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O 'olho do dono' faz a diferença em bares e restaurantes de BH

Proprietários de botecos e pequenos restaurantes comandam o balcão ou a cozinha, conquistando a confiança do freguês. Walmir José de Almeida, do Bar do Walmir, é um deles


postado em 04/10/2019 04:00

 (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)


Não há badalação, modernidades gourmet nem invencionices. Em BH, casas simples “de bairro” conquistam a freguesia oferecendo algo precioso: o olho do dono. Ou aquela “boa mão” ao lidar com fogões, panelas e pratos tradicionais.

Em Santa Tereza, o Bar do Walmir aposta na comida da vovó. Há 10 anos Walmir José de Almeida comanda a casa. Ele foi campeão mundial de futebol de salão pela Seleção Brasileira, trabalhou em banco, fabricou sapatos. Porém, só encontrou sua verdadeira vocação quando o cunhado decidiu lhe vender o então Bar do Dondinho.

“Não pensei duas vezes. Me desfiz da fábrica de calçados e comprei”, conta Walmir. E mudou tudo por lá, além da placa na porta. “Meu pensamento sempre foi comer aquela comidinha caseira e nunca repetir pratos. Por isso, meu cardápio muda de acordo com o dia da semana”, informa.

Como o público vegano e vegetariano só faz crescer, ele não se aperta. “Podem vir. Tenho opções para esses clientes também, as nossas saladas. Se precisar, faço prato especial. É só pedir.”

Às segundas-feiras, Walmir serve carne cozida, macarronada ao sugo, arroz e feijão. Na terça, tem frango frito com maionese, farofa de couve com ovo, arroz e feijão. Quarta-feira é dia de pernil de panela, tutu com couve e arroz. Na quinta, a carne cozida vem com mandioca, almeirão, arroz e feijão. Sexta-feira é dia de feijoada. Todas essas pedidas chegam à mesa com salada.

Quem quiser variar não fica com fome. Walmir oferece bife de boi, bife de porco, tilápia e omelete de queijo como alternativas. O preço da refeição é R$ 14 e R$ 18 (com tilápia).

DNA 

Não é exagero dizer que o feijão-tropeiro se tornou “cartão-postal” da culinária mineira. Os turistas que o digam... Com 28 lugares – quatro mesas do lado de dentro e três lá fora –, a Torresmeria, no Bairro Floresta, é pequena, mas se garante.

Jonny, o simpático garçom, confirma: o tropeiro de lá tem tudo a ver com aquele do famoso Bar 13 do Mineirão. Marcos Vinicius Resende Corrêa, dono da casa, revela: a cozinheira é Suzana Imaculada. “Ela é filha da Dalva do Bar 13.” O freguês paga R$ 20 pelo prato.

O bar da Floresta também capricha no torresmo de barriga. Outras atrações são o croquete de porco, o lombo pururucado e o pastel de queijo canastra. (ID)

BAR DO WALMIR
Esquina das ruas Quimberlita e Tenente Vitório, Santa Tereza. (31) 97574-6810. Almoço: de segunda a sexta-feira, das 11h às 16h. De quarta-feira a domingo, funciona das 11h à meia-noite.

TORRESMERIA
Rua Tabaiares, 20, Bairro Floresta. (31) 98413-8892. Abre de quarta a sexta-feira, das 18h à meia-noite; sábado e domingo, das 10h às 18h30.

Suzana Imaculada e Marcos Vinicius Corrêa capricham no tropeiro do Torresmeria (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Suzana Imaculada e Marcos Vinicius Corrêa capricham no tropeiro do Torresmeria (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)

O cantinho do Ceará

Quando a publicitária cearense Glauça Pinheiro se aposentou, decidiu abrir um pequeno restaurante em BH, cidade onde mora há muito tempo. Há 14 anos ela comanda o Cantinho da Glau, no Bairro Sagrada Família.

