Não é fácil, Fernanda Takai admite. Mas há 15 anos levando uma vida dupla, conciliando Pato Fu e carreira solo, ela consegue virar a chave rapidinho. Não tem como ser de outra maneira, principalmente quando a agenda está cheia. 





A semana de trabalho de Fernanda começou na última terça-feira (18/4), com um ensaio com a Orquestra Ouro Preto, e só termina na próxima quinta (27/4), quando ela retorna a Belo Horizonte. Neste meio tempo, vários ensaios, gravações e três shows.

O primeiro deles será neste sábado (22/4), na Praça da Assembleia, no encerramento da sexta edição do Meu Vizinho Pardini. Há muito sem fazer seu show de carreira em Belo Horizonte, o Pato Fu fecha, a partir das 18h, o festival.

“Deve fazer, no mínimo, uns cinco anos que o Pato Fu ‘puro’ não faz show em BH”, comenta ela. É claro que o grupo não ficou longe dos palcos neste período, mas se apresentou em diferentes ocasiões com o “Música de brinquedo” e também com a Orquestra Ouro Preto. 





Ter somente os cinco músicos no palco – John Ulhoa na guitarra, Ricardo Koctus no baixo, Xande Tamietti na bateria, Richard Neves nos teclados, além de Fernanda – tocando as músicas de sua história, é outra coisa. 

Saudade

São 30 anos de banda em 2023, mas o show deste fim de tarde ainda não é o comemorativo, que deve ficar mais para a frente. “A maior parte são as músicas mais conhecidas do Pato Fu, o que é até bom para matar a saudade, ainda mais na praça. Mas teremos duas ou três novas”, conta a vocalista.

Desde outubro de 2022 o grupo vem lançando canções inéditas para celebrar o marco das três décadas. O álbum “30” reúne nove faixas, que vieram a público paulatinamente. Entre elas destacam-se “Fique onde eu possa te ver”, “Dias incertos”, “Silenciador” e “Amo só você”, versão para "Io che amo solo te", de Sergio Endrigo, clássico do cancioneiro italiano.





“Quando terminar o show do Pardini, eu volto para casa ouvindo ‘O Tom da Takai’ para rememorar as músicas”, conta Fernanda. Isto porque neste domingo (23/4) ela sobe ao palco do teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas para nova apresentação, desta vez solo, ao lado da Orquestra Ouro Preto. Os ingressos estão esgotados.
 
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Lançado em 2018, “O Tom da Takai” é o quinto álbum solo de Fernanda, que se dedicou ao repertório de Tom Jobim ao lado de dois mestres: Roberto Menescal e Marcos Valle, que produziram, arranjaram e gravaram com ela. A estreia do show, com o trio, foi no mesmo teatro em que ela se apresenta amanhã.

Na época do lançamento, Fernanda recorda, o maestro Rodrigo Toffolo, regente da Orquestra Ouro Preto, enviou a ela uma mensagem, dizendo que o disco estava lindo. “Imagina como ele iria ficar com a orquestra tocando junto.” Ela respondeu: “Gostaria muito, mas não tínhamos orçamento”.





Toffolo logo propôs a Fernanda uma parceria. Ela indicou para os arranjos o gaúcho Arthur de Faria, músico muito próximo da banda. “Ele sabe tudo de Elis e Tom Jobim, estudou muito, e, quando falei para ele, me disse que foi o melhor presente que havia recebido na vida.”
 
 

Arthur de Faria assinou os arranjos de cordas para a orquestra e, em 2019, foram feitos seis concertos, todos no interior de Minas. Veio a pandemia, e tudo parou. Mas o show ainda ganhou uma live, realizada com a cantora e a orquestra na Matriz do Pilar, em Ouro Preto. “Foi lindo e muito tenso, pois era a época da COVID sem vacina”, conta Fernanda. 

Somente agora ela está retomando o projeto, fazendo esta estreia em Belo Horizonte – no ano passado, vale lembrar, Orquestra Ouro Preto e Pato Fu fizeram uma temporada de shows, que vai resultar num álbum a ser lançado ainda neste ano.





Com a orquestra de cordas, Fernanda executa a maior parte do repertório de “O Tom da Takai”. Tirou algumas canções “muito tristes”, como “Só saudade” e “Eu preciso de você” e incluiu outras que não foram gravadas no discos: “Corcovado”, “Chega de saudade” e “Insensatez”, que ela havia registrado em seu álbum solo de estreia, “Onde brilhem os olhos seus” (2007).
 
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Show com Samuel Rosa

Terminado o show de domingo, na terça (25/4) ela embarca para Goiânia para se apresentar ao lado de Samuel Rosa. O show é dele, mas o convite é para que cantem juntos quatro canções. 

Duas ela adianta: “Balada do amor inabalável”, que ela gravou no DVD que Samuel e Lô Borges fizeram juntos, e “Pra curar essa dor”, versão de John Ulhoa para “Heal the pain”, de George Michael, que Samuel gravou com ela para o álbum “Na medida do impossível” (este o quarto disco solo da cantora). “Já participamos de alguns shows juntos, poucas vezes para o tanto de afinidade que temos”, diz ela.





Já na quarta (26/4), Fernanda deixa Goiânia rumo a São Paulo. Na mesma noite, participa, no Museu da Imagem e do Som (MIS), do projeto “Notas contemporâneas”, capitaneado por Zeca Camargo. A noite terá uma conversa com o jornalista e uma banda, montada para a ocasião, que executa músicas dela.

Além deste, ela participou de outro projeto nos últimos dias, desta vez com o Pato Fu. O grupo passou o feriado de 21 de abril no estúdio Sonastério, em Nova Lima. O registro integra o projeto “Sonastério ilumina”, que mistura entrevista e gravações ao vivo.    

“Foi uma imersão de dois dias (20 e 21/4). Chegamos às 10h e saímos do estúdio às 19h. Tem um cenário especial, feito para o projeto, mais o do próprio estúdio (com uma vista de encher os olhos das montanhas)”, conta ela. 

A banda gravou os sucessos “Sobre o tempo”, “Canção pra você viver mais”, “Antes que seja tarde”, “Perdendo dentes”, o lado B das antigas “Spoc” e a já citada “Fique onde eu possa te ver”, do novo álbum. O registro será lançado em breve, em formato de minidocumentário, com seis episódios, no YouTube.

FESTIVAL MEU VIZINHO PARDINI

Neste sábado (22/4), a partir das 10h, na Praça da Assembleia, Avenida Olegário Maciel, s/n Santo Agostinho. Atrações: Pato Fu, Baile da Dri, Adriana Araújo, bloco Charangueiras, Coração Palpita, Rúbia Mesquita e Grupo Circolar. Entrada franca. 
 

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