Publicidade

Estado de Minas CINEMA

Oscar 2021 divulga nesta segunda (15) os indicados ao prêmio da Academia

"Nomadland", de Chloé Zhao, certamente estará na lista que será divulgada; só resta saber a quantas estatuetas o longa vai concorrer


14/03/2021 18:46 - atualizado 14/03/2021 19:07

'Nomadland' deve dominar as indicações ao Oscar(foto: Searchlight Pictures/Divulgação)
'Nomadland' deve dominar as indicações ao Oscar (foto: Searchlight Pictures/Divulgação)
“Nomadland” chegará ao Brasil em 15 de abril – a data poderá mudar de acordo com o desenvolvimento da pandemia. Independentemente da crise sanitária, há uma certeza: o terceiro filme da cineasta chinesa radicada nos Estados Unidos Chloé Zhao estará no Oscar. O que saberemos nesta segunda (15/3) é a quantas estatuetas o longa vai concorrer.

A partir das 10h20 (horário de Brasília), o casal Priyanka Chopra e Nick Jonas vai anunciar os indicados à 93ª edição do prêmio da Academia de Ciências Cinematográficas de Hollywood. Esta já é a mais longa temporada de premiações, que sofreu mudanças, como tudo, em decorrência da COVID-19.

A pandemia fez com que o Oscar fosse adiado para 25 de abril. É o quarto adiamento em sua quase centenária história – a cerimônia sofreu alterações em 1938, por causa de uma inundação em Los Angeles; em 1968, após o assassinato de Martin Luther King; e em 1981, pelo atentado sofrido pelo então presidente Ronald Reagan.

Nesses 40 dias até a premiação, muita coisa pode acontecer, ainda mais porque até o momento não se sabe exatamente como será a cerimônia. Ao contrário do Emmy e do Globo de Ouro, o Oscar promete ter momentos presenciais, com transmissão de vários lugares dos EUA, incluindo o Dolby Theatre, em Los Angeles, seu tradicional palco.

Filme independente adaptado do livro homônimo de Jessica Bruder, “Nomadland” acompanha Fern (Frances McDormand, dois Oscars no currículo e também produtora do longa), uma nômade dos tempos atuais. Após o colapso econômico de 2008, a personagem entra numa van e começa a viajar pelo interior dos EUA, acompanhando um grupo como ela. As pessoas com quem se encontra na história são nômades reais.

A exemplo de “Parasita”, que começou sua vitoriosa trajetória vencendo o Festival da Cannes de 2019, “Nomadland” também teve première em um evento europeu, de onde saiu com o principal prêmio – no caso, o Leão de Ouro em Veneza, em setembro.

Desde então, recebeu o prêmio da audiência do Festival de Toronto, venceu o Globo de Ouro (filme e diretora), o Critics Choice (filme, diretora, fotografia e roteiro adaptado) e está indicado nas premiações dos sindicatos dos produtores (PGA), atores (SAG) e diretores (DGA), os que têm o maior peso na escolha do Oscar.

Assista ao trailer: 


Netflix na disputa 


Além da presença de “Nomadland”, outra certeza é de que a Netflix encabeçará a lista de estúdios entre os indicados. As bolsas de apostas dão de 30 a 40 indicações. As principais armas são “Os 7 de Chicago”, de Aaron Sorkin, que inclusive pode bater o filme de Chloé Zhao em número de indicações; “Mank”, de David Fincher, que foi lançado com muita pompa, mas foi esnobado no Globo de Ouro; e “A voz suprema do blues”, de George C. Wolfe.

Até 10 longas podem ser indicados a melhor filme. “Minari”, de Lee Isaac Chung, produção norte-americana falada em inglês e coreano, viu nas últimas semanas seu nome crescer nas bolsas de apostas, principalmente pelas indicações no SAG (três, incluindo todo o elenco) e os dois prêmios no Critics Choice.

Outros filmes que podem entrar na categoria principal e também receber um bom número de indicações são “Bela vingança” (inédito no Brasil), estreia em longas de Emerald Fennell (a Camila Parker-Bowles de “The crown”, é sempre bom lembrar); “O som do silêncio”, de Darius Marder, outro drama de um diretor estreante em longa de ficção; “Judas e o messias negro”, de Shaka King, filme que tem sua força na performance de Daniel Kaluuya.

