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Estado de Minas

Advogado pede proteção para Macarrão após acusação de ter matado Eliza por amor a Bruno

Alegação é de que ele estaria sendo hostilizado na prisão, após as acusações


postado em 14/01/2012 06:00 / atualizado em 17/01/2012 07:04

Luiz Henrique Romão, o Macarrão, estaria sofrendo ameaças de detentos em penitenciária de Contagem(foto: Beto Magalhães/EM/D.A Press - 11/11/10)
Luiz Henrique Romão, o Macarrão, estaria sofrendo ameaças de detentos em penitenciária de Contagem (foto: Beto Magalhães/EM/D.A Press - 11/11/10)

 

O advogado Wasley César de Vasconcelos pediu nessa sexta-feira proteção especial para seu cliente Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, que estaria sendo hostilizado por outros presos da Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Grande BH. Segundo o defensor, depois das declarações do seu colega Rui Caldas Pimenta, advogado do goleiro Bruno Fernandes, de que Macarrão é homossexual e matou Eliza Samudio por ciúmes do ex-atleta, seu cliente está sendo criticado por detentos, sendo chamado de mariquinha e de outros nomes ofensivos, sendo culpado pela prisão do atleta. “Pela reação de Macarrão, ele está muito insatisfeito, acabado. Os presos querem que ele assuma o crime. Eles ficam lá, vendo televisão, escutam um absurdo desse e acabam acreditando”, disse Wasley César.

Para se proteger, Macarrão teria desistido de tomar o banho de sol para evitar contato com outros detentos. No entanto, seu defensor não acredita que ele venha a sofrer violência física, mas quer acabar com o que chama de violência moral. “Às vezes, a violência moral castiga mais do que a física”, disse Wesley Vasconcelos. O pedido de proteção, segundo ele, foi feito à diretora de Ressocialização da Nelson Hungria, Karen Fátima Austin, que se dispôs a resolver o problema.

Para Wasley César, a declaração de Rui Pimenta foi infeliz. “Surtiu mais efeito negativo contra o Bruno do que a favor. Se Macarrão fosse matar por ciúme de Bruno, nesses quatro anos de convivência ele seria o maior serial killer do mundo. Bruno tinha 400 mulheres. Só no processo há a Dayanne, a Elisa, a Fernanda e depois a Ingrid. É um tese furada do defensor de Bruno, totalmente sem nexo. Foi um ato de desespero”, disse Wasley.

Relação

Se Macarrão fosse matar por ciúme de Bruno, nesses quatro anos de convivência ele seria o maior serial killer do mundo. - Wasley Vasconcelos, advogado de Macarrão (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press - 3/11/10)
Se Macarrão fosse matar por ciúme de Bruno, nesses quatro anos de convivência ele seria o maior serial killer do mundo. - Wasley Vasconcelos, advogado de Macarrão (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press - 3/11/10)
O advogado conta que esteve quinta-feira com Macarrão, que garantiu nunca ter tido relacionamento gay e disse que todo mundo do bairro sabe que ele gosta é de mulher, que é casado e tem duas filhas. Ele teria confessado que o que sentia pelo ex-goleiro era gratidão. Segundo o defensor, Macarrão teria falado que foi levado para o Rio para trabalhar como homem de confiança de Bruno. Ainda segundo o advogado, seu cliente foi colocado em uma ala para presos que cometeram crimes sexuais, mas a medida foi para constrangê-lo. “Ele me disse várias vezes que o tratamento que recebe no presídio é diferenciado, pior que o dos demais, mas a doutora Karen garantiu que vai tomar uma providência”, acrescentou.

Para Wasley Vasconcelos, Rui Pimenta tentou jogar em Macarrão a culpa pela morte de Eliza na tentativa de inocentar o goleiro. “Entendo que não há culpado, nem Macarrão, nem Bruno, nenhum dos oito réus. Ele (Rui Pimenta) deve trabalhar com dignidade, com moral, com profissionalismo e ética profissional”, disse.

Para a ex-mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, o advogado Rui Pimenta teria de ter uma prova para declarar que Macarrão é homossexual e que matou Eliza por ciúmes. “Que eu saiba, ele é casado e tem duas filhas. Agora, se ele tinha esse sentimento oculto pelo Bruno, é uma coisa que só ele pode dizer. Acho que a amizade dele com o Bruno era superforte. Agora, chegar à homossexualidade, sei não”, disse Dayanne, lembrando que Macarrão é padrinho de uma filha dela e de Bruno.



Tatuagem

Em suas declarações, o advogado Rui Pimenta disse que a tatuagem feita por Macarrão nas costas – “Bruno e Maka. A amizade nem mesmo a força do tempo irá destruir, amor verdadeiro” – indica sentimento homossexual.

Em seu primeiro depoimento prestado à Polícia Civil, em 19 de julho de 2010, Macarrão declarou apenas amizade e gratidão pelo goleiro. “Todo emprego que tive na minha vida, eu trabalhei com amor ao que eu fiz. Com o Bruno, a mesma coisa. Sempre vivi no meio do futebol, joguei bola, e pelo fato de estar trabalhando com um cara com quem passei por várias coisas juntos, não digo que é amor. Eu tinha amor de pagar as contas dele. Passamos necessidades financeiras. Não tínhamos nem dinheiro para ir jogar bola em Ribeirão das Neves”, diz Macarrão, em depoimento. O advogado Rui Pimenta não foi encontrado nessa sexta-feira. A informação é de que participava de uma audiência em São Paulo.

Entenda o caso

>>  A modelo Eliza Samúdio, namorada do goleiro Bruno Fernandes, segundo a acusação, teria sido assassinada em junho de 2010, na casa do ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, em Vespasiano, Grande BH.

>>  Ela e o filho recém-nascido, suposto filho do goleiro, teriam sido sequestrados por Luiz Henrique Romão e Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno, no Rio, e trazidos no dia 4 de junho para o sítio do atleta, em Esmeraldas, na Grande BH.

>>  A vítima teria sido mantida em cárcere privado até dia 10, quando teria sido morta fora dali. O ex-policial é apontado como o executor. A criança foi entregue à ex-mulher do goleiro, Dayanne de Souza.

>>  Bruno, Macarrão e Bola aguardam julgamento. Dayanne; a ex-namorada do goleiro, Fernanda Gomes de Castro; o primo Sérgio; o caseiro Elenilson Vitor da Silva; Wemerson Marques de Souza, o Coxinha; e Flávio Caetano de Araújo respondem ao processo em liberdade.

>>  Segundo o Ministério Público, Eliza foi morta porque pedia a Bruno, pai de seu bebê, que reconhecesse a paternidade da criança. Bruno, insatisfeito, teria criado o plano, unindo-se aos outros denunciados, para matar a ex-namorada. O corpo de Eliza não foi encontrado.

 

 

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