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Estado de Minas

Crimes levam medo a lojas da Savassi

Comerciantes da região revitalizada reclamam de ataques frequentes de assaltantes e cobram mais segurança. Polícia diz que prende suspeitos, mas eles voltam para as ruas


postado em 05/01/2013 06:00 / atualizado em 05/01/2013 07:04

Bandidos arrombaram e ainda incendiaram loja na Savassi na madrugada de quinta-feira. Outros estabelecimentos foram atacados também(foto: RAMON LISBOA/EM/D.A PRESS)
Bandidos arrombaram e ainda incendiaram loja na Savassi na madrugada de quinta-feira. Outros estabelecimentos foram atacados também (foto: RAMON LISBOA/EM/D.A PRESS)


Ladrões que arrombavam lojas na calada da noite agora estão mais ousados e atacam até durante o dia estabelecimentos comerciais da Savassi e ameaçam proprietários, empregados e clientes com armas de fogo. Apenas em dezembro e no início deste ano, o Estado de Minas apurou que houve pelo menos oito ocorrências de roubos à mão armada e arrombamentos.

Na madrugada de quinta-feira, a loja de roupas e acessórios femininos Zás, na Rua Tomé de Souza, foi invadida e os ladrões atearam fogo no estoque, causando prejuízo de R$ 20 mil. A ação dos bombeiros foi rápida e impediu que o fogo se espalhasse pela vizinhança.

Por volta das 14h de 31 de dezembro, um homem armado invadiu a loja de roupas para festas Eliana Queiroz, na Avenida Getúlio Vargas, rendeu duas funcionárias e fugiu com um celular e R$ 250. Na madrugada anterior, a Rétes, na Rua Inconfidentes, foi arrombada por criminosos que tentaram também arrebentar a porta da loja de calçados Ponta dos Pés, na mesma rua. No dia 23, os ladrões só não conseguiram entrar no mesmo local porque um vizinho, Lourival Dornelas, percebeu e gritou.

O próprio Lourival, dono da lanchonete Tasco Burguer, na Rua Paraíba, foi assaltado às 21h20 de 20 de dezembro. Um homem armado rendeu o comerciante e quatro clientes e fugiu com R$ 1,3 mil na garupa de uma moto. “O bandido colocou um revólver calibre 38 na minha cabeça e falou que era para eu ficar quieto, senão iria encher minha cabeça de bala”, disse Lourival. “A PM demorou meia hora para chegar. Moro na parte de cima da lanchonete e já presenciei vários assaltos. Não há policiamento na Savassi. Tenho o comércio há 22 anos e nunca vi o bairro tão violento assim. Estamos à mercê dos ladrões”, reclama Lourival.

Em 17 de dezembro, dois homens armados renderam nove funcionários da Padaria Roniê, na Rua Rio Grande do Norte. “Chegaram às 5h da manhã e renderam primeiro o padeiro. Conforme os outros funcionários iam chegando, eles também eram rendidos. Trancaram todo mundo no estoque e levaram R$ 9 mil”, reclama a dona da padaria, Priscila Andrade, lembrando que o estabelecimento já já foi arrombado cinco vezes.

Medo maior passaram os funcionários da Moto Street, na Rio Grande do Norte. Por volta das 9h de 7 de dezembro, três homens armados invadiram o local e 15 empregados e três clientes ficaram na mira das armas. O dinheiro do caixa, três celulares e um computador portátil foram roubados. “Os bandidos estão brincando de gato e rato com a polícia”, disse um funcionário. Já o Restaurante Maurício, na Paraíba, foi assaltado às 13h30 e os ladrões levaram R$ 1,5 mil.

O dono da Zás, Hernane Alexandre Ribeiro, conta que os bombeiros receberam denúncia anônima às 4h50 de quinta-feira avisando do incêndio em sua loja. “Furtaram um notebook, câmera fotográfica, dinheiro e todos os cheques pré-datados. Depois, colocaram fogo no estoque e no escritório que funcionam no mezanino, destruíram o computador e documentos da contabilidade. Toda a mercadoria e o mobiliário foram estragados”, conta a vítima.

Hernane reclama da falta de policiamento na Savassi. “Revitalizaram a praça, mas não investiram na segurança pública. A gente paga impostos e vai ter que arcar também com a segurança privada, instalando equipamentos eletrônicos”, protesta.

Vendedora da loja Eliana Queiroz, Simone Vasconceloss diz estar traumatizada. “Eu estava com outra vendedora e fomos ameaçadas com arma na cabeça. A imagem do ladrão não sai da minha cabeça. Um rapaz negro e de cabelo descolorido passou do outro lado da avenida e entrei em pânico achando que pudesse ser ele de novo”, conta.

Trinta PMs

O comandante da 4ª Cia. da PM, major Carlos Alves, disse que a Savassi não vive caos como todo mundo pensa. “Lá também não é um paraíso para viver, tem problemas de furtos e roubos como o Centro, mas prendo um indivíduo e o levo e amanhã ele está na rua de novo. Então, a solução é ter um PM em cada porta de loja? Será que o problema é o policiamento? Será que preciso de um exército na Savassi?”, afirmou o militar, ressaltando que o sistema prisional não funciona.

O major informou que a PM prende vários suspeitos e evitou crimes na Savassi. “Temos 30 policiais por conta da Savassi, alguns à paisana, fazendo levantamentos”, disse Carlos Alves. Segundo ele, em dezembro, comparado ao mesmo período de 2011, houve redução de 33% da criminalidade violenta na área. “A Savassi é o cartão de visita de BH. Outras regiões registram dezenas de assaltos, mas se tiver um na Savassi ganha repercussão. Há crime, vandalismo e morador de rua como qualquer outra região”, alegou o oficial.


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