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Estado de Minas TEATRO

Em 'Diógenes', Alexandre Toledo põe o dedo nas feridas sociais do Brasil

Personagem inspirado no famoso filósofo grego questiona a miséria, a violência policial e a crueldade das elites na peça em cartaz no Sesc Palladium


25/01/2022 04:00 - atualizado 25/01/2022 08:49

O ator Alexandre Toledo, com o dedo em riste, fala de forma emocionada em cena da peça Diógenes
Alexandre Toledo diz que seu personagem fala "coisas engasgadas na garganta de muita gente" (foto: Igor Cerqueira/divulgação)

Lançada inicialmente nas plataformas digitais, “Diógenes” chega ao palco do Sesc Palladium hoje à noite (25/1), com sessões às terças e quartas-feiras, até 9 de fevereiro. Escrita e estrelada por Alexandre Toledo, dirigida por Fernando Chagas, a peça é um desabafo do autor em relação à realidade do Brasil.

“O personagem Diógenes fala uma série de coisas engasgadas na garganta de muita gente. Comecei a escrever o texto na época dos protestos contra a Copa (do Mundo), em 2013. O governo Dilma (Rousseff) ainda gozava de muita popularidade, não entendi o que estava gerando aquelas passeatas e manifestações. Então, pensei em como um morador de rua enxergaria aquilo”, diz Alexandre Toledo.

Formado em filosofia, o ator baseou o personagem-título em Diógenes, o Cínico, filósofo grego dono de uma visão sarcástica com relação à realidade.

"HIPPIE DA GRÉCIA ANTIGA"

“A expressão cínico vem dele, mas não é o cinismo que nós entendemos hoje. O cinismo grego prega uma vida mais humilde, mais voltada para as coisas simples. O Diógenes seria, mais ou menos, um hippie da Grécia Antiga”, brinca Toledo.

“A peça é densa, mas, na verdade, ele não está falando de filosofia, mas de sua vida, do que observa no mundo. O morador de rua conta que come lixo, que já encontrou criança recém-nascida no lixo. Fala sobre as pessoas que põem fogo em mendigo na rua. Fala da prostituição. Fala do Amarildo, aquele pedreiro morto pela polícia em 2013”, explica Toledo.

“Diógenes comenta um pouco a história recente sob o ponto de vista dele, que sofreu grande perda amorosa e está exorcizando essa perda. Fala da perda e, ao mesmo tempo, questiona o mundo ao redor”, revela.

O ator diz que o monólogo não tem a pretensão de ser “blockbuster”, como as comédias que levam multidões aos teatros. Diz entender a opção das pessoas por peças de humor, buscando se abstrair dos problemas, mas faz apelo para que o público “dê a si mesmo a oportunidade de assistir a outros gêneros”.

A proposta de Toledo é provocar as pessoas a refletirem sobre a vida e a sociedade. “Escrevi 'Diógenes' como uma espécie de purgação para mim mesmo. É, sobretudo, um texto político. Fala as coisas diretamente para a plateia, quebrando a quarta parede. Porém, não mexo com a plateia para ela me responder. Não busco interagir com ela. É como se você chegasse a um canto da rua e visse aquele velho, aquele homem doido falando. As coisas que ele diz podem fazer sentido. O Diógenes é muito racional”, garante.

* Estagiário sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria

“DIÓGENES”

Texto e atuação: Alexandre Toledo. Direção: Fernando Chagas. Às terças e quartas-feiras, às 20h. Temporada de hoje até 9 de fevereiro. Sesc Palladium. Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro. Bilheteria: R$ 42 (inteira) e R$ 21 (meia). Postos do Sinparc: R$ 20. Informações sobre a Campanha de Popularização estão disponíveis em https://www.vaaoteatromg.com.br/belo-horizonte




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