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Estado de Minas

Paul McCartney está morto?

A lenda sobre a morte de Paul McCartney instiga a curiosidade dos fãs


postado em 12/11/2012 12:28 / atualizado em 12/11/2012 11:55

(foto: AFP PHOTO / POOL / CAMERON SPENCER )
(foto: AFP PHOTO / POOL / CAMERON SPENCER )

Um acidente de moto de Paul em 1966, sem grandes consequências, foi o estopim deste grande boato que ganhou contornos de veracidade no final da década de 1960: Paul McCartney estaria morto e foi substituído por um sósia. Na verdade, com o acidente Paul teve um pequena cicatriz perto da boca, o que o forçou a usar bigodes durante um período para escondê-la. Ele teria sido substituído por um sósia, que se parecia com Paul, mas ostentava uma cicatriz no mesmo local.

Paul teria morrido em um acidente de carro, às cinco horas da manhã do dia 9 de novembro de 1966. De acordo com a letra de A day in the life: "he blew his mind out in a car... he didn't notice that the lights had changed" ("Ele arrebentou a cabeça em um carro... Não percebeu que o sinal havia mudado"). Mas na verdade, esta parte da letra é de Lennon sobre Tara Browne, amigo da banda que morreu em um acidente de carro, de acordo com Steve Turner, autor do livro The Beatles – A história por trás de todas as canções.

Desde então, muitas pessoas levaram a sério tal premissa e investigaram pistas que a banda deixou após o ocorrido. E foram muitas que indicariam a suposta morte, mas que não passam de mera coincidência. O fato é que a banda soube explorar muito bem este boato, ganhando ainda mais repercussão. No site Whiplash estão listados vários deles, mas alguns indícios são absurdos e exigem demais da compreensão (ou crença) do fã, mas outros são bem razoáveis, caso Paul de fato estivesse morto, pois apresentam vínculos. São eles:

No álbum Revolver (1966):

Em Eleanor rigby, trecho da letra diz “Father McKenzie wiping the dirt from his hands as he walks from the grave” (Padre McKenzie enxugando/limpando a sujeira de suas mãos após sair do túmulo). Na verdade, Father McKenzie seria Father McCartney. O que é verdade, de acordo com o escritor Steve Turner. Mas realmente, a relação do padre está com Eleanor Bygraves, que Paul adaptou para Rigby. A partir daí, a história da música foi criada e Ringo sugeriu que um padre chamado “Father McCartney” poderia estar cerzindo as próprias meias. Paul gostou da ideia, mas trocou o sobrenome (McCartney, por McKenzie, que ele achou na lista telefônica), para que não o confundissem com seu próprio pai, pois “father” em inglês significa “pai” e “padre”.
Dr. Robert no boato seria quem tentou salvar Paul da morte, em virtude dos trecho He does everything he can, Dr. Robert ("Dr. Robert faz tudo o que pode fazer") e “you're a new and better man" ("você é um homem novo e melhor") fazendo alusão ao "novo" Paul. Na verdade, de acordo com o mesmo livro de Steve Turner, Dr. Robert prescrevia drogas recreativas para vários artistas em Nova York.

Clique na foto para ampliar(foto: Reprodução / Blogspot)
Clique na foto para ampliar (foto: Reprodução / Blogspot)

No álbum Sgt. Pepper's lonely hearts club band (1967) :

A própria capa do álbum sugere o enterro de Paul:

O arranjo de flores estava desenhando o formato do baixo Hoffman de Paul. O desenho do instrumento está virado para a esquerda, pois Paul é canhoto. Existem três cordas no desenho do instrumento. Se cada corda representasse um integrante, estaria faltando um.


Na capa, estão quatro figuras de cera dos Beatles, em 1964. Eles estão todos tristes, olhando para o suposto túmulo. Ao lado, os Beatles "atuais" (em 1967) seguram instrumentos metálicos, menos Paul, que segura um oboé feito de madeira negra, que seria associada com sua morte.


Acima da cabeça de Paul, há uma mão aberta, como se estivesse acenando, dando adeus. Ela também aparece, de forma mais tímida, nas capas do álbuns Revolver e da trilha sonora do filme Yellow submarine.
No encarte, sobre a cabeça de Paul está escrito Without you ("sem você"), que é parte do título da canção Within you, without you.


No final da faixa-título, ouvimos Paul anunciando: "Let me introduce to you, the one and only Billy Shears" ("deixe-me apresentá-los o primeiro e único Billy Shears"). A frase seria um código para apresentar o sósia de Paul, William Campbell: o diminutivo de William seria Billy. Foi usado "Billy Shears" para não dizer "Billy's here" (Billy está aqui). Mas na verdade, Billy Shears é um pseudônimo para Ringo, pois o álbum era um trabalho conceitual, inclusive os Beatles eram a “Sgt. Pepper's lonely hearts club band”.

No álbum Magical mystery tour (1967):

No livro que vinha junto com o disco em sua versão original havia uma foto dos Beatles cada um com uma flor vermelha na lapela. Menos Paul, que usava uma flor preta. Este figurino pode ser conferido no videoclipe de Your mother should know.

No álbum Abbey Road (1969):

À esquerda, a placa do Fusca traz a inscrição LMW 28 IF. O "LMW" significaria "Linda McCartney weeps" (Linda McCartney, a então mulher de Paul, chora). Ou "Linda McCartney widow" (viúva, no caso). O "28 IF", seria "28 years if alive" (28 anos se vivo), referindo-se à idade de Paul, que na época do disco tinha 27 anos, ou "28 anos incompletos".


Os quatro Beatles estão andando em fila, simbolizando um enterro. John, de branco, seria o padre; Ringo, de preto, seria o agente funerário; Paul é o cadáver e George, de jeans, o coveiro.


Paul é o único dos quatro que está com uma passada diferente dos demais e está segurando um cigarro na mão direita, sendo que ele é canhoto.


Paul também é o único que está descalço, simbolizando sua morte. No programa David Letterman em 2009, Paul explicou que estava muito quente no dia, por isso ele preferiu andar descalço, mas que nas sessões estaria de chinelos, fato comprovado por esta foto.

 

(foto: Reprodução / Wordpress)
(foto: Reprodução / Wordpress)
 


Não é necessário explicar o porquê dos olhos fechados de Paul na foto.


Em entrevista para a revista Rolling Stone em abril de 1970, Paul McCartney afirmou que não conseguia entender o boato, que no início o divertia, mas logo o deixou aborrecido.

“Quando ouvi o boato, achei ótimo, pensei em James Dean. Fiquei observando a peça teatral se desenrolar, na época não achei engraçado. Mas tive problemas ao chegar na Escócia. Lá as pessoas são enxeridas, a imprensa ficou forçando este assunto, não foi legal, mas hoje sou capaz de rir, de verdade.”

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