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Eles são a cara de BH

Kaol, tropeirão, bolinho de feijão do Independência, fígado com jiló do Mercado e macarrão do Bolão são 'cartões-postais' da cidade


postado em 07/12/2018 05:06

João Lúcio e Luiz Fernando Ferreira, donos do Café Palhares, exibem o Kaol, o astro do cardápio(foto: Fotos: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
João Lúcio e Luiz Fernando Ferreira, donos do Café Palhares, exibem o Kaol, o astro do cardápio (foto: Fotos: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

 

Belo Horizonte completa 121 anos na quarta-feira (12). A culinária é uma das marcas registradas da aniversariante, onde receitas são passadas de pai para filho. É o caso de um legítimo prato belo-horizontino: o Kaol, especialidade do Café Palhares, antigo reduto boêmio da cidade.

Desde 1938 funcionando na Rua dos Tupinambás, no Centro, o bar foi vendido em 1944 pelos irmãos Palhares a João Ferreira, o seu Neném, recém-chegado de Uberaba. Quando ele assumiu, a casa era especializada em salgados e sanduíches. “Meu pai já trabalhava no ramo de pastelaria. Aqui era um café, que funcionava 24 horas. Lá pelos idos dos anos 1950, meu pai e a cozinheira decidiram fazer uma comida para dar sustança aos funcionários, apenas arroz, ovo e linguiça. Era o começo do Kaol. Naquela época, nem nome ele tinha”, conta Luiz Fernando Ferreira, filho de seu Neném. Depois da morte do pai, em 2003, ele assumiu o negócio em parceria com o irmão, João Lúcio. Seu filho André, de 29, já segue os passos da família.

O prato dos empregados logo despertou o interesse de clientes, como o jornalista Rômulo Paes (1918-1982). Certo dia, ele e seu Neném decidiram batizar o PF. “Como muita gente costumava tomar um aperitivo antes do almoço e do jantar, quase sempre cachaça, surgiu o nome Caol – C (cachaça), A (arroz) e O (ovo). O Rômulo sugeriu colocar o K para ficar mais chique”, brinca Luiz.

O sucesso foi tanto que o Kaol se tornou o astro do cardápio. Hoje, reúne arroz, ovo, farofa com feijão, couve, torresmo, linguiça e molho por cima. “A linguiça é produzida aqui diariamente. É uma receita do meu pai, sem conservantes. Esse é um dos nossos diferenciais”, ressalta Luiz Fernando.

Pode-se pedir Kaol com pernil, carne cozida, dobradinha ou língua. Em média, saem de 350 a 400 pratos por dia. Nos áureos tempos, eram 800. O preço varia de R$ 18,50 a R$ 19,50, de acordo com a carne.

TORCIDA Outra tradição de BH é o bolinho de feijão do Estádio Independência. Tudo começou no Mineirão, graças ao funcionário público Dalci Ferreira de Oliveira, que vendia pão com salame para o pessoal da construção civil. Em 1965, quando o Gigante da Pampulha foi inaugurado, ele servia torcedores e funcionários.

“Em Caetano Furquim, meu pai conheceu vizinhos que faziam bolinho de feijão para consumo próprio. Aprendeu a receita e passou a vender no Centro e nos estádios. Lá se vão 50 anos que a nossa família tira o sustento do bolinho”, conta Márcio Oliveira, de 48, um dos 10 filhos de Dalci, que morreu em 2012.

Durante quatro décadas, a família vendeu a iguaria no Mineirão, Independência, Arena do Jacaré (Sete Lagoas) e Castor Cifuentes (Nova Lima). Porém, devido a regras implantadas nos estádios, desde 2012 os Oliveira deixaram de oferecer a iguaria nas arquibancadas. “Só podemos vender do lado de fora. Mesmo na rua, ainda tem uns problemas com fiscalização. O que nos segura são as encomendas. Faça chuva ou sol, a gente está lá, principalmente no Independência”, avisa Marcos Oliveira.

Márcio vende em Lagoa Santa, enquanto Marcos, Marcílio, Maria de Lourdes e Márcia não abrem mão dos estádios, principalmente o Independência. “Caiu muito o rendimento. O público do futebol mudou demais. Mesmo o Atlético levando 20 mil pessoas e o América 2 mil, nossa maior clientela é americana, pois são os torcedores mais tradicionais”, diz Marcos. A unidade custa R$ 2, enquanto o cento (encomenda) é vendido por R$ 50.

TROPEIRÃO Se o Independência tem o bolinho de feijão, o Mineirão tem o famoso tropeirão. Quem criou a iguaria foi a família de Eliane Assis, proprietária do Bar e Restaurante Tropeiro do 13, no Bairro Planalto. “Minha tia era dona dos bares 11 e 12, na geral, e do 13, na arquibancada inferior. Ela tinha uma pensão e preparava o tropeiro lá. O Bar 13 não tinha muito movimento e ela decidiu testar a receita. Foi tiro e queda”, recorda. “Como o nosso bar era muito frequentado por policiais e pela imprensa, o negócio expandiu e nos tornamos referência”, diz Eliane. “A receita está na minha família há 53 anos, em tenho 51. É como se fosse um parente”, diverte-se. O preço do “tropeiro do 13” varia de R$ 15 a R$ 22.


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