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Estado de Minas

Filho do goleiro Bruno comemora primeiro aniversário com a avó


postado em 10/02/2011 10:21 / atualizado em 10/02/2011 12:19

Criança está morando em uma fazenda e se diverte brincando com pequenos animais(foto: Arquivo pessoal)
Criança está morando em uma fazenda e se diverte brincando com pequenos animais (foto: Arquivo pessoal)
O menino Bruninho, filho da modelo Eliza Samúdio, desaparecida desde 9 de junho de 2010, e do goleiro Bruno Fernandes de Souza (ex-Flamengo), completa hoje o primeiro ano de vida. Fruto de um relacionamento conturbado, antes mesmo de nascer o bebê vivenciou situações bem difíceis: a rejeição do pai, as agressões e ameaças contra a mãe desde quando ele ainda estava no útero. Aos 4 meses, após o nascimento, o sequestro e o cárcere privado no sítio em Esmeraldas, seguidos do abandono nas mãos de desconhecidos, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Para a Polícia Civil e o Ministério Público, Bruninho foi o pivô da trama que resultou no assassinato de Eliza, submetida a sessão de tortura e executada com requintes de crueldade. Ela exigia o reconhecimento da paternidade, enquanto Bruno optou pelo aborto. Sem sucesso, o jogador é apontado de ter arquitetado o sequetro e morte da ex-amante. Há informações de que o menino também seria morto, mas foi poupado no último momento.

Mesmo tão criança, o menino já carrega um passado marcado pela crueldade. O futuro dele também é incerto, já que a Justiça ainda não determinou se ele continuará aos cuidados da avó, a sitiante Sônia de Fátima Moura, com quem está morando no município de Anhanduí, a 30 quilômetros de Campo Grande (MS), ou do avô, o arquiteto Luiz Carlos Samúdio, 46, que reside em Foz de Iguaçu (PR). A batalha entre eles já foi traçada. Cada um apresentou as suas cartas, e a trocas de acusações entre eles são seríssimas.

Sônia, que tem a guarda provisória do menino, diz que tenta oferecer ao neto a vida que não teve como dar à filha. As duas se separam quando Eliza tinha apenas cinco meses. Sônia acusa o ex-marido pela situação. Para ela, cuidar de Bruninho, é um grande conforto. “Apesar de todo o meu sofrimento pela morte da Eliza, é muito gratificante poder ficar 24 horas por conta do meu neto. Estou exercendo novamente a maternidade. Hoje estou mais centrada, mais calma, aprendendo muito com ele. A cada dia, ele aparece com uma novidade, o que enche meu coração de felicidade”, disse ela.

Parabéns e brincadeiras
Esta semana, Sônia está em volta dos preparativos para a comemoração do aniversário de Bruninho, que será celebrado no domingo, na companhia dos familiares e amigos. “Vamos fazer uma brincadeira, com bolo, balões, músicas e o parabéns. É um presente para ele, que é uma criança muito feliz e transmite felicidade a todos à sua volta”, disse ela. Segundo a avó, o menino já troca alguns passinhos, canta parabéns, já diz mamãe, vovó e vovô, e reconhece Eliza nas fotografias coladas na parede do quarto dele e na sala da casa. Na rotina da vida na fazenda, Bruninho tem acesso à área verde e se diverte brincando com pequenos animais.

"Ele é um pedacinho de Eliza"

O avô, Luiz Carlos Samúdio, lamentou passar a data longe do neto. Ele diz que, desde que a Justiça passou a guarda provisória para a ex-mulher, não teve mais contato com a criança. Segundo ele, as notícias que recebe chegam dos parentes de Sônia, que vivem em Foz de Iguaçu. “Eu perdi a minha filha e o Bruninho é um pedacinho dela que nos foi deixado. Planejei outra vida para ele. Até hoje mantenho o berço dele com todo o enxoval que compramos quando ele veio morar comigo e minha família”, desabafou o avô.

Luiz Carlos disse que já entrou com um recurso na Justiça para pelo menos ter o direito de visitar o neto, enquanto não sai a decisão da guarda definitiva.

Alicerce para administrar o passado

Administrar o passado, com a história do sequestro e assassinato da mãe, será o desafio de toda a vida de Bruninho. Para lidar com a situação, o menino precisa de um lar que tenha estrutura emocional e moral. A psicoterapeuta de família Ana Carolina Morici, professora de piscoterapia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas), explicou ser fundamental esse alicerce para a criança, pois mesmo muito novo, ela carregará para sempre em seu subconsciente todo o sofrimento que enfrentou ainda na barriga da mãe, e os dias que passou com ela no sítio em Esmeraldas.

“Com um bom embasamento emocional, as crianças vítimas de traumas dessa gravidade conseguem administrar bem o conflito. A família, nesse caso a avó, precisa do acompanhamento profissional para poder ajudar a criança da melhor forma”, disse Ana Carolina.

Sobre contar a verdade, a especialista, acredita ser essa a melhor opção. Segundo ela, uma hora a história virá a tona e a avó tem que estar preparada para explicar o acontecimento, e ajudar o menino nessa questão bem delicada.

A advogada de Sônia, Maria Lúcia Borges, afirmou que a sua cliente está fazendo o acompanhamento psicológico necessário, com profissionais do Fórum de Campo Grande, para poder saber lidar com a situação enfrentada pelo neto e quando chegar a hora, poder responder as perguntas que surgirão sobre o caso. “Ela não quer viver com a mentira. Está sendo preparada para saber enfrentar a situação. Ela foi orientada a escolher a verdade e criando uma base para poder responder e o que responder quando a criança começar questionar da situação”, explicou Maria Lúcia.

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