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Estado de Minas FEMINICÍDIO

Quase 26 milhões de brasileiras foram ameaçadas de morte por parceiro ou ex

Pesquisa revela que brasileiros reconhecem a gravidade feminicídio, mas os meios de evitar o crime ainda não são eficazes


13/12/2021 10:00 - atualizado 13/12/2021 16:21

Foto em preto e branco de uma mulher chorando, escondendo o rosto nas mãos
Para 45% das mulheres entrevistadas, o maior risco de morte para uma mulher que sofre de violência doméstica é no momento que ela decide terminar a relação (foto: Kat Smith/Divulgação)


Pesquisa realizada pelos Institutos Locomotiva e Patrícia Galvão, com apoio do Fundo Canadá, constatou que, na percepção da população, o feminicídio tem se tornando mais violento, cruel e mais frequente. Três em cada dez mulheres adultas já foram ameaçadas de morte por um parceiro ou ex-parceiro, isso equivale a 25,7 milhões de brasileiras. Cerca de 91,2 milhões de pessoas, 57% da população, conhece alguma vítima de ameaças de feminicídio.

Para a coleta dos dados, foram entrevistadas 1.503 pessoas, com mais de 18 anos, de todas as regiões do Brasil, entre 22 de setembro a 6 de outubro de 2021. O resultado mostra que, mesmo sendo um termo conhecido e que 98% dos entrevistados reconhecem a gravidade do crime, o feminicídio ainda é um problema muito presente na sociedade brasileira. 

Mais de 90% dos entrevistados concordam que a ameaça de morte é uma forma de violência psicológica tão ou mais grave que a violência física e que quando as agressões e ameaças do homem contra a mulher ocorrem com frequência, podem terminar em assassinato. Nove em cada dez mulheres consideram que o local que apresenta maior risco de feminicídio é dentro de casa, por um parceiro ou ex-parceiro.



Ainda se questiona muito as mulheres que decidem permanecer em relacionamentos abusivos, mas a pesquisa revela que, para 45% das mulheres entrevistadas, o maior risco de morte para uma mulher que sofre de violência doméstica é no momento que ela decide terminar a relação. Trinta e dois porcento acreditam que esse riso é a qualquer momento.

Outros motivos para uma mulher permanecer em um relacionamento violento apontados pelos entrevistados são: acreditar que o parceiro vai melhorar/mudar, medo de ser morta e de novas agressões, dependência econômica e afetiva, vergonha de que outras pessoas saibam da situação e o medo de perder a guarda dos filhos. Oito em dez entrevistados concordam que a presença de arma de fogo na casa dificulta a denúncia feita pela mulher e aumenta o risco de que ela seja assassinada.

Apesar de 93% concordaram que é mais importante evitar o assassinato da mulher do que punir o assassino, 33% atribuem a culpa a ambos ou à mulher. Para 91% da população, no caso de ameaça de assassinato por um atual ou ex-parceiro, a mulher vítima deve buscar a Delegacia da Mulher, mas apenas 7% das cidades contam com esse serviço especializado.

Além da falta de suporte especializado na maior parte do território brasileiro, 8 em 10 mulheres concordam que muitos policiais não acreditam na seriedade da denúncia de ameaça e no risco que a mulher corre, e 78% acreditam que a Justiça brasileira trata a violência contra as mulheres como um assunto pouco importante. Outro problema apontado é a impunidade dos agressores.
 
*estagiária sob a supervisão de Márcia Maria Cruz 


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