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Estado de Minas

Alegria de viver

Agradecida pela oportunidade de chegar aos 70 anos trabalhando com o que mais gosta, a estilista Sonia Pinto quer agora encontrar um novo caminho para levar uma vida mais leve


postado em 26/05/2019 04:08

(foto: Thiago Oliveira/Divulgação)
(foto: Thiago Oliveira/Divulgação)



Os 70 anos chegaram e Sonia Pinto dá uma pausa para celebrar e refletir sobre a vida. “É tempo de repensar o que vale a pena, buscar um pouco mais de paz e alegria, saborear mais a vida, buscar uma leveza que nunca tive.” A estilista aproveita este momento, em que também completa 45 anos de criação, para repensar os negócios e reestruturar toda a empresa, que tem se renovado com a chegada de uma turma jovem na equipe de estilo. Mas isso não significa parar de trabalhar.
A nova idade chamou a atenção da estilista, que se vê diante de sete décadas de tentativas, erros e acertos, perdas e ganhos. Para Sonia, é um prazer ter chegado até aqui e ela quer celebrar o máximo que puder. As comemorações começaram em Belo Horizonte, passaram por São Paulo e no dia 4 de junho chegam ao Rio de Janeiro. “Perdi tantos amigos do coração, como Mabel Magalhães e Carico, gente tão jovem que se foi, que fico avaliando a oportunidade de chegar aos 70 e fazer o que acredito. Então, é uma vitória, uma grande benção e estou em um momento de muita gratidão.”


A estilista aproveita o momento para parar um pouco, olhar para a vida, ver quais são as possibilidades daqui em diante e planejar o futuro. “Estou me reestruturando primeiro por dentro, para saber qual caminho seguir, estabelecer novas regras, repensar a empresa de uma forma geral. Mas parar de trabalhar não vou, porque vivo dele e amo o que faço”, avisa.
Sonia está formando uma nova equipe de criação, da qual faz parte a sua filha, que já trabalha na empresa há 10 anos.

 

Branca nasceu no meio dos panos e foi manequim da marca, então tudo se deu de forma natural e espontânea. “O que puder ensinar e compartilhar para este equipe vou fazer com o maior carinho. Falo para eles sobre a poesia da vida, que não pode se perder, a fagulha no olhar, a atenção e o carinho para este trabalho. Estou tentando, tomara que consiga.”
Aos poucos, a marca vai rejuvenescendo, mas Sonia cuida para não perder de vista qualidade e poesia, itens que para a estilista são “imperdíveis”. Um sinal desse novo caminho é a escolha das cores. As coleções sempre foram bem neutras, com foco em preto, off white e blé (um azul noturno), mas hoje estão surgindo tons diferentes. “Uma cor nova que entrou e está florescendo é o verde, que está dando um toque interessante para o trabalho. Os cáquis também são super bacanas”, aponta.


Sonia está amando acompanhar o rejuvenescimento da marca, e ela tem notícia de que os clientes também. Até porque a estilista reconhece que, ela mesma, não consegue fazer o que o público quer. Faz as roupas e procura donos, mas eles estão sempre por aí. Em geral, são pessoas que têm coragem de ser diferente, ter personalidade e atitude própria. “Apesar de o jovem de hoje estar muito igual, não sei se para ser aceito ou não, acho que, com esta turma nova, vamos buscando outra direção.”


Mesmo com todas as mudanças, a roupa continua sendo arrojada, minimalista, o mais atemporal possível, porque Sonia não gosta de trabalhar com nada descartável. “A nossa roupa é feita com muito amor, não envolve trabalho escravo, não facciono nada, tudo é feito dentro da oficina, não tem uma grande produção, mas ela continua sempre impecável, pela qualidade, modelagem e matéria-prima.” A estilista se orgulha de suas parcerias com artesãos para fazer tecidos especiais. Dublagens, lavagens, pinturas, bordados, uma série de trabalhos manuais vão compondo a coleção.


Particularmente, Sonia ama o inverno. “É o momento em que pessoas ficam mais bonitas. Apesar de não termos um inverno rigoroso, essa é a fase em que podemos nos vestir melhor. Como gosto de volumes e sobreposições, o inverno fica bem bonito.” Nesta coleção, alguns dos tecidos mais especiais são os impermeáveis com textura de seda, gabardines de lã, algodão empapelado (com volume de papel, mas uma estrutura confortável por ser algodão), além de sedas, tafetás e tricôs exclusivos.

NOVO OLHAR Depois de 45 anos de criação, Sonia fala com propriedade que não tem mais o que inventar, não existem mais formas inusitadas, tudo já foi feito. É preciso recriar as roupas com a sua própria poesia, o seu próprio olhar, com outro enfoque. No caso dela, sempre houve a preocupação com o conforto. “Deixo espaço entre a roupa e o corpo, a meu ver muito necessário. Um lugar onde cada um expressa a sua atitude, o seu jeito de ser, a sua beleza, um espaço para o corpo se mostrar, se locomover.”


Sobre o futuro da moda, ela até acha que pode ser utopia, mas espera que as pessoas procurem cada vez mais ter atitude própria, de acordo com as suas possibilidades e com o que acreditam. “Ter dinheiro não significa andar na moda, sem julgamento nenhum, porque cada ser humano é único. Acho que as pessoas deveriam se comportar dessa forma, serem únicos, com as suas possibilidades, e não tentar ser cópia. O mundo está cheio de cópias”, observa.


A estilista considera um grande privilégio estar ao lado dos filhos. Thiago (fotógrafo), Norton Júnior (administrador) e Fabiano (designer gráfico) trabalham na empresa. Existem planos de Branca assumir a criação, mas a mãe tem a clareza de que só o tempo vai dizer, pode ser que ela queira, pode ser que não. Mas ninguém fala em continuidade. “Essa questão de continuar é muito relativa. Cada ser único, então tem outra direção, outra mente, outra criatividade. Não seria propriamente continuar. Enquanto ela puder levar a marca adianta, vai ser maravilhoso.”


Sonia não pensa em parar de trabalhar, só quer mesmo diminuir o ritmo. Às vezes, ela chega a trabalhar 18h por dia. “O meu trabalho é a minha força, alimento da minha alma, amo o que faço.” A estilista está gostando de trabalhar junto com essa turma mais jovem, cheia de energia, e sempre aprende muito com eles. “A gente morre aprendendo e não sabe nada.”


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