir o Vieira. Mas, como revelou o EM, os resultados foram insatisfatórios: há índice de 700% a mais de coliformes fecais, segundo o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam). Ontem, a Câmara Municipal de Montes Claros realizou audiência para discutir o assunto. Autor do requerimento, o vereador Fábio Neves (PHS) apresentou estudo de laboratório local comprovando o problema. De acordo com a análise, a demanda bioquímica de oxigênio na saída da ETE é de 235,66 mg/l, quase quatro vezes o máximo permitido, de 60 mg/l. A Copasa questiona o laudo, alegando que o funcionamento está “normal”. (Luiz Ribeiro)
 

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