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Estado de Minas

Por vacina, moradores de Ouro Branco madrugam na porta de postos de saúde


postado em 25/10/2011 06:00 / atualizado em 25/10/2011 06:17

Em pânico por causa da meningite, centenas de pessoas lotaram as unidades de saúde em busca da dose(foto: Fotos: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Em pânico por causa da meningite, centenas de pessoas lotaram as unidades de saúde em busca da dose (foto: Fotos: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)

Ouro Branco - A noite de sono ontem foi mais curta para parte da população de Ouro Branco, na Região Central do estado. Assustada com o surto de meningite registrado na cidade há duas semanas, muita gente pulou da cama ainda de madrugada e garantiu um lugar na fila para tomar a vacina contra a doença. No mesmo dia em que 2.509 pessoas foram imunizadas, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou mais dois casos da doença no município. Dos 18 que permaneciam internados, seis tiveram alta ontem. Os exames de outras dez pessoas ainda não foram concluídos. Desde que o surto começou, no dia 14, uma pessoa morreu e quatro tiveram resultado positivo para a meningite.

Para evitar novos casos, a vacina contra a doença começou a ser distribuída ontem na rede pública de saúde da cidade, entre às 8h e às 16h. A corrida para estar entre os primeiros chegou a durar até pelo menos 5 horas para muitas pessoas que desde as 3h aguardavam na porta dos postos de vacinação. Para os que chegaram depois dos primeiros raios de sol, a fila era grande e exigiu paciência. Em unidades com atendimento mais ágil, o tempo médio entre a chegada e a vacinação foi de duas horas, mas em outros postos, a média ultrapassou seis horas. Quem se arriscou chegar após as 10h na maior parte das unidades de saúde também precisou ser tolerante pois foi surpreendido pelo esgotamento das 300 senhas e voltou para casa decepcionado. O número representa o máximo de pessoas vacinadas por dia em cada posto de saúde da cidade. Na unidade básica de saúde do Bairro 1º de Maio, outro incômodo: a vacinação começou com 25 minutos de atraso por causa da temperatura da vacina mais baixa do que o adequado para aplicação.

E ainda que todos os centros de vacinação estivessem com a previsão de atendimento para o mesmo número de pessoas, o término do processo foi bem diversificado. Na unidade básica de saúde (UBS) Geraldo de Oliveira, os funcionários concluíram o trabalho antes mesmo do meio-dia. “Vim mais cedo para organizar a logística e estávamos com quatro funcionários aplicando as doses”, contou a enfermeira responsável pela unidade, Michele Silva Ferreira. Nas unidades Centro e Pioneiros, a aplicação também terminou antes do horário previsto de 16h. Por outro lado, na UBS 1º de Maio a fila ainda era grande por volta de 15h30 quando faltavam 40 pessoas para serem vacinadas. “Começamos com um atraso e apenas com duas pessoas fazendo a aplicação. O preparo da vacina exige cuidado e tempo. Com o reforço de mais duas pessoas à tarde, o atendimento foi agilizado”, afirmou a coordenadora da unidade, a enfermeira Rosa Camila Fernandes.

Maratona

Um dos primeiros a serem imunizados na campanha de vacinação de bloqueio da meningite em Ouro branco foi o autônomo Alisson Vilaça, de 30 anos. Ele conta que preferiu enfrentar a maratona de sair de casa de madrugada e ficar horas na fila porque já estava ansioso para receber o medicamento. “Essa doença apavorou muito a gente aqui. Fiquei preocupado. Saí cedo de casa para não perder a chance de me vacinar hoje (ontem), pois todos estão com receio de adoecer”, contou Vilaça. A empregada doméstica Joseli do Carmo Dias Miranda, de 24 anos, também chegou cedo. “Fui a sexta pessoa da fila. Não quis arriscar de ficar sem a vacina porque não quero correr o risco de pegar a doença”, diz. Joseli conta que o medo após o surto foi tão grande que ela pagou a vacina na rede particular para o filho de 3 anos, que está fora da faixa de vacinação. “Ele fica na creche durante o dia. Tem contato com muitas crianças. Não quis arriscar”. Quem também se preveniu foi o metalúrgico Carlos Alberto Amaral, de 45, que deixou o filho sem ir à escola por três dias temendo que ele contraísse a doença. Ontem, o pequeno Matheus, de 7 anos, recebeu a dose da vacina.

