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Estado de Minas

Poluição também é problema na Grande BH


postado em 15/05/2011 06:56 / atualizado em 15/05/2011 07:52

Os problemas relacionados ao aquecimento global extrapolam os limites entre municípios e a adoção de medidas de combate aos gases que provocam o efeito estufa pode desencadear melhorias em cadeia para a Grande BH. Dado o tamanho e principalmente a formação voltada para o setor industrial, Betim e Contagem estão no topo da lista das mais poluídas da região, inclusive, estando à frente de Belo Horizonte em índices mais críticos.

Segundo medições da qualidade do ar feitas pela Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam) – que não incluem indicadores do dióxido de carbono (CO2) e dos gases estufa –, dois indicadores, antes controlados, estão presentes em níveis problemáticos nas três cidades: poeira (também chamado de material particulado) e ozônio (O3). Até 2008, a concentração de ozônio (O3) em Betim, por exemplo, era, em média, de 80 microgramas por metro cúbico e as

medições recentes apontam 160 – nível considerado limite segundo instrução normativa do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Ou seja, em três anos, a taxa dobrou de valores. E o crescimento é semelhante na capital e em Contagem, mas com valores inferiores. “A iniciativa de Belo Horizonte será benéfica para outras cidades. A capital é a maior cidade e tem que servir de exemplo”, diz a gerente de Monitoramento de Qualidade do Ar da Feam, Elisete Gomide Dutra.

No caso de Betim e Contagem, ela explica que a maior incidência de gases poluentes é, em parte, culpa de BH. Isso porque, o vento da cidade, na maior parte do tempo, está direcionado para a região onde estão localizadas as cidades e, com isso, ocorre essa ‘migração’. Mas o principal problema está concentrado na região das refinarias e da distribuição de combustível, onde também estão localizadas outras fábricas. “Na época de ventos com velocidade menor, forma-se uma ‘tampa’ que prende os poluentes”, afirma Elisete, explicando que a conseqüência disso é danosa para a saúde, agravando problemas respiratórios.

Crescimento da frota

A explicação para o aumento dos índices é lógica e simples: o crescimento vertiginoso da frota nos últimos anos, com as consecutivas quebras de recordes de venda de automóveis, influencia diretamente na emissão de poluentes. Ainda mais porque Minas não possui legislação voltada para a inspeção veicular anual. “90% da poluição está ligada à frota em Belo Horizonte”, diz Elisete, ressaltando que a cidade praticamente só tem uma indústria poluidora.

Ela informaque a substituição do diesel por combustíveis limpos permite que sejam instalados filtros ou catalisadores nos coletivos. Assim seria possível filtrar parte das impurezas presentes na fumaça, principalmente às relativas ao chamado material particulado, ou simplesmente poeira. “O biodiesel não tem enxofre. O gás limita o uso de tecnologias, por entupir o filtro”, diz Elisete.

Para diminuir a poluição e o efeito estufa

1 - Redução de 30% das emissões dos gases de efeito estufa listados no Protocolo de Quioto em relação a patamar expresso em estudo a ser realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte

2 - Os empreendimentos de alta concentração ou circulação de pessoas, como centros varejistas e shoppings centers, deverão instalar equipamentos e manter programas de coleta seletiva de resíduos sólidos para obtenção de Baixa e Habite-se e Alvará de Localização e Funcionamento

3 - A frota de transportes públicos da capital deve substituir progressivamente o uso de combustíveis fósseis. A cada ano, 10% dos ônibus devem adotar biodiesel ou etanol

4 - A prefeitura deverá implementar programa obrigatório de coleta seletiva e promover a instalação de ecopontos em cada uma das regionais no prazo de dois anos

Combustível limpo na frota de ônibus:

Estudos feitos pela BHTrans mostram que os cerca de 3 mil ônibus do sistema de transporte coletivo consomem todo mês 7,5 milhões de litros de óleo diesel, o que resulta na emissão de 230 mil toneladas de CO2 equivalente por ano. Caso se optasse pelo uso do biodiesel com concentração de 20% (B20), a cada ano ocorreria redução de 10% da emissão. Ou seja, seria como se 300 veículos deixassem de circular. Se a opção fosse pelo B50, a redução da emissão de gases de efeito estufa seria 2,5 vezes menor. Mas, dada a pouca disponibilidade do combustível nos postos, a opção deve ser pelo etanol. Por isso, a prefeitura prepara estudos para saber a viabilidade da alteração.

Fonte: Lei 10.175/2011 (Política Municipal de Mitigação dos Efeitos de Mudanças Climáticas)

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