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Estado de Minas

Famílias cobram da polícia laudo sobre morte de casal em pousada de Brumadinho


postado em 04/08/2011 06:00 / atualizado em 04/08/2011 06:49

Solange Ribeiro, mãe de Gustavo Lage, diz que demora do inquérito estende o sofrimento de familiares(foto: Cristina Horta/EM/D.A Press. Brasil)
Solange Ribeiro, mãe de Gustavo Lage, diz que demora do inquérito estende o sofrimento de familiares (foto: Cristina Horta/EM/D.A Press. Brasil)
Quase cinco meses após a morte do casal de namorados Gustavo Lage Caldeira Ribeiro, de 23 anos, e Alessandra Paolinelli de Barros, de 22, na pousada Estalagem do Mirante, em Brumadinho, Grande BH, a falta da última peça do quebra-cabeça ainda incomoda familiares das vítimas. Apesar de o laudo de necropsia ter atestado intoxicação por monóxido de carbono como a causa das mortes, o laudo de engenharia que poderá ajudar a identificar os responsáveis pela fatalidade não foi concluído pelo setor de criminalística da Polícia Civil. Além de estender o sofrimento dos parentes, a situação cria o sentimento de impunidade e descrença de que alguém seja responsabilizado.

Gustavo e Alessandra foram encontrados mortos no dia 17 de março, no quarto da pousada, depois de terem sido dados como desaparecidos, já que não tinham comunicado à família sobre o destino. Eles haviam se hospedado na Estalagem do Mirante dois dias antes e, segundo familiares, comemoravam um ano de namoro. De acordo com a perícia do Instituto Médico Legal, as mortes teriam ocorrido entre 22h e 0h do dia 16 e, conforme o laudo de necropsia, havia altos níveis de monóxido de carbono no organismo do casal, indicando que possivelmente desmaiaram ao inalar o gás proveniente da lareira, até morrerem.

Mesmo tendo sido avisados de que o laudo de engenharia seria mais demorado, familiares já sentem o desconforto da espera. Ao relatar que tenta cicatrizar a ferida deixada com ausência do filho, a mãe de Gustavo, a advogada Solange Silva Ribeiro, de 53 anos, clama por justiça. “Esperamos pelo resultado porque queremos saber quem foi o responsável. Como mãe, apelo para que ele seja acelerado. A demora só estende nosso sofrimento”. Com olhos cheios de lágrimas ela relembra doces momentos com o filho e a nora e afirma ser injusto o fato de terem pago pela falha de outras pessoas.

Monóxido de carbono gerado por lareira pode ter matado este casal em Brumadinho no início do ano(foto: Facebook/Reprodução da Internet)
Monóxido de carbono gerado por lareira pode ter matado este casal em Brumadinho no início do ano (foto: Facebook/Reprodução da Internet)
A dor da advogada e da família dela é compartilhada com os familiares de Alessandra. Para a mãe da jovem, a bióloga Lúcia Paolinelli de Barros, de 54, a falta de um responsável pelas mortes levanta a possibilidade de impunidade. “A greve da Polícia Civil piorou ainda mais nossa esperança de que alguém seja responsabilizado com agilidade. A gente passa a desacreditar que vão fazer alguma coisa de verdade para punir quem deve responder por tamanha fatalidade.”

Aviso prévio

Lúcia afirma que reclamações sobre a lareira já ti-nham  sido relatadas a funcionários da pousada. “Sabemos que outras pessoas passaram por situação semelhante, mas conseguiram perceber o gás e abrir as janelas. Elas avisaram a pousada, mas nada mudou”, critica. Para ela, houve descuido do estabelecimento. “Se existe falha humana, tem que ser corrigida. Alguém tem que ser responsável. Embora isso não vá reverter o quadro, serve como exemplo para que não ocorra com outras famílias”.

A voz trêmula ao falar da relação terna e amigável que mantinha com a filha sinaliza a tristeza que Lúcia enfrenta. “Ela era minha única filha mulher entre meus três filhos. Fica um vazio, uma tristeza pela falta dela. Estamos tentando continuar nossa caminhada, cicatrizar essa ferida”, diz  Lúcia.

Defesa

De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Civil, a delegada da Delegacia de Homicídios Sul, Elenice Cristine Ferreira, que preside o inquérito, está em férias e somente ela poderia falar sobre o assunto.

O Estado de Minas fez contato com o advogado responsável pela defesa da pousada, mas ele não atendeu o telefone nem retornou a ligação. Na época, o estabelecimento alegou que tinha funcionários especializados na manutenção da lareira e que nos quartos havia cartilha orientando sobre o uso seguro do equipamento.

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