“A casa é pequena, mas fica em um local privilegiado. As pessoas descobriram a minha comida nordestina. Sirvo carne-seca e baião-de-dois, além de dobradinha e do torresmo de barriga pururucado”, conta ela.

O Cantinho é fruto de um projeto afetivo. “Queria resgatar os amigos, uma vez que estávamos afastados em virtude da aposentadoria de vários deles. Consegui, e ainda fiz novos amigos. A princípio, o meu objetivo não era ganhar dinheiro, mesmo porque esse ramo é complicado, principalmente com a economia louca deste país. O que conta pra mim é o prazer de trabalhar e de cozinhar”, diz Glauça.

Outro de seus prazeres é divulgar a culinária do Nordeste. Ela tem orgulho do baião-de-dois à moda de Fortaleza, sua terra natal. “O que é servido em alguns bares daqui de BH, com certeza, não é tão saboroso quanto o meu, modéstia à parte. Tenho bastante know how para oferecer qualidade”, garante. O baião-de-dois da cearense custa R$ 21,90.

“Temos também a carne de sol, que eu mesma preparo, servida com manteiga de garrafa e mandioca cozida”, acrescenta Glau. O preço é R$ 40. A dobradinha é feita por encomenda. O torresmo de barriga pururucado, servido com geleia picante feita por Glau, custa R$ 40.

“Já cheguei a fazer de 60 a 70 pratos de baião-de-dois por dia, mas decidi limitar a quantidade a 15, no máximo”, informa. Glau serve de 6 a 10 pratos de carne de sol e de 10 a 15 torresmos de barriga pururucados. “Não penso em ampliar o negócio no momento, está indo bem dessa maneira. Eu mesma cozinho e administro a casa. Faço compras, cozinho e cuido da parte administrativa. Uma auxiliar me ajuda, mas faço os pratos mais fortes. Gosto de ficar na cozinha”, revela a ex-publicitária.

Entre os tira-gostos, a porção de bolinhos custa R$ 17,90 e o bolinho de bacalhau sai por R$ 21,90. O cliente paga R$ 8,80 pela porção de moela. (AP)

CANTINHO DA GLAU
Rua Stela de Souza, 596, Sagrada Família. (31) 99977-1552. Abre de terça a sexta-feira, a partir das 18h, e sábados, domingos e feriados, a partir das 13h.

Frango frito do Bar do Walmir(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press )
Frango frito do Bar do Walmir (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press )

O gostinho da vovó

Paulo Assunção e Jaidete Moura dos Santos Araújo abriram o Sabor no Quilo, pequeno estabelecimento no  Sion, depois de comandar um sacolão, um açougue e uma mercearia. “Gosto muito de cozinhar, e isso foi fundamental para a nossa decisão”, conta Jaidete.

O self-service aposta na famosa comida da vovó. “Chegamos a vender de 150 a 200 pratos por dia, além de cerca de 50 marmitex”, informa Jaidete. O preço varia de R$ 11,50 a R$ 14,50 (self service). Na balança, o quilo custa R$ 35.

O olho da dona é fundamental. “Faço questão de estar presente todos os dias, ver tudo de perto e de cozinhar com amor. Sendo gostosa, benfeita e agradando aos clientes, a comida faz a nossa fama, pois o pessoal conta para os amigos e vizinhos. O segredo é fazer com carinho”, diz ela.

Jaidete tem quatro funcionários, mas põe a mão na massa. “Vou para a cozinha, faço comida e ainda encontro tempo para ajudar no salão. Por enquanto, ainda não sei se vamos expandir. Esse é o desejo de todo empreendedor, né? Vamos ver como ficará a economia do país, que está passando por uma crise meio complicada”, afirma. (AP)

SABOR NO QUILO
Rua Venezuela, 329, Sion. (31) 3285-2955. Abre de segunda a sexta-feira, das 7h às 15h, e aos sábados, das 8h às 14h.


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