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Estado de Minas

Passados dez anos do atentado, a autoridade moral dos EUA está "low profile"

Alguns pensaram que o novo presidente americano seria capaz de restabelecer a primazia do direito, pisada, segundo alguns, pelo predecessor George W. Bush, disseram analistas


postado em 08/09/2011 12:18 / atualizado em 08/09/2011 18:45

"Guerra contra o terrorismo", Guantánamo, prisões secretas da CIA: dez anos após os atentados de 11 de Setembro, a vaga de compaixão da qual os Estados Unidos se beneficiaram refluiu e o país ainda não conseguiu recuperar sua autoridade moral. Ao chegar à Casa Branca, em janeiro de 2009, Barack Obama despertou imensa esperança. Alguns pensaram que o novo presidente americano seria capaz de restabelecer a primazia do direito, pisada, segundo alguns, pelo predecessor George W. Bush.

Especialistas consideram que Obama decepcionou. "O governo Obama pôs de lado a fraseologia belicista do governo Bush, mas sem dar um fim definitivo no arsenal jurídico (do governo Bush) para enquadrar a condução de conflitos", considerou Hina Shamsi da ACLU, uma influente organização americana de defesa dos direitos humanos.

Neste arcabouço legal estabelecido pelo governo Bush para realizar a "guerra contra o terrorismo" estavam incluídas as detenções por tempo indeterminado de suspeitos, os tribunais militares de exceção, os assassinatos, visando as pessoas suspeitas de terrorismo, segundo Shamsi. É preciso destacar que esta postura não representa apenas "um grave perigo para os direitos humanos e o estado de direito". Os "aliados" de Washington "a percebem também como uma grave ameaça".

Tudo começou durante o governo Bush, quando, sob o pretexto falacioso de procurar armas de destruição em massa, os Estados Unidos lançaram, com a ajuda de países aliados, a invasão do Iraque em 2003. Em seguida, esta mesma administração precisou enfrentar um fogo cerrado de críticas sobre a maneira pela qual as pessoas suspeitas de terrorismo eram tratadas.

Washington não hesitou em sequestrar suspeitos para transferi-los a prisões secretas sem nenhuma acusação e submetê-los a torturas. Cerca de três anos após sua eleição, Barack Obama não pôs fim a essas práticas, senão parcialmente. Os assassinatos de suspeitos, com a ajuda, principalmente, de drones, os aviões sem piloto, continuam.

Para Hina Shamsi, por mais que o governo Obama justifique as ações dos drones no Paquistão, utilizado por insurgentes como base, e a morte de suspeitos em países com os quais os Estados Unidos não estão em guerra, como o Iêmen e a Somália, essas ações são dificilmente defensáveis. Pior, o símbolo dos excessos da era Bush, a prisão da base de Guantánamo em Cuba está ainda em atividade, apesar da promessa de Barack Obama de fechá-la.

Enfim, estima Brian Katulis do Center for American Progress, os Estados Unidos dilapidaram o capital de simpatia conseguida no momento dos atentados de 11 de Setembro. "Após um breve período de empatia expresso pelo restante do mundo após os ataques, a guerra no Iraque arranhou amplamente" este capital, disse ele.

Wendy Chamberlin, ex-embaixadora dos Estados Unidos no Paquistão, admitiu que o presidente Obama jogou uma ducha fria em boa parte das expectativas que ele próprio despertou. Mas, comentou, de qualquer forma, permitiu aos Estados Unidos melhorar um pouco sua imagem no cenário internacional, em relação à era Bush.

A política de George W. Bush "nos fez muito mal. Todo o planeta, mesmo nossos aliados na Europa, perderam confiança em nossa autoridade moral", insistiu Wendy Chamberlin. E Brian Katulis acrescentou: "o centro do problema é que não fizemos tudo o que anunciamos (no governo Obama), tanto o fechamento de (a prisão) Guantánamo ou fazer avançar o processo de paz no Oriente Médio".

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