Ao anunciar a campanha de vacinação na quinta-feira passada, a Secretaria Municipal de Saúde de Ouro Branco limitou a aplicação do medicamento a pessoas com idades entre 4 e 30 anos. A notícia desagradou parte da população que ficou fora do planejamento e, com isso, o temor de ficar doente ainda é uma realidade no município. Entre os insatisfeitos está a dona de casa Gracie Torres, de 42, que levou a filha Mariaelize, de 14 anos, para se vacinar na unidade básica de saúde Pioneiros. “Quer dizer que quem tem mais de 30 anos não fica doente?”, reclama.

Histórico de casos

A explicação do secretário municipal de saúde, Hideraldo Belini, para restringir o grupo de vacinados está fundamentada em critérios técnicos. “A análise dos casos dos últimos anos mostra que não tivemos pessoas com mais de 30 anos doentes de meningite. E para as crianças abaixo de 4 anos, a vacina está disponível no calendário oficial de vacinação”, diz. Além disso, garante o secretário, não havia doses suficientes em estoque para todos os 35 mil moradores de Ouro Branco. Além da idade, quem procurar o posto para se vacinar deve certificar-se de que está cadastrado na unidade, levar um documento de identidade com foto e o cartão de vacina.

Ao todo, 22 mil pessoas serão imunizadas durante a campanha, que vai até 4 de novembro. Serão 17,5 mil moradores da cidade e o restante será distribuído entre alunos e servidores do campus do Alto Paraopeba da Universidade Federal de São João del Rei, na cidade, além dos funcionários das empreiteiras que atuam na área da Gerdau.

CARA A CARA

Você ficou tranquilo com o anúncio da vacinação contra meningite?

SIM: “Ficamos todos muito preocupados no início, mas agora que eu e meu filho estamos vacinados passa um pouco a ansiedade. Fui bem atendida e volto para casa mais tranquila hoje porque a meningite é uma doença perigosa. Agora não corremos mais risco”

Joseli do Carmo Dias Miranda, 24, empregada doméstica

NÃO: “Quer dizer que quem tem mais de 30 anos não fica doente? A gente tem medo do mesmo jeito. A gente é cidadão e merece ser vacinado. Eu e meu marido vamos pagar pela dose em Belo Horizonte porque estamos com medo de não haver um segundo momento de vacinação que atinja a todos na cidade”

Gracie Torres, 42, dona de casa

EM TERMOS: “Fico tranquilo de vacinar meus dois filhos porque eles têm contato com muitas crianças na escola e vão ficar protegidos. Mas eu e minha mulher estamos fora da faixa etária de 4 a 30 anos e também queremos ser vacinados. Tenho esperança que a vacina chegue para o restante da população porque nem todo mundo tem condição de pagar na rede particular”

Alexandre Batista, 36, funcionário público

Próximos passos

Depois de avaliar o primeiro dia de vacinação em Ouro Branco, a Secretaria Municipal de Saúde decidiu aumentar para 400 doses o total de vacinas aplicadas por dia nas 10 unidades de saúde da cidade. Definiu também que a vacinação será estendido para o sábado, 29, também no horário de 8h às 16h. O mesmo não ocorrerá no dia 2 de novembro, feriado de Finados, quando os postos estarão fechados. E enquanto as 22 mil doses vão sendo aplicadas no município, o secretário de Saúde, Hideraldo Belini afirma que a prefeitura tenta conseguir novas doses da vacina para imunizar as 13 mil pessoas restantes na cidade que estão for a da faixa etária de 4 a 30 anos.


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