Difícil relação entre um homem e sua filha à medida que o envelhecimento lhe traz problemas de saúde, “Meu pai”, de Florian Zeller, outro dos inéditos no Brasil, é calcado nas interpretações de Anthony Hopkins e Olivia Colman. Caso seja uma dezena de filmes, outra boa aposta é para “Uma noite em Miami”, de Regina King, que a partir do encontro de quatro ícones do ativismo negro em 1964 – Malcolm X, Muhammad Ali, Sam Cooke e Jim Brown – cala fundo no mundo de hoje.

Ainda que a corrida comece de fato efetivamente agora, a votação ainda levará um mês. Os membros da Academia terão seis dias para escolher seus favoritos – de 15 a 20 de abril.

Pelos acontecimentos que assolaram o mundo, esta edição promete ser histórica. Pela primeira vez desde o sexto Oscar, filmes de dois anos diferentes poderão concorrer, já que o período de elegibilidade se estendeu até 28 de fevereiro deste ano. Além disso, filmes que estrearam diretamente no streaming puderam entrar na disputa.

"Bacurau" pode surpreender e "salvar" o Brasil


'Bacurau' é a esperança brasileira na disputa(foto: Cinemascopio/Divulgacao)
'Bacurau' é a esperança brasileira na disputa (foto: Cinemascopio/Divulgacao)
E o Brasil? É a pergunta que todos se fazm a cada nova edição do Oscar.  Fora da categoria de melhor filme internacional (a escolha brasileira, o documentário “Babenco: Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou”, de Bárbara Paz, não entrou na shortlist dos 15 pré-indicados), o país pode ser indicado por “Bacurau” (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles.

O filme protagonizou extenso debate quando foi preterido por “A vida invisível”, pela Academia Brasileira de Cinema (ABC) para tentar uma vaga na categoria de filme internacional no Oscar de 2020. O drama de Karim Aïnouz não ficou nem entre os pré-indicados e o filme de Mendonça Filho ressurgiu na disputa de 2021.
Pode? Sim, já que, nos EUA, “Bacurau” chegou aos cinemas logo antes da pandemia – em 6 de março do ano passado, quando a edição do Oscar já havia sido realizada. Mesmo tendo estreado nos cinemas brasileiros há um ano e meio, ao longo de 2020 o filme continuou sua trajetória – está indicado na categoria filme internacional no Independent Film Awards, cuja cerimônia de premiação será três dias antes do Oscar.

Ele pode concorrer a todas as categorias da premiação dedicadas a longas de ficção, menos a de filme internacional. Mesmo que não esteja frequentando as principais listas de indicações, há alguns fatores que mostram que o filme não está fora da disputa.

O longa entrou na lista de melhores do ano de várias publicações, como Indie Wire, Rolling Stone, Esquire e Vulture. Nos principais termômetros que reúnem críticas da imprensa e do público em geral, Rotten Tomatoes e Metacritic, o filme foi muito bem. No primeiro, teve 91% de resenhas positivas de imprensa, e no segundo obteve nota 82.

Assista ao trailer: 


Efeito 'Parasita' pode ajudar 'Bacurau'


Há também o efeito “Parasita”. A vitória (quatro prêmios) do filme de Bong Joon Ho em 2020 abriu caminho para uma demanda crescente não só da comunidade cinematográfica, mas do mundo em geral: da diversidade e sua internacionalização.

A imprensa especializada deu algum sinal para a possibilidade de que “Bacurau” possa conseguir uma indicação para roteiro original (de Mendonça Filho e Dornelles) e atriz coadjuvante para Sônia Braga.
Caso seu nome apareça entre os indicados desta segunda, o filme repetirá o feito de “Cidade de Deus” (2002), de Fernando Meirelles e Kátia Lund, que em 2004 foi nomeado ao Oscar de melhor direção, roteiro adaptado, fotografia e montagem. 



receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade