
A aeronave, um Embraer modelo EMB-121 Xingu, prefixo PT-MAB, caiu no mar, a 500 metros da costa, na Ilha de Cataguases, e afundou. Além do empresário, estavam a bordo o piloto Antônio Fernandes Neto e o copiloto, identificado apenas como Ernandes, que ainda não foi localizado. Segundo a Defesa Civil de Angra, as buscas pelo desaparecido serão retomadas na manhã de hoje com apoio de bombeiros e Capitanias dos Portos. O corpo de Neto também já está no IML.
De acordo com a Defesa Civil de Angra dos Reis, chovia no momento do acidente. Agentes da Defesa Civil informaram que a mulher do empresário, Vitória Faria, o aguardava no aeroporto onde a aeronave pousaria. Segundo eles, foi ela quem fez o reconhecimento do corpo.
O avião em que o empresário viajava partiu às 16h09 do Aeroporto Carlos Drummond de Andrade, na Pampulha, em BH, e caiu por volta das 17h15. A aeronave era da empresa de táxi-aéreo Banjet, pertencente à família. Amigos contaram que Clemente de Faria teria ido a Angra se encontrar com a mulher para passar o fim de semana na casa da família na cidade.
“Eles estavam fazendo uma reforma na casa. A Vitória havia ido antes e estava no aeroporto aguardando a chegada dele. Foi com muita tristeza que recebemos a notícia. O Clemente era um amigo-irmão, aprendi muito com ele durante os cerca de 15 anos que convivemos juntos”, afirmou o também empresário Vinícius Pimentel, de 60 anos. Ele conta que a amizade começou quando os dois ainda eram jovens e participavam de corridas de Kart, e descreve o falecimento do amigo foi uma perda enorme. “Tinha por ele uma grande estima e uma grande admiração.”
Também empresário e amigo de Faria, José Junqueira, de 63, que viu as primeiras notícias do acidente pela internet, lamentou a morte do colega esportista. “Li sobre o acidente e não acreditei. Foi quando liguei para amigos em comum, que confirmaram a notícia. Foi um baque muito grande”, disse. Segundo Junqueira, ele e Faria se conheceram em 1972, nas pistas de kart. “Corremos juntos por 10 anos. Ele era uma pessoa muito inteligente, determinada e um ótimo esportista”, disse.
Faria é filho de uma família de banqueiros da capital. O avô dele, Clemente Faria, fundou o Banco da Lavoura de Minas Gerais, que mais tarde foi dividido em duas instituições financeiras. O Banco Real ficou com o tio do empresário morto ontem, Aloísio Faria, enquanto o Banco Bandeirantes passou a ser dirigido pelo pai de Clemente de Faria, Gilberto de Andrade Faria. O empresário foi casado duas vezes. No primeiro casamento, teve uma filha e com a atual esposa tem três filhos.
Perfil - Referência também no automobilismo
Além de um empresário bem-sucedido, capaz de dar novos rumos aos negócios familiares, Clemente Faria se destacou pelo talento nas pistas. Ao lado de Vinícius Pimentel e José Junqueira, foi bicampeão brasileiro de Marcas e Pilotos (1984 e 1985) – o Fiat Uno amarelo da equipe Banco Bandeirantes se transformou em referência na competição.
Em seguida, acabou deixando o automobilismo, não sem antes transmitir a paixão pela velocidade ao filho, Clemente Jr., que mal conseguia alcançar os pedais do kart, e já se empenhava nos primeiros treinos – uma trajetória que lhe valeu cinco títulos na modalidade, a vitória no Sul-Americano de Fórmula 3 de 2007 – hoje compete no Troféu Fiat, com um Linea.
O sucesso de Clementinho nas pistas e fora delas era motivo de orgulho para o pai, que fazia questão de acompanhar o herdeiro nas principais competições e brincava quando questionado sobre a possibilidade de um retorno, para formar uma dupla em família, ainda que por brincadeira. “Meu tempo já passou. Fica difícil até entrar no carro. Agora sou só pai de piloto.”
(Com informações de Luana Cruz)
