
Do outro lado do processo estão os fazendeiros José Geraldo Carnaúba, de 80, e sua mulher Delizete, de 76, que já começam a acreditar na possibilidade de que depois de 16 anos a justiça será feita. Curiosamente, um misto de sentimento de vitória e tristeza para um casal que no dia 15 comemora 50 anos de casados, bordas de ouro, longe da filha, do genro, de duas netas e da tia-avó, que morreram na batida. A tragédia que marcaria a vida da família começou a ser desenhada em Mar de Espanha, quando Ademar e o empresário Ismael Keller Loth fizeram uma aposta de R$ 2 mil, em público, em que o vencedor seria o primeiro a chegar na vizinha cidade de Bicas.

MP quer pena para securitário
A redução da fiança concedida pela Justiça ao securitário Rodrigo de Oliveira Campos, de 26 anos, preso depois de provocar acidente com duas mortes e solto na noite da quarta-feira, não contou com o aval do Ministério Público. O promotor Francisco Santiago disse ontem que, tão logo receba o inquérito policial, vai denunciar Rodrigo por duplo homicídio e lesões corporais dolosos. “Não estou preocupado com fiança ou se o acusado será preso. O que espero é uma condenação exemplar. Quero ao encerrar minha carreira, ter a certeza de que contribui para combater esses absurdos de motoristas usando seus veículos como armas e, a cada fim de semana, ter famílias chorando a perda de seus entes”, disse Santiago.
Rodrigo de Oliveira responderá em liberdade por lesões corporais e pelas mortes do cadeirante Alcindo Pereira Souza, de 62 anos, e da mulher dele, Maria do Carmo Gomes de Souza, de 52, em acidente ocorrido em 6 de abril, na Rua Jacuí, Região Nordeste de Belo Horizonte. O filho do casal ficou gravemente ferido. Ontem, o sobrinho das vítimas, Enderson Chagas de Souza, de 48, afirmou que toda a família ficou indignada com a soltura do securitário, cuja fiança inicial, estipulada em R$ 50 mil, foi reduzida para R$ 16 mil. A delegada Cláudia Nacif, que cuida do caso, espera o retorno do inquérito da Justiça para finalizá-lo.
