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Linguagens do amor

Você conhece a linguagem do amor que seu parceiro ou parceira fala? Se está tentando replicar a linguagem de sua família de origem ou a que acha melhor, cuidado pois pode não ter o efeito desejado.%u201D


postado em 03/03/2019 05:09

Quando eu era jovem, estava naquela fase em que a gente se apaixona e deixa de gostar de uma hora para a outra numa velocidade bem adolescente, ouvi de alguém que para um casal ter sintonia era preciso que um entendesse ao outro sem a necessidade de se trocar uma única palavra. Basta um olhar que o outro capta toda a essência do que se deseja. “Que coisa linda! ”, pensei na época. Passadas várias décadas depois dessa revelação ainda não consegui sair da admiração. Como são lindas nossas ilusões! E como são restritivas.


Imagine você minha situação. Em abril farei 30 anos de casada, depois de namorar por cinco anos, e até hoje me pergunto o que meu companheiro está tentando me dizer em determinadas situações. De fato, sei quando ele está com raiva, pois a cara que faz não deixa dúvidas quanto ao sentimento, sei também quando está se desculpando por algo sem que para isso precise falar, assim como sei quando ele quer ir embora de uma festa, percepção esta que me ajuda a fugir da perseguição que se inicia caso eu queira ficar mais um pouco.


Aprendi a ler os comportamentos dele, assim como ele os meus, depois de décadas de convivência diária, depois de “comermos sal no coxo” juntos muitas vezes. Não porque sejamos mágicos, adivinhos ou telepatas. Não. O amor tem uma linguagem que se desenvolve ao longo dos anos, amadurece a partir das vivências e das experiências individuais e comuns sendo o diálogo, com palavras e expressões bem claras, sua principal ferramenta.


Para isso precisamos saber qual a linguagem de nossos parceiros. A família de origem na qual cada um de nós foi criado desenvolveu uma linguagem própria que permeia suas dinâmicas. Seria como dizer que cada núcleo familiar tem sua cultura, sua forma de estabelecer a harmonia e a desarmonia. Conheci uma família que aproveitava as refeições de domingo para brigar, chorar, abraçar, declarar ódio e amor entre seus membros. Fora dali a convivência era mais tranquila, isso porque durante a semana eles só se cruzavam e no domingo tinham mais tempo para iniciar e finalizar as discussões.


Assim se amavam, pois sempre davam um jeito de chegar a um acordo, mesmo se para tal precisassem de mais de um final de semana. Ir ao fundo nas discussões, colocar para fora as mágoas até que encontrassem o equilíbrio, era a linguagem pela qual comunicavam seu amor uns pelos outros. Outra família busca na alimentação as formas de manifestar o sentimento. É um tal de trocar não apenas receitas, mas pratos deliciosos, que não há sapo de fora que resista. No fim das contas é difícil saber a quem pertence esta ou aquela vasilha, este ou aquele tabuleiro, tal a quantidade de rodam de casa em casa.


Você conhece a linguagem do amor que seu parceiro ou parceira fala? Se está tentando replicar a linguagem de sua família de origem ou a que acha melhor, cuidado pois pode não ter o efeito desejado. Não adianta encher seu parceiro de bolo, como fez a vida toda sua mãe com você, se para ele isto não passa de uma tentativa de engordá-lo. É preciso antes descobrir o que de fato ele entende como demonstração de amor e estabelecer uma dinâmica própria para o casal, dinâmica esta que muda com o tempo pois se não somos mais os indivíduos que éramos anos atrás, não será o casal que permanecerá estacionado. Por isto, aquele olhar que um dia significava algo, hoje pode mais nos iludir que esclarecer.


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