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Estado de Minas

Negros são maioria entre os mineiros, aponta Censo 2010


postado em 30/04/2011 07:59 / atualizado em 30/04/2011 08:00

Pela primeira vez na história do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população negra superou a branca em Minas Gerais. Como no resto do país, o estado registrou um crescimento da população acima de 40 anos e o decréscimo dos jovens (menores de 19 anos). Minas Gerais tem hoje de acordo com o recenseamento feito no ano passado 15.731.961 habitantes. Diferentemente do resto do Brasil, onde o sexo feminino é majoritário, no estado há praticamente um equilíbrio entre homens e mulheres, apesar da a maioria da população pertencer ao sexo feminino.

De acordo com os resultados do Censo 2010, 45,4% dos mineiros se autodeclararam brancos contra 53,5% que se denominaram negros. Luciene Longo, demografa do IBGE em Minas Gerais, explica que para o instituto são consideradas negras as pessoas que se dizem pretas ou pardas. De acordo com o censo, 9,2% da população é preta e 44,3% parda. Há 10 anos, os brancos eram 53% e os negros 45,4% (37,6% pardos e 7,8% pretos).

“Minas Gerais está acompanhando o aumento da população preta e parda verificada em todo o Brasil. A explicação para isso é o aumento da miscigenação e a diminuição do preconceito, que faz com que as pessoas não tenham vergonha de se autodeclarar negras. No caso de Minas Gerais, um dado surpreendente é o aumento da população preta. Há 10 anos eles representavam 7,8% da população do estado. Hoje são 9,2%”, avalia a pesquisadora. Essa também é a principal explicação para o aumento da população preta e parda dada pelo motorista aposentado Luiz Carlos Miranda, de 66 anos. Segundo ele, antigamente, “negro só casava com negro e branco só casava com branco. Agora está tudo misturado”, comentou.

Outro dado que acompanha o Brasil é o aumento da população acima de 40 anos e o declínio dos jovens com menos de 19 anos, queda acentuada principalmente entre os homens. A explicação para isso, segundo Luciene Longo, é nada animadora. Segundo ela, historicamente nascem mais homens em todo o país, mas a população masculina tem diminuído em todas as faixas etárias, principalmente entre os mais jovens, por causa da violência. “Nas grandes capitais a mortalidade masculina é ainda maior do que no resto do país, por isso as grandes cidades têm registrado mais mulheres que homens”, explica. Em Belo Horizonte há 1.261.638 mulheres contra 1.113.513 homens. Na ponta do lápis, esses dados significam 148.125 mulheres a mais. No estado, essa diferença é de 313.576.

As estudantes Sheila Pimenta, de 24, e Ana Carolina Sacchi, de 19, disseram que mesmo antes da divulgação do Censo 2010 já dava para perceber o aumento da presença feminina. “Na balada, principalmente”, brincou Sheila. Em relação ao aumento dos pretos e pardos ela considera positivos os dados divulgados ontem. “Isso deixa bem claro que as pessoas estão assumindo sua cor sem problema. Isso é muito bom.”

Em relação à diminuição do preconceito, pela primeira vez o Censo IBGE incluiu na pesquisa um levantamento sobre os casais gays. Luciene Longo destaca que os números do Censo que apontam 4.098 casais formados por pessoas do mesmo sexo em Minas Gerais se referem apenas a pessoas que vivem relações estáveis. “São pessoas que vivem juntas.” De acordo com os dados, as uniões homossexuais no estado representam 0,11% de todos os casais, cerca de 3,85 milhões. No Rio de Janeiro, estado onde foi levantado o maior número de uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo (10.170 casais), essa taxa é de 0,32%.

Certidão

Pela primeira vez no levantamento do Censo IBGE, Minas assumiu a liderança em todo o Brasil do número de pessoas com menos de 10 anos com registro em cartório. Segundo Luciene Longo, o Rio Grande do Sul historicamente sempre liderou a questão de registro. “Foi a primeira vez que Minas ficou em primeiro lugar. O motivo foram diversas campanhas feitas pelo governo estadual para incentivar os registros.” Segundo ela, nessa faixa etária quase a totalidade das crianças (99,6% ) têm registros. O menor percentual de crianças com certidão de nascimento foi registrado em Roraima (89,4%), no Norte do país.

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