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Estado de Minas MÚSICA

Na solidão, Gustavo Bertoni lança seu terceiro álbum

Vocalista da banda Scalene, músico brasiliense apresenta seu trabalho solo The fine line between loneliness and solitude


12/08/2020 04:00 - atualizado 11/08/2020 20:46

Gustavo Bertoni, que também é vocalista da banda Scalene, diz que o novo álbum não é trabalho sobre a pandemia: %u201CSempre fiz esse movimento de ficar só%u201D (foto: Lari Balsells/Divulgação)
Gustavo Bertoni, que também é vocalista da banda Scalene, diz que o novo álbum não é trabalho sobre a pandemia: %u201CSempre fiz esse movimento de ficar só%u201D (foto: Lari Balsells/Divulgação)
Vocalista da banda Scalene,  o músico brasiliense Gustavo Bertoni costuma   usar experiências pessoais como tema de suas composições. Em seu terceiro álbum solo, The fine line between loneliness and solitude (SLAP), ele usa da sonoridade orgânica do folk para realizar esse movimento e tratar de uma questão bastante coletiva: a solidão.

''Para mim, conseguir abraçar as coisas boas que a solidão traz é transformá-la em solitude'', analisa o músico. ''Claro que a minha intenção não é conectar pontos, fazer desse disco um trabalho sobre a pandemia. Sempre fiz esse movimento de ficar só.''

Embora finalizado antes de a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretar a pandemia da COVID-19, em março, o álbum acaba se relacionando, inevitavelmente, com o atual momento. Entre levadas de folk, flertes com o art pop e beats urbanos, o trabalho revela um compositor dedicado a construir um trabalho musicalmente afinado e artisticamente desafiador. ''A arte sempre estará aberta a interpretações. O disco é sobre se entender nos espaços de solitude, de solidão e enxergar a linha tênue entre as duas coisas. E, agora, estamos vivendo isso intensamente'', pondera o músico brasiliense.

Segundo Bertoni, a música Waves, que sucede à introdutória e breve Chasm, é a síntese do disco. Nela, Gustavo canta sobre sentimentos que se comportam como ondas, num vaivém constante. De certa forma, a música está falando sobre como uma série de coisas da vida são volúveis.

Gravado no Brasil e na Alemanha, entre as capitais São Paulo e Berlim, o álbum reúne somente músicas compostas em inglês, marca da discografia solo do artista, que também é composta pelos discos The pilgrim (2015) e Where light pours in  (2018).

Apesar de ter recebido grande influência do folk, gênero normalmente associado a paisagens bucólicas, o álbum transmite uma atmosfera urbana. Para o músico, isso se deve ao fato de a gravação ter acontecido em duas metrópoles onde a paisagem urbana é impossível de ignorar. ''São Paulo e Berlim acabaram virando personagens do disco. Por isso, algumas canções parecem mais ruidosa ou rural. Isso vai contra a própria ideia do folk, que seria a música de uma paisagem interiorana.''

''Nunca havia feito um disco em tão pouco tempo'', conta ele, que finalizou o trabalho em 10 meses. ''Normalmente, são ideias que se acumulam em um ano e meio, e esse foi totalmente feito durante 2019. Então, as músicas acabam bem correlacionadas, sendo o mesmo tema olhado de diferentes perspectivas e sensações.''

Apesar de a solidão ser o tema que permeia o trabalho, a produção do disco, encabeçada por Lucas Meyer, contou com uma série de colaboradores. Eduardo Canavezes aparece nas cordas da faixa Midnight sun. Já o pianista e compositor norueguês Kjetil Mulelid está em duas faixas: Mirror in the room e no interlúdio Alnes.

''Uma das primeiras versões de Mirror in the room tinha um improviso de jazz ao final, que não tinha ficado muito bom'', brinca ele. ''Aí, fui num show em Berlim com uma amiga e conheci o Kjetil no final, quando ele estava vendendo o merch. Mantivemos contato e mandei a música pra ele.''

O encontro foi o pontapé inicial para Alnes. ''A iniciativa para essa faixa partiu dele, que se identificou muito com de Patience... E isso é uma parada legal, quando você vê um cara ‘cabeçudo’ e estudado se identificar com uma música simples assim, você vê que tem muita verdade ali e que o simples muitas vezes tem muitas camadas'', reflete Gustavo. Já White roses conta a presença da cantora e artista visual YMA. ''É uma música bem íntima, basicamente sobre dar esse ‘primeiro passo’ do relacionamento, seja ele sério ou passageiro, com total sinceridade.''

"A arte sempre estará aberta a interpretações. O disco é sobre se entender nos espaços de solitude, de solidão e enxergar a linha tênue entre as duas coisas. E, agora, estamos vivendo isso intensamente"

Gustavo Bertoni, músico



CRIATIVIDADE Com agenda suspensa por conta da pandemia, ele e os outros membros da Scalene – Tomas Bertoni (guitarra), Lucas Furtado (baixo elétrico) e Philipe Conde (bateria) – têm se mantido ocupados durante a quarentena. Além de manter o ofício da composição, a banda já tem pensado no próximo disco.

Recentemente, o grupo colocou na praça o EP Respiro, trabalho que se soma aos discos Magnetite (2017), Éter (2015), Real/surreal  (2013) e Cromático (2012). Além disso, a banda se rendeu às lives como forma de manter o contato com o público.

''Em suma, a gente não tem outra opção, temos que inovar, buscar soluções criativas e tentar usá-las da melhor maneira. Nesses momentos, a gente ativa o modo sobrevivência e foge do processo de ficar reclamando'', pontua.


THE FINE LINE BETWEEN LONELINESS AND SOLITUDE
. Gustavo Bertoni
. SLAP
. Disponível nas plataformas digitais






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