
Em 10 de janeiro de 2020, os atores Fafá Rennó e Leonardo Fernandes subiram ao palco do CCBB-BH para estrear Neblina, espetáculo com texto de Sérgio Roveri e direção de Yara de Novaes. Exatamente um ano mais tarde, subiram ao palco de outro teatro, o Sesiminas, para contar a mesma história. Só que de uma maneira totalmente diferente.
Atropelados, como todos, pela pandemia da COVID-19, tiveram que interromper a temporada da montagem, que iria circular pelas unidades do CCBB em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília. Mas a história, que acompanha Diego e Sofia, isolados em uma casa sem vizinhos ao longo de uma noite encoberta por uma espessa neblina, ganhou outra leitura diante dos acontecimentos do último ano.
Estreia agora como a websérie Farol de neblina, produção em quatro episódios que será lançada nesta sexta-feira (5/2), às 20h, no site do próprio espetáculo (www.espetaculoneblina.com.br). Assim como na temporada do CCBB, os episódios têm dia e hora marcados – são exibidos de sexta a segunda – e retirada de ingressos (gratuitos). Cada episódio será lançado em uma semana – uma vez finalizada, a produção ficará disponível integralmente até 30 de maio.
Para a websérie, Yara de Novaes trabalhou com a realizadora Clarissa Campolina, que fez a direção de vídeo, rodado ao longo da semana a partir de 10 de janeiro de 2021. “Não é teatro filmado, é importante falar. A linguagem foi realmente pensada para o projeto, tanto que o teatro também vira personagem”, comenta Fafá.
CARTAS
De acordo com a atriz, algumas questões que foram trabalhadas no processo de montagem do espetáculo foram levadas agora para a cena. “Para a pesquisa, a Yara propôs que a minha personagem e a do Léo trocassem cartas. O público não saberia disto se não fosse a websérie. E elas vêm à tona agora.”
A narrativa parte de um incidente. Com o carro quebrado, Sofia bate na porta de Diego, morador da única casa que há na região. Vivendo isolado, ele é um homem que não se relaciona facilmente.
“Assim como eu e o Léo não somos os mesmos de quando estreamos a peça, vimos que, depois de um ano de pandemia, ela é pertinente para falar sobre o hoje. Apresenta essas pessoas em sua dificuldade de comunicação, e a neblina mostra (abstrata e concretamente) como não conseguimos enxergar as coisas”, afirma Fafá.
Com a transposição da linguagem, outros elementos surgiram em cena. Se o espetáculo era restrito ao palco, agora, com o vídeo, a coxia e os camarins do teatro surgem como outros “cenários” da narrativa.
“Para mim, quem conduz (o espectador) no teatro é o ator. Mas no cinema é o diretor, pois é ele quem escolhe se você vai olhar para o pé do personagem, por exemplo. Então acho que a obra acabou ficando mais aberta”, diz Léo Fernandes.
O ator afirma não saber se o que está sendo feito é teatro ou não. “A peça trata de impermanência o tempo todo e traz dois personagens presos que ficam falando sobre um amanhecer que nunca chega. Por conta do que estamos vivendo, inevitavelmente, tudo está sendo ressignificado. Não consigo definir muito bem o que seja isto, mas sei que é um lugar muito rico, da experimentação. E o artista do teatro já nasceu com a experimentação como base do seu trabalho”, comenta.
FAROL DE NEBLINA
A websérie, em quatro episódios, será lançada nesta sexta (5/2), às 20h, no site www.espetaculoneblina.com.br. Os demais episódios entrarão no ar no mesmo horário, nas sextas subsequentes, até 26 de fevereiro. O acesso a cada um deles será disponibilizado às sextas, e sábados, às 20h, e aos domingos, às 19h. Após o lançamento do último episódio, a websérie completa ficará disponível até 30 de junho. Ingressos gratuitos devem ser retirados previamente no próprio site do projeto.
