(DA AP, COM TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU)

QUEM VOTOU



Baterista e DJ, Questlove apresentou sua lista de favoritos de todos os tempos

(foto: ANGELA WEISS/ AFP)


Detentora de vários recordes, Billie Eilishfoi uma das artistas jovens votantes

(foto: MICHAEL TRAN/ AFP)


“Rumours”, o álbum mais marcante do Fleetwood Mac, é melhor do que “To pimp a butterfly”, de Kendrick Lamar? “Tapestry”, de Carole King, vem antes ou depois de “Thriller”, de Michael Jackson?

A revista “Rolling Stone” traz algumas respostas em um novo livro, que, com certeza, vai gerar muito debate: “The 500 greatest albums of all time” (Os 500 melhores discos de todos os tempos). É aí que você vai ver que “Born to run”, de Bruce Springsteen, fica logo à frente de “Ready to die”, de The Notorious B.I.G., nas posições 21 e 22, respectivamente.





"Todos os discos que aqui estão chegaram por diferentes razões", disse Jon Dolan, editor de resenhas da “Rolling Stone”, que ajudou a criar o livro. "Estamos muito felizes, para ser honesto, com a lista toda."

Mas se você discorda dos rankings, não culpe o pessoal da “Rolling Stone”. Culpe Beyoncé, Taylor Swift, Iggy Pop, Nile Rodgers, Questlove, Billie Eilish, Herbie Hancock, Saweetie, Carly Rae Jepsen, Lin-Manuel Miranda e integrantes do Metallica e U2, entre dezenas de outros artistas. Eles estavam no júri.

Os organizadores do livro procuraram cerca de 500 eleitores do mundo da música - artistas, jornalistas, figuras de gravadoras e funcionários da “Rolling Stone” - e perguntaram quais eram seus 50 melhores álbuns (Stevie Nicks citou 80).




QUEM BOMBOU

"Purple rain", clássico de Prince (1958-2016), saltou do 76º para o 8º lugar no ranking

(foto: BERTRAND GUAY / AFP )


'Blue', da canadense Joni Mitchell, saiu do 30º lugar em 2003 para o top 10 agora

(foto: VALERIE MACON/ AFP )


'The miseducation of Lauryn Hill', de Lauryn Hill, passou do Top 300 em 2003 para o Top 10 na nova lista

(foto: SUZANNE CORDEIRO/AFP )

PLANILHA 

Conseguiram cerca de 4 mil álbuns e criaram uma planilha com pontos ponderados. A cada página, os artistas fazem uma fascinante tapeçaria musical. Veja, por exemplo, uma seção do Top 100: na 86ª posição está o álbum de estreia do The Doors, seguido por “Bitches brew”, de Miles Davis; “Hunky Dory”, de David Bowie, e, na 89ª, “Baduizm’”, de Erykah Badu, conectando joias do rock clássico, jazz, rock progressivo e R&B.

“Existe alguém que ame todas as coisas com a mesma intensidade? Provavelmente não. Mas esperamos que haja pessoas que gostem de experimentar para ver o que acham", contou Dolan. "O objetivo é esse: fazer conexões e conhecer coisas novas."

Dolan ficou impressionado com alguns artistas consagrados abraçando a música moderna - como John Cale, do Velvet Underground, defendendo FKA Twigs e Nicks deixando “Fine line”, de Harry Styles, nas primeiras posições.





"É legal ver essas pessoas valorizando as gerações mais jovens", admitiu ele. "É legal ver as pessoas votando em coisas que estão fora de seu gênero, que seria o esperado."

ORIGENS 

As origens do livro começaram em 2003, quando a revista publicou sua primeira lista de Top 500, colocando “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles, em primeiro lugar. Era uma lista cheia de Beatles, com mais três álbuns chegando ao top 10. 

"O livro tinha a perspectiva de um fã de rock de 45 anos que tinha a mente aberta, que gostava um pouco de rap, gostava de R&B, mas meio que torcia o nariz para coisas mais recentes", lembrou ele.

"Nós queríamos romper com essa perspectiva e pensar que a lista poderia realmente ter muitas perspectivas convergindo." “Blue”, de Joni Mitchell, disparou na nova lista, indo do 30º lugar em 2003 para o top 10 agora; e “Purple rain”, de Prince, passou do 76º para o 8º. 

Outro grande destaque foi “The miseducation of Lauryn Hill”, de Lauryn Hill, que passou do Top 300 em 2003 para o Top 10 agora. "Certos álbuns viram novos clássicos", ressaltou Dolan. "É uma coisa que vai evoluindo, que está em debate. E nós queríamos pelo menos sugerir esse movimento ao fazer esse livro novo."




QUEDA 

A nova lista é mais inclusiva de outros gêneros além do rock e, por isso, empurrou alguns álbuns icônicos para baixo, como “Back in black”, do AC/DC, que passou do número 77 para o 84, agora aninhado entre “Dusty in Memphis”, de Dusty Springfield, e “Plastic Ono Band”, de John Lennon.

Os catálogos de alguns artistas também mudaram. Desta vez, “Blood on the tracks”, de Bob Dylan, ultrapassou seus “Blonde on blonde” e “Highway 61 revisited”. E “Abbey Road”, dos Beatles, se tornou seu álbum mais alto no livro, acima de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, “Rubber soul” e “Revolver”. "O calor, a beleza e a doçura de ‘Abbey Road’ de alguma maneira superaram a inventividade sonora de ‘Revolver’, porque as pessoas adoram ouvi-lo."

Houve algumas reclamações on-line sobre a lista: de Billy Joel, apenas “The stranger” entrou nos 500; não tem nenhum artista não ocidental; “The Joshua tree”, do U2, saiu do Top 100; e os fãs de música eletrônica podem lamentar que estejam presentes apenas oito álbuns eletrônicos.





Mas a “Rolling Stone” diz que a lista é apenas uma foto no filme da história da música. Enquanto os álbuns estavam sendo tabulados desta vez, “Folklore”, de Taylor Swift, e “Rough and rowdy ways”, de Bob Dylan, foram lançados. 

E Dolan suspeita que ambos poderiam ter entrado no livro, se tivessem saído antes. "Como a lista é muito diversificada e aberta em termos estilísticos, acho que estamos sugerindo que é sempre um trabalho em andamento", acrescentou ele. "Daqui a 20 anos, a ‘Rolling Stone’ vai fazer tudo de novo."

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