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Estado de Minas

Goleiro Bruno encaminha acerto com time da terceira divisão de Minas

Mandante do assassinato de Eliza Samudio garantiu passagem para o regime semiaberto em 18 de julho


postado em 13/08/2019 21:03 / atualizado em 14/08/2019 11:46

Goleiro chegou a assinar com o Boa Esporte, mas teve que voltar à prisão após sua liberdade ter sido revogada(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press - 15/03/2017)
Goleiro chegou a assinar com o Boa Esporte, mas teve que voltar à prisão após sua liberdade ter sido revogada (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press - 15/03/2017)

O goleiro Bruno Fernandes vai voltar ao futebol. O mandante do assassinato da modelo Eliza Samudio, ocorrido em 2010, acertou contrato para representar o Poços de Caldas-MG na terceira divisão do Campeonato Mineiro do ano que vem. 

Em 18 de julho, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) concedeu progressão de pena a Bruno e ele teve direito ao regime semiaberto. Uma das exigências do juiz Tarciso Moreira de Souza, inclusive, era que o goleiro trabalhasse. 

A informação foi divulgada pelo Jornal Mantiqueira, de Poços de Caldas, na Região Sul do estado. 
 
Pelas redes sociais, o Poços de Caldas já comemorava, durante a semana, a concretização de “uma grande contratação”. “Nosso trabalho é um trabalho social, dando oportunidade para todos. Em breve, estaremos anunciando uma grande contratação. E de meus agradecimentos a todos (sic)”, informou o clube. 

Em outro post, a agremiação garantiu que voltaria às atividades neste mês. Informou, ainda, que a atual administração daria “oportunidades para todos aqueles que almeja (sic) ser um atleta profissional”.

Segundo a decisão judicial que concedeu o regime semiaberto ao goleiro, Bruno deve ficar em casa no período entre 20h e 6h. A decisão anulou a falta grave cometida pelo réu, aplicada devido à matéria publicada pela TV Alterosa Sul de Minas, na qual o ex-jogador do Atlético é flagrado em um bar na companhia de mulheres e com uma lata de cerveja em cima da mesa.

Ainda de acordo com o documento, Bruno “satisfaz as exigências subjetivas e objetivas para a concessão da progressão de regime para o semiaberto”. O magistrado também ressaltou que o goleiro "já cumpriu o lapso temporal necessário da pena imposta no regime fechado". O juiz destaca, ainda, que a “conduta carcerária” do ex-jogador lhe garante a “reinserção à vida social”.

O Estado de Minas telefonou para a advogada do goleiro, Mariana Migliorini, mas ela não respondeu às mensagens nem atendeu às ligações.

Possível obstáculo


Uma exigência do juiz Tarciso Moreira de Souza, no entanto, pode atrapalhar os planos de Bruno Fernandes. Conforme o documento que garantiu ao goleiro a progressão de pena, ele não pode deixar a comarca de Varginha sem prévia autorização do Poder Judiciário. 

Por isso, Bruno pode ter dificuldades para treinar no município de Poços de Caldas, distante 154 quilômetros de Varginha. O mesmo vale para as partidas fora de casa.

A reportagem entrou em contato com o Tribunal de Justiça para verificar a questão na noite desta terça-feira. Por meio de nota enviada às 11h21 desta quarta-feira, o órgão informou que a defesa de Bruno ainda não protocolizou nenhum pedido junto à comarca de Varginha sobre a possibilidade de ele atuar em Poços de Caldas. 

“Quando (e se) o pedido da defesa do goleiro chegar, o Ministério Público deverá se manifestar sobre o pedido, para então o juiz Tarciso Moreira de Souza decidir”, informou o TJMG. “A decisão do juiz Tarciso Moreira de Souza, de 18 de julho de 2019, sobre o semiaberto do goleiro, inclui, entre as condições para o semiaberto domiciliar, os seguintes pontos: demonstrar, no prazo de 30 dias, que se encontra trabalhando ou justificar a impossibilidade; em caso da não comprovação de trabalho, deverá prestar serviço em obra, ou instituição pública ou entidade conveniada”, pontua. 

Ainda segundo o TJMG, em regra, desde que demonstrem em juízo que procuraram emprego e não conseguiram, e ouvidos pelo Ministério Público, os presos do semiaberto podem ter o prazo prorrogado para conseguir o trabalho. 

 
Boa Esporte 

 
Esse será o segundo retorno do goleiro ao futebol depois do caso Eliza Samudio. Em 2017, quando ele obteve liberdade graças a uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), Bruno acertou contrato com o Boa Esporte.
 
Ele atuou em poucas partidas até ter a liminar revogada e precisar retornar à prisão. À época, o Boa Esporte chegou a perder patrocinadores que ficaram descontentes com a contratação de Bruno.  


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