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Estado de Minas MÚSICA

Johnny Hooker lança música com Fafá de Belém para anunciar disco ao vivo

No DVD ''Macumba ao vivo em Recife'', cantor traz registro de "um momento embebido de esperança"


26/02/2021 18:26 - atualizado 26/02/2021 18:42

Fafá de Belém foi a convidada de Johnny Hooker para a gravação da faixa(foto: João Correia/Divulgação)
Fafá de Belém foi a convidada de Johnny Hooker para a gravação da faixa (foto: João Correia/Divulgação)
Em abril de 2016, Johnny Hooker lotou a casa de shows Baile Perfumado, em Recife, para o show do álbum ''Eu vou fazer uma macumba pra te amarrar, maldito!'', lançado no ano anterior. Naquela noite, o cantor e compositor pernambucano se apresentou para uma plateia de 4 mil pessoas e registrou a apresentação, que será lançada em DVD neste primeiro semestre de 2021.

O primeiro aperitivo de ''Macumba ao vivo em Recife'' foi servido na última quinta-feira (25/02). Trata-se da faixa ''Abandonada'', música escrita por Michael Sullivan e Paulo Sérgio Valle, registrada no disco ''Pássaro sonhador'' (1996), de Fafá de Belém, cantora que participou do show como convidada ilustre.

''Fafá é um ícone da nossa música e da nossa cultura. Ela chegou a me regravar em um dos seus discos, e eu quis retribuir o carinho. Essa música é onde o meu universo e o dela se encontram. A letra é passional, mas também engraçada. Representa o espírito desse DVD'', afirma o cantor.

A nova versão tem um arranjo mais pop, mas mantém as características principais da original. Lançado no YouTube, o clipe mostra a plateia engajada na canção, principalmente no refrão, quando os dois cantores gritam: ''Abandonada por você!''.

Ouça a faixa: 


CARREIRA
Desde que gravou o DVD, Johnny Hooker lançou seu segundo álbum, ''Coração'' (2017), e regravou canções dos mais diversos artistas, como Roberto Carlos (''Como vai você''), Timbalada (''Beija flor''), Adriana Calcanhotto (''Mentiras'') e Leandro & Leonardo (''Pense em mim''). Todas elas com uma abordagem própria, bastante original. Ele também lançou o single ''Escolheu a pessoa errada para humilhar'', em 2019.

Ele diz que foi precisamente esse volume de trabalho, somado às turnês nacionais e internacionais, que o impediram de lançar o registro audiovisual antes. Em casa ao longo de todo o ano de 2020, durante a pandemia do novo coronavírus, o artista teve a chance de revisitar o material para finalmente lançá-lo.

''Veio a pandemia - também conhecida como 'fim do mundo' - e eu vi que era o momento certo para lançar. Quando resgatei os vídeos, descobri uma coisa linda, histórica, feita no pré-golpe, um momento embebido de esperança. Naquela época, o futuro ainda era brilhante e a gente vislumbrava uma volta por cima. Então eu acho que esse DVD é uma espécie de portal para esse tempo muito diferente do que a gente está vivendo hoje'', afirma.

Ainda sem uma data exata para o lançamento, o DVD deve estrear primeiro na televisão, depois no YouTube. ''De março não passa'', ele assegura. Além de músicas do primeiro disco do cantor - que inclui sucessos como ''Volta'', ''Amor marginal'' e ''Alma sebosa'' -, o registro conta versões para ''Garçom'', de Reginaldo Rossi, e ''Álcool'', da trilha sonora do filme ''Tatuagem'' (2013), de Hilton Lacerda. O trabalho traz parcerias com os cantores Otto, Karina Buhr e Isaar, além de Fafá de Belém.

Johnny Hooker vem preparando também o lançamento de seu terceiro álbum de inéditas que, segundo ele, ''está 90% pronto''. ''Gravei boa parte antes da pandemia, mas tive que desacelerar a produção. Ao longo do último ano, consegui finalizar as músicas, fotografar a capa e terminar os últimos detalhes. Só faltam os clipes. Acho que não tem clima para lançar um trabalho inédito agora. E eu não me sinto confortável em reunir uma equipe imensa, expor as pessoas, para gravar os clipes. Morro de medo do vírus e não quero ser responsável pelo adoecimento de ninguém'', diz.

RESISTÊNCIA

O tema do novo trabalho, inspirado pelo livro ''Orgia - Diários de Túlio Carella - Recife, 1960'' (1968), será o sexo. ''É a sexualidade como arma de resistência e reafirmação. Como uma política do que a gente é. Tentei refletir sobre a maneira que as pessoas estão se relacionando hoje. Essa rapidez com toques de efemeridade'', conta.

Ainda assim, a “fossa”, tema recorrente nas canções do pernambucano, não ficará de fora. ''Não pode deixar de ter o drama, que a galera gosta. Mas eu falo mais sobre desejo.''

Ao descrever o trabalho musicalmente, Johnny Hooker revela que o álbum é ''mais sombrio'' e ''parecido com o 'Macumba''', diferente do ''Coração'', que é um disco ''mais solar''.

Sem data de lançamento, o trabalho deve sair no último trimestre do ano, segundo o cantor, quando ele acredita que a campanha de vacinação contra a COVID-19 estará mais avançada, o que talvez possibilite apresentações ao vivo com público. ''Não é possível que daqui a 10 meses as coisas não estejam melhores'', diz.

Um dos últimos shows que ele fez antes da pandemia foi em Belo Horizonte, no festival Sensacional, ao lado da extinta banda Liniker e os Caramelows, na Esplanada do Mineirão.

As lembranças que ele tem da apresentação envolvem as torrenciais chuvas do verão belo-horizontino e muita aglomeração. ''Lembro de ser um show com muita gente. O Mineirão tomado. E assim que eu saí do palco começou um pé d'água assustador'', diz.

Apesar de sentir falta dos shows ao vivo e do contato direto com o público, Johnny Hooker não tem saudades da estrada porque ''cansa muito ficar viajando'', mas acha ruim não poder trabalhar plenamente.

“Sou viciado em trabalho. Acordo já querendo resolver tudo, todo dia. Então eu quero voltar a trabalhar sem medo. Outra coisa que sinto muita falta é da minha família e dos meus amigos. O distanciamento pesa muito para mim. Eu tinha uma vida social muito forte. Isso tudo ser tirado de mim é horrível'', comenta.

Sem sua principal fonte de renda, ou seja, os shows, Johnny Hooker se considera ''esmagado'' por uma indústria ''muito desigual''. ''A pandemia ressaltou as diferenças. Quem é artista do mainstream pode ter crescido, mas quem é 'médio', como eu, foi jogado para baixo. Apesar de ter bons números no streaming, minha maior receita ainda são os shows e a venda de material. Assim como a pandemia esmaga os mais pobres, isso também acontece na indústria da música'', conclui.

ABANDONADA (AO VIVO EM RECIFE)
Single de Johnny Hooker e Fafá de Belém
Sony Music
Disponível nas plataformas digitais


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